quinta-feira, 14 de julho de 2011

Eu Acredito Que Posso Voar

Olá pessoas,


O tempo passou, mas não posso deixar de contar sobre o maravilhoso acontecimento: minha formatura. Foi tão bom participar da colação de grau (em fevereiro), da missa e do baile de gala (em abril), ao lado da minha querida sala, do curso de Propaganda e Marketing. Para contar sobre este grandioso evento, vou usar trechos traduzidos de uma música que faz parte deste causo (depois explico melhor). A música se chama "I Believe I Can Fly", de R. Kelly, conhecida no filme "Space Jam", cuja letra tem preciosos ensinamentos.



"Eu costumava pensar que eu não poderia prosseguir. Que a vida não era nada, além de uma terrível canção. Mas agora sei o significado do verdadeiro amor. Eu estou me apoiando nos braços do Eterno Deus. Veja, eu estive à beira da auto-destruição. Às vezes o silêncio pode parecer tão alto. Existem milagres na vida; eu preciso realizá-los. Mas primeiro eu sei que, começa dentro de mim..."

O início de tudo era incerto. Eu tinha acabado de me formar no Ensino Médio, após passar pelo ano final da escola, que foi um dos anos mais difíceis de minha vida. Muita coisa aconteceu ao mesmo tempo. O medo de perder o contato com os amigos, o medo das novas dificuldades que surgiam e o principal: o medo do novo, do futuro. Como vai ser a faculdade? Conseguirei fazer novos amigos apesar da timidez? Conseguirei dar conta das responsabilidades? Como seria cada dia lá? E se eu falhasse na hora dos desafios? E se eu ficasse sozinho? Pois é, a possibilidade de algo ruim acontecer me aterrorizava e a auto-crítica tirava minha confiança. Foram momentos de tensão.


Mas foi aí que o AMOR entrou na história. Desde o primeiro dia de aula, pedia a Deus para que me guiasse e acalmasse meu interior, para que tudo desse certo para mim. Aos poucos, com cada situação encontrada na faculdade, fui aprendendo a deixar as coisas acontecerem naturalmente, colocando tudo nas mãos de Deus. A visão positiva do amor fez com que aquele futuro incerto se transformasse num presente com novidades e a noite da faculdade dava um toque final na minha rotina. Lá tinha tanta gente para conhecer, tanta matéria da área que gosto para estudar, tanta coisa bacana para fazer.


Claro que enfrentei dificuldades durante os 4 anos. Para estar presente na faculdade diariamente, o processo de sair de casa até lá era meio longo. Em casa, a partir de um horário no final da tarde, a correria começava: com ajuda do meu pai, eu tomava meu lanche, deitava na cama para trocar a roupa, passava no banheiro, arrumava a mochila - tudo com os segundos contados praticamente. Quando chegava na hora, aí tinha que me colocar no carro e desmontar a cadeira. Lá na faculdade, tinha que montar a cadeira e me colocar nela de novo. Já na cadeira, era preciso atravessar a rua, subir duas rampas e esperar o guardinha abrir o portão, pois na entrada o acesso é com escadas. Dentro de lá, aguardava o elevador, entrava nele de frente e saía de ré. Ao virar, colocava a mesa da minha cadeira e ajeitava o corpo. De repente, me deparava com o cenário palco dos grandes momentos: a praça de alimentação da faculdade, o centro dos principais acontecimentos. Dali em diante, na ida até a sala, era comigo e com Deus. E claro, com meus amigos também.


Qualquer imprevisto ou qualquer dia chuvoso já se tornava um empecilho para minha ida à faculdade. Mas em quase todas as vezes, a gente dava um jeito para ir lá, mesmo chegando atrasado. Outro obstáculo que me perseguia era a minha dificuldade em copiar a matéria da lousa, que me atrapalhava no acompanhamento das explicações. Isso por conta da degeneração dos músculos de meu braço, capaz de tirar a força para se fazer movimentos simples como segurar uma lapiseira e escrever sobre um caderno. Essa limitação foi aumentando durante os anos e com o tempo, fui me adaptando e encontrando soluções, chegando até a pegar cadernos emprestados para tirar foto das matérias copiadas.


"...Se eu posso ver isto, então posso acreditar nisto. Se eu simplesmente acreditar nisto, nada poderá impedir. Se eu posso ver isto, então eu posso fazê-lo..."



Ao longo do convívio de 4 anos, só posso lembrar da união entre os alunos, das amizades que fiz, da galera cheia de entusiasmo, do grande talento e criatividade de cada um.



Parabéns a todos vocês, meus queridos amigos publicitários, por esta conquista. Estou com saudades de todos (sem exceção) e desejo sinceramente, que seus caminhos continuem sendo abençoados. Que em suas vidas possam colher grandiosos frutos, pois sei o quanto todos se dedicaram em cada aula e em cada trabalho. Me sinto feliz em vê-los conseguindo dar início em suas carreiras e espero que tudo dê certo!


Os eventos tiveram a ilustre presença de minha querida família, sem a qual nada disso seria possível. Minha família esteve sempre ao meu lado, me apoiando em cada dia de aula e me permitindo ir na faculdade praticamente todo dia. Foi muito bonito sentir a presença de espírito não só dos meus pais e irmãos, como de cada familiar, todos sorrindo emocionados com minha conquista, me prestigiando, me dando carinho e fazendo parte de uma grande troca de amor incondicional.



Meus queridos pais e queridos irmãos, muito obrigado por me incentivarem nos estudos, por terem me oferecido a oportunidade de entrar na faculdade como todas as pessoas, mesmo apesar dos obstáculos, por me estimularem a sair de casa e lutar pelos objetivos. Sei que não foi fácil, mas vocês sempre deram um jeito de me levar e reconheço o valor deste gesto. Procurei retribuir estudando e aprendendo ao máximo, além de conhecer e conviver com amigos. A faculdade me trouxe tanta coisa boa e me mostrou que junto com a independência vem a responsabilidade. Só quero agradecer por tudo de bom que fazem por mim, ao lado de toda a família, onde todos sempre torceram por mim!

O abraço dos amigos também foi marcante. Amigos que me aceitaram como sou, que sempre me ajudaram e me apoiaram, que me ensinaram a ser uma pessoa melhor e que trazem luz à minha vida.


Aos meus queridos amigos, muito obrigado por todos os momentos incríveis que me proporcionaram, por fazerem parte da minha vida tanto nas horas boas como nas difíceis. Obrigado por ouvirem meus desabafos, por me fazerem rir, me emocionar e me inspirar na vida. Vocês guiam o meu caminho.



"...Eu acredito que posso voar. Eu acredito que eu posso tocar o céu. Penso nisto dia e noite. Abrir minhas asas e voar. Eu acredito que eu posso elevar-me. Eu me vejo passando por aquela porta aberta. Eu acredito que posso voar..."


Bem arrumado e de beca, o formando Fábio se prepara para o momento emocionante, ao lado dos seus amigos de Propaganda e Marketing. Os formandos entram no auditório e sentam-se em seus lugares. Cada curso foi fazendo o juramento com seus formandos, ressaltando a ética e a honestidade no exercício das profissões e para estar ainda mais envolvido, estendi meus braços do jeito possível, com ajuda do meu pai, mas de coração aberto.



Daí em diante, a emoção foi ficando cada vez maior: a coordenadora do curso me citou como grande exemplo (não sei se sou tudo isso, mas se há uma coisa que desejo passar às pessoas, é que usem todo o amor incondicional que sentem, para compartilhá-lo com o próximo, da forma que puderem – e isso tenho muito que aprender também). Depois, veio a surpresa inesquecível (feita por uma amiga - obrigado!): uma homenagem, representada por flores, música e carinho, aos meus queridos pais – que desde que nasci, me amam profundamente; que desde que descobriram minha doença, me apoiam ao máximo e em tudo; que desde que passei a usar a cadeira de rodas, desejam que eu vá a todos os lugares possíveis. É, não teve como segurar, a emoção foi muito forte, pois veio um filme de cada etapa vencida com minha família e muitas lágrimas de alegria saíram de meus olhos, senti uma plenitude incrível. E parabenizo todos os pais por tudo o que fazem pelos seus filhos.



A noite ainda me reservou uma benção. Após o chamado do meu nome, os aplausos tocaram meu coração e me guiaram rumo ao palco. Nas escadas, houve um toque de aventura, quase a queda de um cadeirante; mas alguma mão salvadora puxou a cadeira para dentro do palco. Já recuperado da adrenalina, aconteceu a hora da assinatura, meio torta e tremida, sendo necessário uma ajeitada no braço para seguir desfilando no palco e por fim, colei o grau através do gesto que transforma o universitário em profissional.



"...Ei, porque eu acredito em mim. Se eu simplesmente abrir minhas asas, eu posso voar"


A jornada até aqui foi longa e muitos obstáculos foram vencidos. Mas a maior conquista foi vencer a mim mesmo. A maior descoberta foi que acreditando em mim, eu posso ir longe. Com fé e esperança, eu posso até voar. As pessoas me carregam com o imenso amor que demonstram por mim e através das orações feitas desejando o meu bem, me levantam do chão, me empurram para frente e me permitem levitar entre as estrelas mais brilhantes.



E falando em brilho, participei da missa de formatura, para rever a galera da sala e para acalmar tantas emoções sentidas ao mesmo tempo, pois mais uma etapa da vida estava prestes a se finalizar. Lá na missa, encontrei uma amiga da sala e juntos tiramos uma foto.

O glamour ficou por conta do Baile de Gala, o evento que aconteceu no Palácio de Cristal. Tive a ilustre companhia de meus queridos convidados, que estavam super chiques. Meus pais, meus irmãos, minhas cunhadas, meus padrinhos, os padrinhos do meu irmão Caio, os padrinhos (e família) do meu irmão Bruno, meu melhor amigo e sua mãe. Se pudesse, eu convidava toda minha família e todos meus amigos, que certamente estavam todos presentes em meu coração naquela bela noite. Eu e meu pai chegamos juntos com meus padrinhos e logo procuramos nossa mesa, que estava em excelente localização, perto da Cascata de Chocolate, com ótima vista para o telão 360 graus, perto do palco e do self-service.


Deu para curtir bastante o som da banda ao vivo, que tocou música de todos os tipos e como sou eclético, cantei e dancei a maioria delas. Comi muito chocolate e bebi só um gole de álcool (momento flagrado por uma foto). De tempos em tempos, eu dava uma fugidinha para dançar perto do palco no meio do povo ou para procurar o pessoal da sala para cumprimentar, bater um papo e tirar algumas fotos. A mulherada estava toda arrumada - elas desfilavam como Divas do Oscar. A decoração do lugar era incrível, tinha espaço de sobra para dar várias voltas, as mesas estavam bem arrumadas, conseguimos ficar com uma mesa da Cascata, tinha espaço entre as mesas. Enfim, não tive nada do que reclamar. Tanto, que fiquei no baile até o sol raiar.


Eis que de repente, no intervalo de uma música para outra, ouve-se uma voz no microfone, de leve, e chama os formandos para irem na entrada. Meio perdido, procurava algum movimento suspeito para me guiar aos outros formandos. Busquei a placa com o nome do meu curso, encontrei rostos conhecidos e ao lado de minha madrinha, me juntei aos publicitários. Meio baixo, ouvíamos os formandos dos outros cursos sendo chamados, um por um. Dias antes, cada formando escolheu uma música que gosta para ser tocada no baile, no momento de chamar os nomes. Minha hora estava chegando. Uma música de fundo estava tocando. Ainda na fila, tirei fotos com meus convidados. A expectativa de ouvir minha música escolhida foi aumentando. Até que meu nome foi chamado e a música... Não tocou. Mas os aplausos carinhosos me fizeram sorrir e me emocionar. Fui olhando a minha volta e observando o brilho nos olhos de cada pessoa presente.



Em seguida, fui prestigiando a galera da minha sala. Depois, fomos aguardando até o último curso. E eu torcendo para não me dar nenhum incômodo no meio do povo, pois não teria como me arrumar. No fim, deu tudo certo. Quando vi, já estava dançando a valsa com minha querida madrinha, ao som de uma bela música e com os movimentos possíveis. Mesmo sem os passos, sem meus pés no chão, sem acompanhar a sincronia de todos, minha madrinha me fez voar com seu carinho - foi segurando suavemente minhas mãos e guiando-as na harmonia do ritmo. Acabamos dançando mais 2 valsas e o instante do vôo durou por mais tempo.



Uma música agitada começou a tocar, anunciando a hora do brinde. Cada curso juntou sua sala e várias rodas de formandos se criaram, todos com uma taça na mão. A alegria foi se tornando cada vez maior, até que as taças se encontraram e com um leve toque representavam a sensação positiva do baile. Com a mão de minha madrinha, pude voar e alcançar o gesto de comemoração das taças. Minha taça tocou cada taça ali presente, acompanhando o sorriso de cada formando. Ah! Foi tão bom compartilhar sentimentos tão especiais com meus amigos formandos, que são especiais em minha vida. Cada pessoa que conheci na sala e na faculdade, me trouxe um aprendizado e me fez feliz só por estar ao meu lado. Cada pessoa da minha família e entre meus amigos, cada pessoa presente entre meus convidados, me ensina a cada dia, o quanto a vida é bela e inspiradora. E o quão alto se pode voar, com a ajuda de cada um e com a crença em si mesmo.


Um grande abraço!


Dedico esta postagem a todos os amigos que fiz na minha sala. Todos, sem exceção, eu vejo como amigos e vou lembrar de cada um, com sua forma de ser. Aos amigos com quem convivi de perto, aos amigos que o pouco que conheci me fizeram bem, aos amigos de outros cursos, aos amigos professores e aos amigos funcionários da faculdade. Dedico a todos meus amigos, de todos os lugares. Dedico também à toda minha família, que é essencial em minha vida.