Olá pessoas,
Além da "Magia da Piscina" presente em minha vida através da hidroterapia, a terapia ocupacional (T.O.) foi muito importante para a escrita das minhas poesias. São anos de trabalho com essa terapia e para demonstrar minha evolução diante da atuação da doença, volto ao passado.
Por volta dos meus 7 anos, passei a sentir dificuldades no movimento das pernas e começei a ser acompanhado por uma terapeuta ocupacional, para corrigir as dificuldades motoras que eu apresentava. Na época, ainda andava, mas com menos facilidade. No mesmo período, descobrimos o diagnóstico de minha doença. Lembro que minha terapeuta estava ao meu lado para explicar o que eu tinha.
Em cada sessão, fazíamos diversas atividades, que para mim pareciam grandes aventuras: tinha um exercício sobre um carrinho com rodinhas, no qual me deitava em cima, de barriga para baixo e com os braços me movia (me imaginava remando para pegar uma onda); tinha outro sobre uma tábua confortável, suspensa um pouco acima do chão, por cordas na frente e atrás (ora me imaginava voando no tapete do Aladim, ora me sentia no barco descobridor dos 7 mares); tinha outro no qual era preciso caminhar sobre almofadas de formas triangular ou retangular, de tamanhos diferentes, para trabalhar o equilíbrio (nesse, me imaginava escalando a montanha); sem contar dos exercícios de deitar em almofadas e colchões com formatos diferentes, de lançar bolinhas e objetos em cestas e alvos, entre outros. Eles aconteciam na sala maior, onde aconteciam os grandes movimentos para braços e pernas.
Na sala menor, o trabalho foi mais específico para a coordenação das mãos e para o raciocínio. Quando pequeno, tive dificuldade no movimento correto dos braços e das mãos, fazia tudo meio tortinho e atrapalhado, inclusive desenhar, escrever, pintar com lápis de cor e tudo o que envolvia o uso das mãos. Na escola, era essencial saber fazer tudo isso corretamente. Meus traços no papel eram muito ruins, minha letra era garrancho, o que me deixava um pouco para trás nas atividades. Ao mesmo tempo, não conseguia compreender os problemas de matemática e os textos que precisavam ser interpretados, não conseguia me concentrar para resolvê-los e por pouco não repeti de ano em uma série do fundamental. Apesar de tanta coisa para melhorar, não desanimei e ao lado de minha terapeuta ocupacional, dei início à recuperação da coordenação e do raciocínio.

Para isso, segui um caminho de muito treino: a cada sessão, eu levava um caderno de folhas em branco. Nele, minha terapeuta desenhava pistas com muitas curvas e irregularidades e com uma caneta que treme fortemente, tinha que traçar igual, sem sair da "pista"; eu fazia vários desenhos livres colocando minha imaginação no papel; ela escrevia todas as letras do alfabeto, maiúsculas e minúsculas e depois eu tinha que reescrevê-las. Usei também um caderno quadriculado, no qual ela desenhava diversas formas, com curvas, retas, pontas e como tarefa de casa, eu tinha que copiar essas formas. Aprendi a ortografia correta de várias palavras, a fazer contas e a melhorar a interpretação dos problemas e textos, aprendi a escrever corretamente as letras com uso de caderno de caligrafia e com a caneta que treme. Além disso tudo, nós brincávamos em vários jogos de coordenação e raciocínio (memória, criar ou descobrir palavras, quebra-cabeça, montagem de peças, etc). Com alegria e entusiasmo em cada atividade, consegui seguir corretamente os exercícios, senti a importância de tudo o que fazia e depois de um tempo, conseguimos concluir os objetivos almejados.

Essa foi uma grande conquista em minha vida, obtida com muito trabalho e empenho. Quando passei a praticar esses movimentos de forma correta, fiquei super feliz. Na escola, já conseguia escrever legivelmente em letras de fôrma, bastão e de mão, sentia vontade de escrever para praticar e manter o que aprendi, desenhava com maior facilidade, melhorei meu rendimento nas aulas, venci a imensa dificuldade em matemática e passei a me dar bem em português na gramática e na interpretação de textos. Gostava de escrever nas redações, mas meu talento ainda não aparecia - isso aconteceu apenas na oitava série. Em casa, os movimentos corretos adquiridos me ajudaram bastante no cotidiano: para pegar objetos, comer, estudar e tudo mais.
Em dezembro de 2003, meus primeiros escritos foram feitos a lápis nas folhas de um caderno. As mãos ainda conseguiam escrever com letra legível e sobre cada linha das folhas. Tudo o que interpretava e refletia em minha mente, de idéias e pensamentos conseguiam se transformar em versos. O toque coordenado de minhas mãos para escrever com o lápis se transformou em um toque profundo no coração das pessoas, pela sinceridade de minhas poesias e pelo meu amor à vida contido nelas. Hoje, também consigo escrever e com mais experiência, já com o primeiro livro publicado e me conhecendo mais, é possível me abrir mais e tocar profundamente o sentimento de cada um. A terapia ocupacional foi valiosa para alegrar meus dias e permitir que o ato de escrever fizesse parte da minha vida. Me lembro sempre de todo o trabalho feito para que eu conquistasse isso tudo, com ajuda de minha terapeuta - se cheguei até aqui, foi com grande dedicação.
Dedico esta postagem à minha terapeuta ocupacional e amiga Tânia, por me ensinar tantas coisas, me ajudar e estar sempre ao meu lado!
Abraços!