quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mãos Que Tocam Profundamente

Olá pessoas,

Além da "Magia da Piscina" presente em minha vida através da hidroterapia, a terapia ocupacional (T.O.) foi muito importante para a escrita das minhas poesias. São anos de trabalho com essa terapia e para demonstrar minha evolução diante da atuação da doença, volto ao passado.

Por volta dos meus 7 anos, passei a sentir dificuldades no movimento das pernas e começei a ser acompanhado por uma terapeuta ocupacional, para corrigir as dificuldades motoras que eu apresentava. Na época, ainda andava, mas com menos facilidade. No mesmo período, descobrimos o diagnóstico de minha doença. Lembro que minha terapeuta estava ao meu lado para explicar o que eu tinha.

Em cada sessão, fazíamos diversas atividades, que para mim pareciam grandes aventuras: tinha um exercício sobre um carrinho com rodinhas, no qual me deitava em cima, de barriga para baixo e com os braços me movia (me imaginava remando para pegar uma onda); tinha outro sobre uma tábua confortável, suspensa um pouco acima do chão, por cordas na frente e atrás (ora me imaginava voando no tapete do Aladim, ora me sentia no barco descobridor dos 7 mares); tinha outro no qual era preciso caminhar sobre almofadas de formas triangular ou retangular, de tamanhos diferentes, para trabalhar o equilíbrio (nesse, me imaginava escalando a montanha); sem contar dos exercícios de deitar em almofadas e colchões com formatos diferentes, de lançar bolinhas e objetos em cestas e alvos, entre outros. Eles aconteciam na sala maior, onde aconteciam os grandes movimentos para braços e pernas.

Na sala menor, o trabalho foi mais específico para a coordenação das mãos e para o raciocínio. Quando pequeno, tive dificuldade no movimento correto dos braços e das mãos, fazia tudo meio tortinho e atrapalhado, inclusive desenhar, escrever, pintar com lápis de cor e tudo o que envolvia o uso das mãos. Na escola, era essencial saber fazer tudo isso corretamente. Meus traços no papel eram muito ruins, minha letra era garrancho, o que me deixava um pouco para trás nas atividades. Ao mesmo tempo, não conseguia compreender os problemas de matemática e os textos que precisavam ser interpretados, não conseguia me concentrar para resolvê-los e por pouco não repeti de ano em uma série do fundamental. Apesar de tanta coisa para melhorar, não desanimei e ao lado de minha terapeuta ocupacional, dei início à recuperação da coordenação e do raciocínio.


Para isso, segui um caminho de muito treino: a cada sessão, eu levava um caderno de folhas em branco. Nele, minha terapeuta desenhava pistas com muitas curvas e irregularidades e com uma caneta que treme fortemente, tinha que traçar igual, sem sair da "pista"; eu fazia vários desenhos livres colocando minha imaginação no papel; ela escrevia todas as letras do alfabeto, maiúsculas e minúsculas e depois eu tinha que reescrevê-las. Usei também um caderno quadriculado, no qual ela desenhava diversas formas, com curvas, retas, pontas e como tarefa de casa, eu tinha que copiar essas formas. Aprendi a ortografia correta de várias palavras, a fazer contas e a melhorar a interpretação dos problemas e textos, aprendi a escrever corretamente as letras com uso de caderno de caligrafia e com a caneta que treme. Além disso tudo, nós brincávamos em vários jogos de coordenação e raciocínio (memória, criar ou descobrir palavras, quebra-cabeça, montagem de peças, etc). Com alegria e entusiasmo em cada atividade, consegui seguir corretamente os exercícios, senti a importância de tudo o que fazia e depois de um tempo, conseguimos concluir os objetivos almejados.

Essa foi uma grande conquista em minha vida, obtida com muito trabalho e empenho. Quando passei a praticar esses movimentos de forma correta, fiquei super feliz. Na escola, já conseguia escrever legivelmente em letras de fôrma, bastão e de mão, sentia vontade de escrever para praticar e manter o que aprendi, desenhava com maior facilidade, melhorei meu rendimento nas aulas, venci a imensa dificuldade em matemática e passei a me dar bem em português na gramática e na interpretação de textos. Gostava de escrever nas redações, mas meu talento ainda não aparecia - isso aconteceu apenas na oitava série. Em casa, os movimentos corretos adquiridos me ajudaram bastante no cotidiano: para pegar objetos, comer, estudar e tudo mais.

Em dezembro de 2003, meus primeiros escritos foram feitos a lápis nas folhas de um caderno. As mãos ainda conseguiam escrever com letra legível e sobre cada linha das folhas. Tudo o que interpretava e refletia em minha mente, de idéias e pensamentos conseguiam se transformar em versos. O toque coordenado de minhas mãos para escrever com o lápis se transformou em um toque profundo no coração das pessoas, pela sinceridade de minhas poesias e pelo meu amor à vida contido nelas. Hoje, também consigo escrever e com mais experiência, já com o primeiro livro publicado e me conhecendo mais, é possível me abrir mais e tocar profundamente o sentimento de cada um. A terapia ocupacional foi valiosa para alegrar meus dias e permitir que o ato de escrever fizesse parte da minha vida. Me lembro sempre de todo o trabalho feito para que eu conquistasse isso tudo, com ajuda de minha terapeuta - se cheguei até aqui, foi com grande dedicação.

Dedico esta postagem à minha terapeuta ocupacional e amiga Tânia, por me ensinar tantas coisas, me ajudar e estar sempre ao meu lado!
Abraços!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Amor Diário, Diário do Amor

Olá pessoas!

Para o Dia dos Namorados, gostaria de ter escrito um texto especial, desejando bençãos não só para quem namora, para quem está casado, como também para todos que vivem de alguma forma, um grande amor (inclusive platônico), independente de diferenças. O que mais importa na vida é o amor compartilhado diariamente, mesmo que através de pequenos gestos - que na verdade são grandiosos quando o amor é sincero e a entrega de um ao outro é verdadeira. Claro que na rotina, com as responsabilidades, os trabalhos, os cursos, os estudos, os compromissos e tudo mais, a troca de carinho e palavras amorosas só podem ser demonstrados em poucos momentos do dia, nos quais as pessoas envolvidas se encontram. Mas, caso o tempo livre juntos seja generoso, o amor tem uma maior oportunidade de ser demonstrado. Já que os dias comemorativos podem representar o mês todo, aproveito para escrever um texto com toda minha vontade de ver bem todos aqueles que sentem amor por alguém.

AMOR DIÁRIO: que o amor sentido em cada dia mantenha-se alimentado, seja nas alegrias ou nas dificuldades, pois a maior força vem da união a todo momento. Que a cada amanhecer, ao olhar para o lado, possam se sentir gratos pela benção de se compartilhar a vida com alguém que se ama, de modo a transformar a correria do cotidiano em segundos e minutos preciosos - através de um olhar, um abraço, um sorriso, um beijo. O amor pode aparecer em coisas pequenas, porém recheadas de boa intenção e significado. Que as conversas (pessoalmente, por telefone, celular, internet ou até cartas) sejam instantes de paz interior e calmaria entre ambos, de ouvir a voz um do outro e se sentir seguro, confortável, além de sentir a presença do amor em suas vidas. Que as situações difíceis, os medos, as angústias possam ser vencidas com palavras amigáveis, de forma a falar e ouvir todos os lados possíveis, que os sentimentos quanto às adversidades sejam revelados na hora que ocorrem, para que não sejam guardados para si. Acredito que tudo pode ser resolvido com uma boa conversa, onde a união precisa estar presente independente do que aconteça pela frente. Só conversando e convivendo é que se pode conhecer uma pessoa, mesmo quem está junto por vários anos, ainda é preciso continuar conversando e convivendo com essa pessoa, pois ainda há o que conhecer dela e aprender com ela, hoje e sempre.


DIÁRIO DO AMOR: do passado, vale a pena lembrar dos instantes de amor e alegria vividos, vendo as dificuldades como aprendizado e a aceitação das diferenças um do outro como uma conquista valiosa. Do presente, o amor necessita estar acima das atividades diárias, por ser a essência da vida abençoada, devendo predominar sobre o estresse e a ansiedade do dia-a-dia, valorizando cada encontro de amor ao máximo - em cada momento de união, os sentimentos podem ser totalmente abertos e os gestos de amor fortemente presentes. Do futuro, o que será colhido será o amor plantado nos corações, pois é a presença do amor que fará com que o futuro seja de união, alegria, aprendizado, respeito, generosidade e as melhores emoções.

DIÁRIO DO AMOR PLATÔNICO: pode ser correspondido e unir pessoas. Caso não seja, continua sendo uma forma bonita de amor, pois o amor de uma pessoa por outra, renovado a cada dia, é como se existisse uma inspiração especial para se viver, é como se desejasse ver alguém todos os dias para amar esse alguém secretamente. Ou até, esse amor pode ser declarado para uma pessoa, mas receber de volta apenas amizade e o amor continuar. No caso de amor platônico, desejo que não se tenha vergonha de viver um amor secreto e não correspondido, que o aproveite como incentivo para viver, que ame ao máximo para conhecer a si mesmo, para praticar atitudes amorosas e assim praticar a bondade, fazendo o bem à pessoa amada.

Desejo a todos que preencham seus corações com amor diariamente e que esse amor mantenha-se com vontade de viver e de durar por muito tempo. Que a união se faça por meio de companheirismo, sinceridade, cooperação e amizade. Pessoas que se amam precisam a cada dia demonstrar esse amor, independente da correria, e cada encontro pode ser uma inspiração para que cada um, à seu modo, sinta vontade de compartilhar o romantismo e os sentimentos dentro de si. Desejo que todos sejam muito felizes!

Abraços

terça-feira, 1 de junho de 2010

Novidades Poéticas

Olá pessoas,
Senti saudade de vocês durante este tempo longe do blog. A partir de abril, meus dias ficaram super corridos, principalmente por causa do meu TCC - acabou não dando para atualizar o blog como gostaria. A cada dia, senti vontade de escrever algo, mas realmente não foi possível, foi como desejar uma coisa e não poder realizar (pelo menos naquele momento).

Para colocar a conversa em dia, gostaria de compartilhar algumas novidades que aconteceram, mesmo na correria da rotina, que foram incríveis.
ABRIL







No dia 17, fomos à São Paulo para conferir a Feira Reatech, em busca de algum produto para facilitar o dia-a-dia, além de querer reencontrar amigos. O legal desta feira é que nela vi várias pessoas com deficiência, como se fosse uma cidade nossa - foi uma ótima sensação, pois me deixou ainda mais à vontade para curtir o momento. De lá, seguimos para o Shopping Paulista, no bar Mr. Jack´s, onde nos juntamos ao pessoal que acompanha o blog "Assim como você" (do Jairo), para comemorar os 2 anos de blog. Lá, reencontrei vários amigos, conheci novos amigos, bati um papo com alguns, teve discurso emocionante, teve um delicioso bolo, teve parabéns ao blog e ao Jairo e no fim, uma foto com vários cadeirantes que parou o shopping. Depois, fomos rumo à Sorocaba para visitar os padrinhos do meu irmão Bruno, grandes amigos de nossa família, para saber como todos estavam e saber das novidades.

No Dia do Índio (19), completei 21 anos de vida. Para mim, é sempre uma data marcante para refletir, para pensar sobre tudo - fazer 21 anos é entrar numa nova etapa do caminho. Refleti principalmente sobre a responsabilidade de minhas escolhas, a consciência de meus atos, enfim, a capacidade de decidir diante das várias dificuldades. Dia de aniversário também é emocionante, pois os recados, mensagens e ligações que recebemos são de imenso carinho, com palavras sinceras, capazes de nos colocar para cima. Me senti feliz com todos os parabéns que recebi. Ainda nesse dia, antes de ir para a faculdade, rolou um bolo para celebrar o momento, ao lado de meus pais, meus irmãos, minhas cunhadas, meus padrinhos e a filha deles (que me deram um presente bem bacana. Na última aula da faculdade, três amigas me prepararam um presente incrível: um cartaz com recadinhos de todos da sala e também de outros amigos - as palavras escritas foram muito bonitas e me emocionaram, me deixaram super feliz.

No domingo do dia 25 foi aniversário do meu tio (irmão do meu pai) e para comemorar, fizemos um churrasco em casa, que também comemorou o aniversário do meu irmão Caio. Várias pessoas estiveram presentes e apreciaram um ótimo churrasco. O ambiente ficou bem animado, com muita conversa, com bolo e muitos motivos para sorrir.


No dia 29, a convite do Evandro, gravamos a entrevista do Programa VIVA! na minha casa. Ele e sua equipe de produção me visitaram e resolvemos filmar com a lareira ao fundo. Foi um ótimo momento, um bate-papo entre amigos, onde procurei passar boas mensagens às pessoas.

MAIO
No dia 5, Dia das Mães, a comemoração foi em família, com um estrogonofe para saborear e uma flor de presente para minha mãe. Na manhã do mesmo dia, a entrevista com o Evandro foi ao ar e acordei cedo para assistir, gostei muito. Alguns dias depois, o video da entrevista ficou disponível no blog do programa - para assistir, clique aqui.

No dia 15, estive presente no casamento de uma prima, que foi ótimo. A cerimônia foi bem bonita, com boas músicas, boa decoração, tempo bom e os noivos estavam muito chiques. Meus pais foram padrinhos no casamento.
No dia 20, foi publicada uma poesia que escrevi para o blog "Assim como você", em homenagem aos seus 2 anos. Fiquei feliz pelo convite que recebi do Jairo para participar da semana de surpresas que aconteceram em seu blog. Coloquei na poesia tudo o que sinto e tudo de bom que recebi seguindo o blog. Para ler a poesia, clique aqui.
Na sexta passada, fui com meu irmão Bruno e minha cunhada Leandra assistir ao show do Jota Quest. Chegando lá, encontrei meu amigo Rodrigo e acabamos assistindo o show ao lado de outras pessoas com deficiência, de frente para o palco e bem perto dos integrantes da banda. O show durou bastante, com muito agito e alegria nas músicas, empolgação da platéia e muita dança. No final do show, o vocalista Rogério Flausino tocou na mão de todos nós que estávamos na frente e jogou a palheta do seu violão para os fãs. O Rodrigo pegou e me deu de presente. Guardei comigo a palheta e até mostrei para algumas pessoas. Tentamos tirar foto com a banda, mas ela foi embora rápido, não deu tempo.

Volto com novas postagens!

Abraços