Olá pessoas!
Como cadeirante, claro que já me imaginei andando novamente, me movimentando mais, fazendo atividades comuns do dia-a-dia. Essa imaginação acontece às vezes durante o dia, às vezes nos sonhos. Cheguei a andar no passado e vivenciar cada etapa, desde o aumento da dificuldade de fazer isso, até quando não dava mais e tive que usar a cadeira de rodas. Mas agora estou acostumado com esse fato e o aceito mais, pois sei que a cadeira faz parte do meu corpo, me leva aos lugares, me permite viver, realizar e aprender. Será que daria para sentir meus passos, só para relembrar os velhos tempos?
Quem sabe apareça alguma possibilidade da Medicina em um futuro próximo. Acredito que pode sim surgir um tratamento novo, capaz de gerar esperança, de iniciar a regeneração, mesmo pequena, dos músculos. Numa visão positiva, na hipótese de que haja uma novidade na área, andar ainda precisaria de um longo processo, muito exercício e muito empenho. Mas qualquer esforço valeria a pena.
Sabem de uma coisa? Toda semana encontro a oportunidade de mexer as pernas e andar por uns instantes. Isso acontece quando vou para a hidroterapia, fazer exercícios e alongamentos com auxílio das terapeutas, na água da piscina. Chego na cadeira, me aproximo da piscina e meu pai me coloca sobre sua superfície. É a hora em que me sinto leve, entregue ao efeito físico e espiritual da água. Água aquecida para relaxar corpo e mente, me tocar suavemente, me dar mais acessibilidade, mais opções de movimento, mais energia e fôlego.

Ao entrar na piscina, consigo ficar em pé, da forma que é possível. Mesmo assim, posso sentir a sensação de dar alguns passos, um seguido do outro, ir de um lado para outro, dar pulos, me movimentar de lado que nem caranguejo rsrs Caminho de forma agachada, pela piscina ser rasa e também por conta da profundidade maior me deixar mais instável. Meio tortinho, meio atrapalhado, sou abençoado nesse momento por poder andar por um tempinho, graças a essa bela magia da piscina. Tento aproveitar o máximo possível o instante de levantar a perna e botar o pé no chão, tocando o piso duro e então, dificilmente sinto vontade de sentar na piscina. Estando ali, pulando, caminhando, já estou realizado. E olha que é pedido o exercício de andar na piscina e esse eu faço com muito carinho, alegria e emoção!
Outro exercício bacana é o "da barra". Nele, eu seguro na barra que tem numa das bordas da piscina e usando o movimento dos braços e do resto do corpo, vou atravessando a piscina. Na água, por conta de parte do braço ficar imerso, também ganho um pouco mais de força para mexê-lo.
Outro destaque das águas mágicas, é o exercício de nadar. Nesse, preciso usar uma bóia no pescoço e me posicionar de barriga para cima. Abro meus braços até onde dá e fecho para fazer o nado. Minhas pernas dão uma esticada para dar o impulso. Entre as braçadas e pernadas, faço ida e volta na piscina. Quando completo o exercício, me sinto vencedor por conseguir fazer movimentos que na cadeira não daria.

Tinha uma época em que eu até jogava futebol na água, com uma bola que afunda. Até tentava dar umas embaixadas. São tantos anos familiarizado com a hidroterapia, conhecendo histórias de vida incríveis, sendo amigo das terapeutas e recebendo as vantagens de nadar na piscina.
Dedico esta postagem às hidroterapeutas do lugar onde me exercito toda semana: Cláudia, Stella, Cristiane, Grazy, Viviane e Roberta. Muito obrigado por tudo e pela amizade de vocês!
Abraços!