terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Bem-vindo ao Novo Ano

Olá pessoas!

O Novo Ano se aproxima de nossas vidas. Ele simplesmente vai passando até chegar bem perto de nós e virar o presente de cada dia. O tempo age e nunca pára, seguindo em frente e sem voltar, sem esperar que nos preparemos para as novidades que estão por vir. Mas aproveitando este clima de celebração da vida, de maior sensibilidade para as emoções, de reflexão sobre o ano que está acabando, a melhor opção é ver com positividade o futuro. A virada do ano pode acontecer com alegria e abertura total do coração para o amor.

Quando estamos no primeiro dia do ano, é como se ganhássemos um livro em branco e tivéssemos de completá-lo ao longo de suas 365 páginas, ou seja, de todos os seus dias. É este espírito que pode e deve transformar nossa essência, renovando o estoque de energia e de esperança para dias melhores.

Se o ano de 2009 terminou bem, com sensação de dever cumprido e com felicidade, por que não começar o 2010 agradecendo pelas bençãos? Quando estamos bem, tudo acaba fluindo naturalmente, o pensamento positivo predomina e conseguimos encarar as dificuldades de frente, com força total. Aí é que o caminho se abre para que busquemos a evolução espiritual, procurando lidar com a vida em forma de aprendizado, onde cada momento gera lições valiosíssimas. O aprendizado se torna ainda melhor quando passamos a agradecer pela nossa vida, por tudo o que faz parte dela, quando passamos a colocar honestidade, humildade e dignidade em nossa alma, tanto nas palavras que expressamos como nas ações que praticamos.

Se o ano de 2009 não acabou tão bem, de modo desanimado e sem sal, por que não desabafar as dores e recomeçar? Podemos nos inspirar no significado da Virada e transformar pensamentos negativos em positivos. Podemos procurar no fundo de nosso coração, aquela força extra e usá-la para iniciarmos do zero e construirmos uma vida equilibrada. Nas horas de dúvida e medo, lembremos que o amor divino é poderoso e digno de grandes vitórias. Podemos confiar em nossas capacidades, absorvendo todo o carinho das pessoas à nossa volta, que nos enviam sempre boas vibrações e nos dão a mão naqueles instantes em que caímos - nos levantam e nos confortam.

Abaixo, compartilho com vocês um texto que escrevi com minha mãe, Marli Cassiano (http://www.otempoqueexisteemnos.blogspot.com/). Este texto representa com toda sinceridade, o que desejo a cada um de vocês, que tornam os meus dias emocionantes.


Que a chegada do próximo ano aconteça com infinitas possibilidades e que tenhamos sabedoria para escolher as melhores. APRENDER...
Que cada uma dessas escolhas nos transformem em pessoas melhores, mais humanas, capazes de perdoar. ASCENDER...
Que as pequenas bençãos diárias sejam milagres, já que o maior dos milagres é a própria vida. AGRADECER...
É encontrar na felicidade ou na dificuldade o presente eterno enviado por Deus... A celebração da fé inabalável do nosso Cristo interior.
Que todos tenham um Ano Novo Iluminado.

Felicidades e Boas Festas!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O Dia da Renovação

Todo ano tem começo, meio e fim. Nos primeiros meses, planejamos realizar tantos sonhos e desejos, em busca de uma vida ainda mais feliz. Quando se vê, o meio do ano chega e refletimos sobre os imprevistos que surgiram, adiando alguns projetos de nosso interesse. As férias de julho recuperam nossas energias para novos desafios e conquistas. Na reta final do ano, a rotina se torna corrida, acumulando tantas questões que ficaram de ser resolvidas. Isso nos deixa bem cansados e não nos permite viver muitos momentos ao lado de quem amamos.
Após vencermos o acúmulo de responsabilidades, usando a grande força interior, conseguimos encontrar a luz. É a hora das férias e festas de fim de ano.
Finalmente surge a oportunidade de falarmos com quem amamos. A tradição de comemorar datas tão belas e divinas é o convite certo para o amor. Esta é a chance para unirmos nossas vidas em forma de benção e assim aproveitarmos para demonstrar o que sentimos a cada um. Vamos adotar esta idéia, não adiar mais a expressão da nossa admiração e carinho pelas pessoas que fazem parte de nossa vida. Vamos deixar de lado as diferenças, as opiniões contrárias, os julgamentos injustos e o orgulho que às vezes nos impede de abrir o coração nas datas especiais. Lembremos que o ato de manter uma só voz na celebração, nos ensina que “unidos temos mais força, mais amor e mais crença na superação".

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Meu "eu robô"

Olá pessoas!

Contatos iniciais com o meu "eu robô"

Como falei nos textos anteriores, atualmente uso uma cadeira de rodas "elétrica", ou melhor dizendo, motorizada. Tudo começou no ano de 2004, quando meu corpo exigiu algumas adaptações para cadeira. O momento era de inovação: já que teríamos de trocar a cadeira por um novo modelo e eu já não conseguia me locomover com a normal, decidimos aproveitar o embalo para adquirir uma cadeira que se move com o clicar dos botões. "Freedom", palavra que nomeia a cadeira e para mim foi justamente seu significado que passei a usufruir - liberdade, independência, autonomia. Minha era robótica havia se iniciado a partir daquele ano.


Me transformando em "robô"

Por eu presenciar uma transição em minha vida, de um modelo de cadeira sem adaptações e com minha posição acomodada, para um outro adaptado, confesso que não passei a usar rapidamente quando estava com a novidade em casa. Nos primeiros meses, meu corpo não conseguia se moldar na postura correta da nova cadeira e ainda não estava pronto para sair por aí dirigindo que nem doido. Primeiramente, usava só dentro de casa. A minha cadeira motorizada é controlada por um "joistick" - um controle direcional - e pelos botões de "liga/desliga", "turbo" (esse botão uso só de vez em quando) e por um que chamo de "liberar" - serve para quando tiver um obstáculo difícil e precisar de alguém, permitindo que seja mais fácil empurrar a cadeira. Acontece que nas primeiras voltas, o movimento vai sendo feito aos "trancos e barrancos", pois o controle direcional é sensível e qualquer força a mais com a mão se torna radical. O toque tem que ser de leve, coisa que só aprendi com a prática. Passei a praticar as manobras básicas no quintal de casa, onde inventei um caminho imaginário de curvas e retas para descobrir a velocidade correta, para desviar de obstáculos, para dar ré, para descer e subir rampas, etc. Todo dia, dava pelo menos uma volta no circuito invisível que criei. Até então, o treino foi no quintal vazio, sem pessoas passando por perto.

Riscos, marcas de pneu, lascas de madeira e cia

É claro que um "robô" no dia-a-dia é difícil de se manter sem que haja algum risco na parede ou nos móveis. Dentro de casa tenho que estar atento às curvas e portas mais apertadinhas, à proximidade dos objetos, ao espaço para manobrar, ao meu cachorro que deita a qualquer hora e em qualquer lugar. Deixei muitas marcas de pneu nas paredes, tirei lascas de madeira de alguns móveis, estraguei a proteção de borracha na mesa que vem junto com a cadeira, passei por cima de tênis, sapatos e chinelos. Sendo "robô", também sofri panes no sistema e tive de substituir peças por novas. Uma vez um dos pneus foi furado por uma tachinha danada - como foi no ensino médio, na escola, tachinha era o que mais tinha - num dia no qual estava fazendo um trabalho extra, para atender um grupo de alunos de outra cidade e acabei sendo liberado pela falta de um bom pneu. A pane aconteceu na faculdade, em plena chuva de verão, momento em que entrou água no controle, deixando os botões doidos, fazendo tudo ao contrário: o comando para trás movia a cadeira para frente e vice-versa. No fim das contas, o controle voltou ao normal. Em relação à atropelamentos com a cadeira motorizada, pouquíssimas vezes ocorreu alguma trombada ou passada por cima do pé de alguma pessoa. E nunca foi por maldade - talvez desatenção ou reflexo rápido mas não o suficiente para desviar de alguém. De qualquer forma, sempre piloto com atenção, observando qualquer passo a mais de quem estiver a minha volta, que possa causar algo de errado.

Novos horizontes

Em 2005, passei a usar minha cadeira motorizada não só em casa, mas também durante as aulas na escola. Na minha estréia robótica, a galera da sala tinha reparado na novidade, mas tiveram certeza da mudança na hora em que com o simples toque no botão, me locomovi através da cadeira. A partir daí, o contato do meu "eu robô" com as pessoas se tornou cada vez mais frequente. Nas semanas iniciais, entrava direto na sala, sem me arriscar nas rampas e obstáculos que existiam na escola. Com o tempo, percebi que dava sim para ficar do lado de fora da sala com os amigos e outros alunos. Estava muito bem treinado para isso. Claro que com gente perto, a atenção tem que ser redobrada. Geralmente eu estacionava ao lado de um banco mais tranquilo, aguardando a chegada do pessoal. Era um dos primeiros da sala a chegar. Até que tocava o primeiro sinal e era hora de partir, pois alguns alunos começavam a ir para suas salas. Mas no segundo sinal, a muvuca era geral, muita gente se aglomerava perto da entrada, coisa que um "robô" não se sente à vontade. Dependendo do andar onde estudava, precisava subir as rampas de um nível para outro, muitas vezes tinha gente subindo do meu lado, diminuindo o espaço físico para a subida - costumava ficar no canto direito, para facilitar a curva e seguindo sempre em linha reta. Para descer era mais fácil, mas tinha que ir com velocidade reduzida para não ir com tudo na descida, sem contar que no final das rampas, a chance de de repente aparecer alguém era grande. Com o tempo, a escola foi criando acessibilidade que facilitava para um cadeirante robótico e isso me ajudou muito - certamente ajudará os próximos cadeirantes que estudarem por lá. A iniciativa que mais me encantou foi a Mega Rampa que fizeram para o acesso à biblioteca, que antes só era possível por meio de escadas que davam para um andar abaixo. Realmente senti a impossibilidade de entrar na biblioteca, pois para alugar livros, alguém precisava fazer isso por mim, mesmo eu tendo liberdade com a cadeira motorizada. Foi difícil não conseguir pegar livros de meu interesse por causa de um grande obstáculo. Bom, mas o dia em que a rampa estava liberada para minha primeira visita à biblioteca, foi emocionante, senti a alegria de mais uma possibilidade aos estudos, gravei o cenário de mais um lugar na mente. Me tornei um grande visitante do lugar, aluguei vários livros, consegui acompanhar meus amigos nos trabalhos feitos na concentração e silêncio da biblioteca. Enfim, foi muito bom.

Liberdade de lazer e entretenimento

Minha vida robotizada não parou por aí. A autonomia que conquistei, me abriu literalmente novas portas, inclusive para meu lazer e entretenimento. Isso me permite sair de casa, ir ao teatro, ao cinema, aos eventos, ao shopping, entre tantos outros lugares. No teatro, me deixam e me buscam sem preocupações, me oferecendo oportunidade de me divertir com as peças e ainda no final, poder tirar foto e conhecer grandes atores dos quais sou fã. No cinema, posso eu mesmo escolher em que lugar ficar, entrar e sair ao lado dos amigos ao invés de na frente de algum deles, que estaria me empurrando. Nos eventos, é possível ir naquela obra que me chama atenção, de forma natural, podendo olhar com tranquilidade cada atração, me envolvendo profundamente com cada evento, com o espaço em que acontecem. No shopping, igualmente. Há facilidade para eu rodar por todas as lojas, olhar as vitrines e se possível entrar nas lojas, ir para um canto mais reservado ou cheio de gente, ir na praça de alimentação, comprar alguma coisa, enfim, aproveitar como todos. Shows também passaram a fazer parte da minha lista de diversão, a partir da ida ao show da minha cantora preferida, Ivete Sangalo, que me surpreendeu pela oportunidade de entrar no camarim, ao lado de minha família e ficar uns 10 minutos conversando com a minha ídola. O meu "eu robô" permitiu tudo isto: um conjunto de possibilidades positivas para viver.

Meus "eus"

Quando sou "robô", preciso carregar as baterias, ser "desmontado" para caber no carro, usar a mesa da cadeira, evitar água de chuva ou de qualquer outra fonte, encontrar rampas e obstáculos fáceis de serem vencidos, ligar ou desligar, dar um turbo para rodar mais rápido, "liberar" a cadeira para me empurrarem, mover o botão direcional no rumo que desejar, - frente, trás, direita e esquerda - trocar os pneus e outras peças.

Quando sou "eu mesmo", a alma que guia minha vida, uso o motor da cadeira para ir atrás de sonhos, de lugares, de momentos especiais e para estar ao lado dos meus queridos amigos e da minha querida família. Junto disso, as emoções vão me acompanhando, me fazendo sentir como independente e liberto para voar, quer dizer, rodar pela imensidão de possibilidades. Ser livre para aproveitar cada momento e poder ter uma auto-realização é algo que não tem preço. Melhor do que ter bateria para me locomover aonde quer que eu esteja, é pensar com o coração de que maneira usarei essa dádiva para aproveitar o amor que existe ao meu redor, estando presente nos instantes mais propícios a qualquer forma de se amar uns aos outros.


Quando sou os dois "eus", a cadeira e seu sistema (com botões, fios, motor, circuito) fazem parte do meu corpo. Uma curiosidade bacana é que como pessoa com deficiência que sou, que possui um novo olhar sobre uma cadeira de rodas e de um sentir mais profundo dos toques, consigo sentir quando alguém toca na cadeira, parecendo que o toque foi em mim. Quando uma pessoa interage com minha cadeira, ao passar levemente as mãos sobre minha mesa (por exemplo), a sensação é que ela está presente no momento, que está envolvida no que tenho a dizer, enfim, compartilhando vibrações positivas comigo.

Ter uma cadeira motorizada é muito mais do que me locomover - é ter autonomia e asas para simplesmente, tentar aproveitar ao máximo tudo aquilo que a vida tem a me ensinar e me emocionar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Progressão no corpo, progresso na alma

Olá pessoas!

Faz mais de um mês que não passo por aqui para compartilhar algo com vocês, meus queridos leitores. Senti muitas saudades. Por vários fatores acabei não criando a oportunidade de escrever sobre algum assunto. Estou renovado para novos textos e espero recuperar o ritmo para escrever com maior frequência. Hoje o tema será profundo: a relação entre a progressão da minha doença - a Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), cuja ação causa a degeneração do tecido muscular - e o meu progresso como pessoa, como ser que constantemente aprende com sua vida.

Como descrito nas linhas anteriores, a DMD se caracteriza por ser progressiva, ou seja, sua ação vai evoluindo ao longo dos anos e degenerando os músculos, dificultando seus movimentos. Isso torna minha vida uma aventura, pois de tempos em tempos, é preciso parar e pensar em como resolver barreiras novas que vão surgindo. Na minha infância comecei a ter dificuldades para andar e fazer algumas outras atividades simples para as outras crianças. Pela experiência do cotidiano, passei a perceber que ficava um pouco "para trás" em qualquer exercício físico. Até então, somente minhas pernas sofreram com a progressão. Quando vi, já estava usando uma cadeira de rodas, quando vi meus braços enfraqueceram e nem movimentar a própria cadeira conseguia. A dependência aumentou, os desafios se multiplicaram, a acessibilidade nos lugares usando os pés se transformou com as rodas.

O tronco do meu corpo virou progressivo, me obrigando a procurar melhores adaptações para frear o ritmo contínuo de adversidades. No meio disso, a cadeira de rodas motorizada foi uma vitória, me dando oportunidade de voar, ou pelo menos planar acima do chão - metáforas de lado, ganhei um pouco mais de autonomia. Para segurar a gravidade que lutava contra mim, contei com as adaptações específicas para minha necessidade naquele instante. Contei com outra surpresa (pois mesmo sabendo que o futuro me reservaria obstáculos, não me sentia antecipadamente preparado para enfrentá-los e quando chegavam, apenas após assimilá-los eu encontrava a força): os pulmões foram afetados na capacidade pulmonar, levando-me àa trabalhar a respiração. Quase que simultâneamente, coletes para segurar a postura estavam em fase de medidas e testes. Depois, meu pescoço pareceu estar com um parafuso a menos: sustentar a cabeça ficou difícil, necessitando de um encosto de cabeça na cadeira. A segunda reforma geral na cadeira, surgiu em busca de manter a postura da coluna e de todo o tronco por meio de um novo colete, dessa vez mais moderno, além de ser frente e verso. Novas órteses para reposicionar os pés, assento novo, estrutura nova. Tudo graças a uma amiga muito especial que me presentou com as novidades em adaptações - nunca deixo de agradecer quando lembro deste maravilhoso gesto.

Agora, cá estou eu seguindo em frente com minha cadeira motorizada, procurando viver sem ter a vergonha de tentar ser feliz. Minha dependência de outras pessoas vai aumentando com o tempo e as opções de atividade exclusivamente sozinho vão se reduzindo. Junto à essa progressão, a atrofia do corpo se faz presente: as pernas não esticam, os dedos precisam de exercício para manterem suas extensões - isso interfere na minha própria tarefa como poeta, a de escrever, onde o toque direto no papel, da escrita rascunhada feita à lápis, cheia de rabiscos nas folhas, toda desorganizada, mas que no final de tudo se tornava uma obra pela qual sempre sentia carinho. Ainda sinto esse carinho, mas a eficiência no teclar dos botões computadorizados predominou e desde então, uso mais o teclado para digitar praticamente tudo, inclusive minhas próprias poesias. Até quando vai durar este período mais neutralizado em que me encontro? Não sei. É um mistério. Sei que algo pode aparecer daqui para frente. Espero que não, mas conviver com a palavra progressão é uma grande luta.


Mas se estou aqui contando esta história verdadeira para vocês, em um blog que criei no começo deste ano (que era um sonho antigo meu, confesso), é porque existe algo dentro de mim que me mostra o caminho. É o progresso da minha alma. Trata-se da transformação do meu ser, da troca de experiências que a cada momento, me faz uma pessoa melhor, mais de bem com a vida, mais do bem, mais confiante, mais forte, mais... aprendiz. Na infância, já fui tímido a ponto de me cumprimentarem e eu não retribuir; já fui anti-social e solitário - mas mesmo assim tive amigos muito especiais. Na adolescência, já fui rebelde com algumas coisas, já procurei prazer na comida, tanto que engordei muito - mas depois emagreci e encontrei um melhor sentido para a vida. Já fui um adolescente que não sabia perder nos jogos, já cometi erros que não pude reparar, já tive uma época em que xingava, em que dizia palavras duras. Durante esse período, aproveitava a vida em certas coisas, mas ao mesmo tempo, desistia frequentemente, até tentava escondido, rezar por um milagre, colocando os pés no chão e tentando levantar em um passe de mágicas, mas claro que não dava certo. Isso tudo que escrevi, muita gente não sabe. Nem sempre fui a pessoa bondosa que sou hoje. Relativamente não faz tanto tempo assim que me tornei alguém com bondade no coração. No passado, fui um adolescente que tinha uma baixa auto-estima por mim mesmo. O progresso que tive na alma foi aparecendo a cada ano, a cada luta que tinha que fazer para continuar seguindo em frente. Apesar das recaídas e dos acidentes de percurso, algo me fazia acreditar na vida. Na infância, na adolescência e na minha juventude, eu era movido pelo amor - aquele amor de um menino por uma menina, de um adolescente por uma garota, eu amei tanto que todo dia, acordava alegre só para ver cada amada, só que de forma secreta.

Enquanto o corpo sofria, minha alma foi descobrindo cada vez mais o amor e progredindo sua essencia mais profunda. Até que chegou um belo dia, no qual o amor que sentia me transformou em um quase poeta, que escrevia tipo uma vez por ano. Surgiu uma nova paixão, que se tornou musa das minhas primeiras poesias. Aí a frequência com que eu escrevia virou mais um progresso em minha vida. O amor me abençoou com um talento que na época eu fazia inocentemente por hobbie. Mas as poesias não foram só isso, elas eram a fonte de minha força (e sempre serão), pois quanto mais eu colocava para fora o amor, melhor eu me sentia, melhor eu me conhecia, melhor eu me descobria, melhor eu transformava minha auto-estima. Isso tudo foi me conduzindo para outro tipo de amor: o amor incondicional, desejando não só o bem das minhas paixões, mas também de todos ao meu redor. Passei a me inspirar na própria vida e em como ela possui um amor imenso. O amor me mostrou que eu poderia deixar de ser egoísta somente com meus problemas, por maior que eles fossem, e ajudar ao próximo da mesma maneira que sempre fui ajudado. A cada ajuda que oferecia, em troca me sentia melhor ainda e aprendia o quando é bom praticar o bem. A partir daí, o amor foi se multiplicando em novas palavras no meu vocabulário - bondade, humildade, honestidade, generosidade, perdão, servir, dignidade, simplicidade, sinceridade, carinho, respeito, companheirismo, gentileza, entre tantas outras muito especiais.

Unindo esses amores, o pelas musas e o pela vida, o progresso na alma foi se tornando cada vez maior. Na mesma proporção que a progressão foi agindo, o progresso no meu interior foi se formando, resultando na pessoa que sou hoje, que aprende com seus erros, que aprende independente do tempo estar bom ou ruim, que busca evoluir espiritualmente, que luta para realizar os sonhos... Que ama muito todos que fazem parte de sua vida, que ama muito toda sua família, que ama muito todos os seus amigos (os que convivi, os que convivo e os que conviverei).


Maior do que todas as dificuldades, maior do que qualquer coisa que seja progressiva, maior do que tudo o que acontece com meu corpo, maior que qualquer vontade desistir, é o progresso que constantemente vai se acrescentando dentro de mim. Meu coração sempre estará aberto para que entre tudo de bom e de sábio que a vida me reservar, através de lugares, momentos e pessoas inesquecíveis. Ser sábio é lembrar que sempre estamos em processo de aprendizado, até o final de nossas vidas.

Logo menos, volto com mais textos bacanas.

Um grande abraço!

sábado, 8 de agosto de 2009

Até nós a alegria vai quando estamos com nosso pai

Olá pessoas!
Hoje a homenagem vai para os pais. Os pais que são mais sutis na demonstração de amor, mas sabemos que eles sentem tantas emoções no coração. Em mente, vem aquela famosa cena de quando aprendemos a andar de bicicleta, sem as rodinhas: momento esse em que tiramos os apoios laterais da bicicleta, para contar com o apoio dos braços de nosso pai, nos segurando firmemente, nos incentivando, nos dando confiança e dando aquele empurrãozinho para andarmos sozinhos, sem rodinhas e de forma independente. Outra cena é aquela do famoso desmaio de alguns pais durante o parto, que se envolvem tanto com o belo instante. Existem alguns que não choram na frente dos filhos, mas sabemos que ficam super felizes com nossas conquistas.
Os pais demonstram um carinho pelos filhos e ao mesmo tempo mostram uma vontade de protegê-los. Eles são firmes em suas palavras e ensinam grandiosos valores da vida, como ter humildade e honestidade. São brincalhões, principalmente durante nossa infância e quando crescemos, nos dedicam um imenso respeito, orgulho e admiração. E eles sabem que são vistos pelos filhos desta mesma forma. E é por isso que amamos nosso pai. Feliz Dia dos Pais para todos os pais do mundo e desejo um sincero abraço para vocês.
Dedico esta poesia para meu querido pai, Rui. Na verdade, esta poesia escrevi inspirada nele, que escrevi para ele, com exclusividade, para colocar em palavras o amor que sinto por ele. Até hoje ele cuida de mim, me ajuda para tanta coisa, realiza meus pedidos de todo o dia... E sua presença é essencial na minha vida não só por isso, mas por também fazer tudo isso com grande carinho e emoção verdadeiros, por me ensinar tantas lições e por ser tão legal comigo.
Mas essa poesia dedico também a todos os pais e desejo que meus sinceros versos possam trazer ainda mais luz em suas vidas. Parabéns para todos os pais por este dia.

“Pai, juntos a gente vai”

(Fábio Cassiano)

Sua presença na minha vida é essencial,
Há muito tempo tem me ajudado bastante:
Em tudo o que preciso, por tempo integral,
Além de força, fazendo companhia constante.

Você é um super-pai, com especiais funções,
De motorista, guarda-costas, enfermeiro
Conselheiro, companheiro das emoções
E pai, que por dentro, possui amor verdadeiro.

Muito mais do que seu omelete delicioso,
Muito mais do que nosso passeio pela cidade,
Muito mais do que cada evento maravilhoso;
Seu exemplo é de vida, luta e honestidade.

Não sei o que o futuro pode nos reservar,
Mas sei que estará do meu lado, literalmente...
Sei que “pai e filho” é algo que vai se conservar,
Por muitos anos e pelos momentos da gente.

Hoje, preciso e dependo de você para viver,
Pela sua ajuda sou profundamente grato,
Com você posso sair, posso estar e ser...
A união nos faz mais fortes – é um fato.

É tão bom seguir ao seu lado, meu pai,
Onde juntos vivemos grandes aventuras
E pela frente as viveremos muito mais;
Na vida vamos fazendo novas pinturas.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Na Companhia do Cavalo

Olá pessoas!

O uso da cadeira de rodas é essencial para as pessoas que têm alguma deficiência capaz de impedí-las de se locomoverem na posição em pé. A presença da cadeira é tão importanate que pode-se dizer que é quase parte do corpo. Falo quase pois tem horas nas quais a troca da cadeira por um sofá ou por uma cama se faz necessário por conta das escaras - feridas no corpo ocasionadas pela permanência numa mesma posição. A cadeira é o nosso transporte, onde vamos em uma roda e voltamos em outra, os nossos passos são dados pelos pneus, que tocam o chão. A cadeira é a nossa opção confortável para sentar, pois isso é feito praticamente o dia todo. A cadeira nos permite viver no cotidiano, saindo de casa, passeando, fazendo as mais diversas atividades de casa, o trabalho, o estudo, a própria vida. Se lutamos para conquistar nosso espaço, a cadeira está do nosso lado (ou melhor, abaixo de nós, atrás de nós, carregando-nos para lá e para cá), pois faz parte de nós, que também estamos do lado dela, desejando que haja acessibilidade suficiente para ela e consequentemente, para nós mesmos. Por isso, para comparar a cadeira de forma reflexiva, em minha mente veio "cavalo".

Aos 12 anos, ganhei meu primeiro cavalo. Na época, sentia muitas dificuldades para me locomover e tinha que ser carregado no colo ou de alguma outra forma para ir a algum lugar. Era uma sensação estranha ser carregado, o que incomodava um pouco: tinha que estar com o corpo no alto, sem tocar no chão, os passos que me levavam me mantinham balançando no ar, meu peso fazia tremer os braços firmes que me seguravam e eu ficava olhando o chão distante de mim. Mesmo novo, sabia que dali pela frente, minha vida mudaria. Até que chegou o dia no qual fui para São Paulo conhecer meu primeiro cavalo. Ele era de uma raça mais simples, sem tanto luxo, confortável; o objetivo era um modelo "para sentar", ser meu companheiro e me levar por todos os cantos. Já saí da loja montado nele e me adaptando às rédeas para guiá-lo para onde eu desejava ir. Ou seja, como havia força no braço, eu passei a aprender a girar a roda de trás para movimentar a cadeira.

Posso dizer que fui cavaleiro ao conduzir meu cavalo e ao mesmo tempo, em situações com falta de acessibilidade ou lugares repletos de obstáculos, precisava de alguém para guiá-lo por mim, na frente, mostrando o caminho. Em outras palavras, empurrando a cadeira, empinando-a ao longo dos degraus, desníveis, rampas bem inclinadas e qualquer outra superfície irregular. Para me colocar no cavalo, sou totalmente dependente de uma ajudinha. Dois anos depois de ganhar meu primeiro cavalo, passei a sentir dificuldades em movimentar meus braços e com isso, já não podia mais cavalgar sozinho no cavalo. As aventuras secretas, os momentos de Zorro, as horas de independência, compartilhados entre eu e ele, passaram a contar com novas mãos, novos braços.


Em 2004, fui à Campinas, onde conheci meu segundo cavalo - o Liberdade. Naquela oportunidade, o objetivo não era apenas um cavalo "para sentar". Era muito mais do que isso. Eu precisava corrigir a postura da minha coluna e me sentar melhor no cavalo. Era o momento de usar equipamentos para montar nele, de modo a melhor me sentar e com conforto: colocamos sobre ele a sela (o assento para montar), os estribos (peças para encaixar os pés, apoiando-os para dar comodidade), as rédeas que dão um rumo para o cavalo, entre outros. A sela representa o assento da cadeira, que deve ser firme para sustentar e ao mesmo tempo mole para um sentar agradável. Os estribos representam o apoio para os pés numa cadeira, o qual deve alinhá-los e posicioná-los. As rédeas no caso, representam os fios da cadeira motorizada, responsáveis pela minha volta à independência na montagem sobre o cavalo. Tive que aprender a andar com a nova cadeira, que até hoje faz parte da minha vida.

No final do ano passado, uma amiga me presenteou com novos equipamentos para meu cavalo e para mim também. Para minha cadeira, um novo assento, um novo encosto para a cabeça e para mim uma bota hípica para montar melhor (ou seja, uma órtese para colocar meus pés numa boa posição e bem apoiado na cadeira) e um colete para segurar meu tronco em uma boa postura.

A cadeira e eu. Eu e a cadeira. Somos inseparáveis. Dependo dela para viver no dia-a-dia, preciso dela para tudo. Ela depende de mim para se mover, pois necessita dos comandos do controle. Já caí da cadeira algumas vezes e doeu muito, já virei junto com a cadeira, bati a cabeça e fez um galo enorme. Já fiquei molhado junto com a cadeira durante chuvas. Já realizei sonhos com sua ajuda. Já vivi bons momentos em cima dela. Já vivi momentos difíceis também... A qualquer instante, estarei na companhia do cavalo - a minha cadeira de rodas.

Não sei se acertei na comparação, mas tentei abordar o assunto de uma forma diferente. São pequenas metáforas, pois nunca tive um cavalo, mas a cadeira de rodas eu uso desde os 12 anos até os dias de hoje.

Abraços!

domingo, 26 de julho de 2009

20 anos joseense e 242 anos de São José dos Campos

Olá pessoas!

Hoje é um dia muito especial: o aniversário da minha querida cidade, São José dos Campos. Ela foi o palco de minha vida ao longo dos meus 20 anos. Foi aqui, neste munícipio que nasci e onde continuo me desenvolvendo como pessoa. Foi aqui que sempre estudei e estudo até hoje. Foi aqui que conheci pessoas incríveis, que visitei lugares magníficos, que vivenciei momentos espetaculares. Foi aqui que estive ao lado de vários amigos, perto da família e de todos os outros joseenses.

Parabéns para São José dos Campos!!! Parabéns pelos seus 242 anos, de muito progresso, prosperidade e alegria!!! Tenho orgulho de morar aqui!!!

E como tudo o que é bom pode virar poesia, minha homenagem virá da forma que amo fazer: escrevendo.


“Qualidade de Vida Joseense”

A vida joseense através de uma aldeia nasceu,
Formada por índios numa fazenda de jesuítas,
Religiosos expulsos pela lei de princípio ateu,
Que voltaram, numa planície de matas bonitas.

No marco zero foi construída a Igreja Matriz
E logo a simples aldeia se transformou em vila:
A economia e a cultura foram criando raiz...
São José (do Paraíba) ganhou ainda mais vida.

Virou São José dos Campos, estância curadora:
O clima agradável foi usado em prol da saúde,
Para tratar doentes tornou-se colaboradora;
O Sanatório Vicentina Aranha fez sua amplitude.

A qualidade de vida ficou ainda mais evidente,
Pois mais pessoas para aqui vieram morar.
Infraestrutura e saneamento tinham em mente
E assim, desenvolvimento industrial gerar.

São 242 anos, muitos anos de vida saudável,
Afinal, grande parte de sua área é preservada,
A paisagem do Banhado encanta e é adorável;
São Francisco Xavier, naturalmente privilegiada.

São José dos Campos, município com variedade,
Feiras, shoppings, Mercado Municipal e Calçadão...
Nos parques e museus, eventos de alta qualidade;
Patrimônios e cartões postais tocam nosso coração.

Cidade dos avanços de preservação e tecnologia,
A qualidade de bom lugar para viver a nós pertence;
Pois além de urbana, o toque de interior contagia...
Nasci aqui e sou feliz pela qualidade de vida joseense.

Fábio Cassiano

sábado, 25 de julho de 2009

Até onde o sonho pode nos levar?

Olá pessoas!

Ter sonhos é algo que faz parte da vida de todo mundo. A mente possibilita que todos possam sonhar, mas é com a ajuda do coração que conseguiremos as realizações. Para nós, pessoas com deficiência, seguir o caminho rumo à concretização do que se deseja é um pouco mais difícil e trabalhoso. Isso acontece, pois é preciso contar com a ajuda e o envolvimento de mais pessoas, que cuidam da gente, que nos acompanham e das quais podemos depender para fazer algumas coisas na vida. Mas ressalto que a tarefa de realizar um sonho não é impossível para ninguém - se não desistirmos de nós mesmos, se pensarmos positivo, se acreditarmos nas possibilidades e tivermos um sonho atingível, existe chance de acontecer.

Nós temos algum tipo de deficiência sim, mas nossa mente funciona de modo a podermos sonhar. As vontades, os desejos, as idéias, tudo o que se passa na cabeça é motivo de virar um sonho. O que queremos é o mesmo que todos em certos instantes; em outros preferimos algo mais íntimo e pessoal. A jornada necessária para colocar o pensamento e transformá-lo em fato pode ser sinuosa: dificuldades de inclusão, falta de acessibilidade, possíveis preconceitos e mais aquelas que afetam qualquer um. Por isso, se envolver com uma causa própria é essencial, para buscar no próprio sonho, o incentivo de se dedicar ainda mais, se empenhando com boas emoções, colocando o melhor de si e vencendo qualquer desânimo que possa aparecer. Uma ótima "carta na manga" é usar pensamentos positivos para aumentar a eficácia na busca do lugar ao sol (a conquista do que foi desejado). A positividade é tão importante quanto às atitudes que precisam ser tomadas - cada sonho que realizei foi fruto desta "carta" e com isso, recomendo essa mente aberta a só sentimento bom, tendo fé que tudo pode dar certo. Seguindo uma das várias religiões ou nenhuma, saibam que a dica é bem-sucedida, desde que se concentre com todas as energias.

Na verdade, esse negócio de ter um sonho não é tão organizado assim, pois o cérebro libera milhões de pensamentos e dentro deles, existem os que representam sonhos. Vários ao mesmo tempo. Realmente, não conseguiremos realizar todos e mesmo que não realizemos algum, outros surgirão. Sem contar que nossas prioridades mudam com o tempo. Isso não significa que desistimos. São vários sonhos e temos de no concentrar em cada um, dentro do possível.

Mas haverá o momento de tomar decisões e entrar em ação: ora precisaremos da mãozinha de amigos e da família, de quem cuida de nós e nos acompanha ora agirimos de modo a alcançar o que queremos, pois nós é que somos responsáveis pelo que nos fará contentes e auto-realizados.

Sonho com lugares: é preciso estar disposto a tomar consciência da presença de acessibilidade, suficiente para facilitar nosso modo de aproveitar e usufruir da conquista. Obter contato com os lugares, pessoalmente ou através de informações é primordial para que tudo ocorra dentro do esperado. O lugar dos nossos sonhos pode se tornar uma aventura, pois não imaginamos até onde podem nos levar. Isso é bom, porém nossos passos serão em um terreno novo, misterioso e imprevisível - informações nos direcionam em um melhor caminho.

Sonho com pessoas: é preciso buscar pessoas que sejam receptivas, tenham sinceramente um espírito de inclusão, sem preconceito com qualquer tipo de diferença. Deve haver um bom convívo e abertura para aprendizados de ambas as partes.

Sonho com momentos: é preciso acreditar em belas sensações proporcionadas, em pessoas especiais, em todos que estão ao nosso lado, pensar positivo para que tudo dê certo, sem tantos imprevistos. Momentos costumam ter um palco. Se ele for acessível, será um palco inclusivo, permitindo que uma variedade de gente consiga fazer parte disso. Há datas e horários, os quais podemos escolher ou já são definidos. Quando é de madrugada fica mais difícil para nós, pessoas com deficiência, pois dependemos da disponibilidade de outras pessoas, às vezes pode ser meio cansativo, mas quando se reúne as condições necessárias, o "período de dormir" pode ser um bom evento. A verdade é que os benefícios ou as boas emoções sentidas antes, durante e após os momentos é totalmente acessível e gratuito.

Aproveito para compartilhar com vocês alguns dos sonhos que realizei, graças à ajuda de pessoas especiais:


Conhecer pessoalmente, no camarim, minha cantora preferida - Ivete Sangalo (2005)



Ida ao evento de moda Oscar Fashion Days (2008)


Assistir ao Desfile das Escolas de Samba daqui de SJC e ouvir de perto o som da bateria (não lembro o ano)


Lançamento do livro "Amores em Alguém" na livraria Max Sigma (abril de 2009)


Noite de Autógrafos no bar Mad Jack (junho de 2009)

A beleza de sonhar: imagine-se nas areias de uma praia, vivendo na rotina da terra firme só que ao mesmo tempo sentindo falta de algo. Você olha para frente e observa no horizonte do mar um belo pôr-do-sol. Rodeando o sol, gaivotas enfeitam o céu, acima de montanhas repletas de verde vivo. De repente, sente uma vontade de estar mais perto daquela paisagem, daquelas cores pintadas no céu e pensa de que forma conseguir sair das areias e se aproximar da paisagem dos sonhos. Eis que surge a idéia: entrar no mar com um barco e ir navegando até a distância suficiente para que a paisagem do pôr-do-sol apareça por todos os lados. Assim, você fez parte daquele momento e sentiu-se bem após ter tomado a iniciativa de sair da terra (do porto seguro) em direção à paisagem.

Abraços e bons sonhos!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Orgulho ou/e Independência

Olá pessoas!

Pois é, fiquei mais um tempinho sem escrever no blog... E ultimamente andei pensando em escrever um pouco mais sobre o universo das pessoas com deficiência, do qual faço parte. Com os últimos grandes acontecimentos - apareci ao vivo num programa falando sobre acessibilidade e inclusão, na Noite de Autógrafos convidei amigos cadeirantes e vesti uma camiseta especial - pensei que chegou a hora de falar sobre o assunto. Sempre gostei de escrever sobre a vida e as postagens anteriores transmitiam de forma poética a reflexão para uma vida equilibrada e com a prática do amor. Por isso, vou tentar fazer um mix de tudo isso no blog e ver como pode ficar.

Todo mundo gosta de ter liberdade em sua vida e de ter direito à independência, fazendo o que quer que seja sem precisar de outra pessoa. Em nós, pessoas com algum tipo de deficiência, também há este sentimento. Mas existem os momentos nos quais precisamos de uma mãozinha. Nesse caso, pediremos a ajuda necessária ou dependendo da circunstância no dia-a-dia, quem estiver perto e sentir vontade de ajudar, deve perguntar antes ao invés de sair empurrando a cadeira. Isso não é orgulho ruim (aquele orgulho egoísta) e sim uma forma eficiente de auxílio, pois só acontecerá o auxílio se nós realmente estivermos precisando e se for esclarecido como isso pode ser feito.

Existem também, os momentos em que temos prazer de fazer algo por conta própria. São as horas de nossa independência, quando pedimos para deixarem tudo preparadinho para depois assumirmos o controle de certa atividade. É como segurar um pássaro, prepará-lo e em seguida deixá-lo voar com as próprias asas. Ou seja, se nos sentimos em condições de botar em prática algumas tarefas do dia-a-dia, é importante entrar em ação, seja para exercitar o corpo, para trabalhar o movimento, a coordenação e com isso colaborar na própria saúde. Trabalhar em hobbies, desenvolver os talentos, criar obras de arte é algo que nos traz ótimas sensações, apenas pelo fato de colocarmos nossa criatividade e transmitir nossa visão de mundo e de vida. Ao terminar uma atividade e ver seu resultado final, eleva sempre nossa auto-estima, nosso amor próprio e a confiança em nossa capacidade. Esse é o orgulho bom, aquele de sentir-se feliz por começar algo e terminar, por mérito próprio. Isso é algo que não tem preço.

É preciso saber separar a hora de nos ajudar da hora de nos deixar curtir o instante alegre, da auto-realização. Praticarmos idéias e projetos nos quais desejamos seguir é só benefícios para nós, pessoas com deficiência e quem nos quer bem. Incentivar o desenvolvimento dessas atividades é melhor ainda. Movimentar o corpo faz bem para nossa saúde e nosso espírito. Se temos algum movimento, porque não usá-los para um prazeroso exercício que é viver? Vendo cada dia como oportunidade de descobrir do que somos capazes.

Mas esta atitude independente não ocorre apenas nos talentos e artes, mas também em simples tarefas da rotina, como: se alimentar (por exemplo, peço para colocarem em mim algumas almofadas nas costas e na mesa da cadeira, pois não tenho força para levantar os braços e levar a comida na boca - uso os apetrechos para me aproximar do prato e assim eu mesmo comer; consigo fazer movimentos curtos com os braços e mãos), ler (gosto de ler revistas, onde uso almofadas para aproximá-la e poder passar as páginas; e de ler livros, que é mais fácil, pois é só pegá-los para mim e segurá-los eu consigo), escrever (em caderno ou em papel, basta pegar os materiais para mim, pois ainda escrevo - um pouco lento pelas dificuldades, mas gosto de escrever - e no computador, basta pegar o teclado mais o mouse ou, se for notebook, é só colocá-lo na mesa da minha cadeira), etc. A verdade é que em nenhum momento eu estou "forçando a barra" do meu corpo, pois faço tudo aquilo que tenho condições de fazer atualmente, sinto prazer em realizar algumas "façanhas" sozinho, vejo também com um olhar de exercício e não me canso com essas atividades diárias. Pelo contrário, me sinto renovado. Novamente, não se trata do orgulho ruim, mas do orgulho bom, que faz bem para o coração, aliado à uma certa independência.

Devo lembrar que são vários tipos de deficiência, com várias causas diferentes e há uma variedade de dificuldades. Só que se as condições físicas possibilitarem a prática de algo, o que desejar, sentir vontade, vale muito a pena para o corpo, exercitando-o e adquirindo mais saúde. Sem contar, que será um hábito saudável para viver.

A ajuda e o apoio das pessoas à nossa volta são sempre bem-vindos, principalmente se estiverem perto para ouvirem nosso chamado e antes de chegar já ajudando, perguntarem se estamos precisando de uma mãozinha. Sou grato a todos que me ajudam durante cada dia. Sem essas pessoas, não seria possível meus instantes independentes.

Orgulho e independência: você segura o pássaro, com todo carinho, transmite a ele palavras de incentivo, através de uma alegria contagiante. Caminha com ele nas mãos, segurando-o de forma firme e ao mesmo tempo delicada. Se mantém ao seu lado, cria um ambiente de confiança e amor. Finalmente encontra o lugar ideal, de tamanho suficiente para amplas possibilidades, para que o pássaro escolha, por conta própria, o seu próprio caminho na imensidão do céu. Você abre as mãos, aos poucos e estende os braços mais para o alto e aguarda o esplendoroso momento. Deseja boa sorte ao amigo voador. Ansioso, o pássaro se prepara para o voo, se ajeita para o impulso inicial. Em questão de segundos, ele já não está mais em sua mão e voa, se misturando com o ar, fazendo parte dele. Como é um orgulho você ter feito parte deste momento mágico e real da natureza, ter ajudado o pássaro em seu caminho, para sua vida independente no céu; ele certamente lembrará da importância do empurrãozinho que você deu. O pássaro também sentiu-se orgulhoso por ter feito o que tanto desejava, um voo encantador e inesquecível; ele sentiu-se feliz por ter feito sozinho isso.


Abraços

sábado, 4 de julho de 2009

Estilo americano e "Amores em Alguém" de Fábio Cassiano

Olá pessoas!

Gostaria de contar em detalhes para vocês, sobre como foi a Noite de Autógrafo do meu livro "Amores em Alguém", que aconteceu na terça-feira, dia 30 de junho, no bar Mad Jack. O evento comemorou o sucesso do lançamento do livro em abril.


Sinto que foi mais um momento muito especial em minha vida, mais uma benção divina. Fiquei muito, mas muito feliz mesmo com a presença de cada convidado, familiares, amigos e conhecidos. Tive o enorme prazer de conhecer pessoas incríveis. Foram vários flashes, gestos de carinho compartilhados, comida ao estilo americano, MPB tocando o coração, sorrisos... E muita alegria no ar.


Além de contar tudo o que rolou por lá, aproveito para deixar alguns sinceros agradecimentos.

Muito mais que uma Noite de Autógrafos

Foi um dia maravilhoso. O clima não estava tão estável, em alguns instantes parecia que choveria. Mas na Noite do evento, o clima estava ótimo. Sem chuva e com alegria de sobra. Alegria minha, dos queridos convidados e inclusive de todos que fazem parte do Mad Jack.
Acordei um pouco tarde, mas mesmo assim, senti dentro de mim, que seria um grande dia. E realmente foi. Fiquei um bom tempo de frente para o computador, para responder alguns e-mails e recados do Orkut, vindos de pessoas incríveis, que demonstraram um carinho especial para mim e me incentivaram a ficar tranquilo, pensando positivo. Me senti tão bem com cada palavra sincera, verdadeira, amiga, enviada com boas energias. Fiz questão de deixar meu agradecimento por essa transmissão de simpatia por mim, vinda de cada pessoa.
Dei uma passadinha no meu blog e vi que tinha um convitão que deixei no topo. Li novamente os dizeres da divulgação e pensei: "Vai ser hoje. O dia que vou ter a oportunidade de compartilhar com as pessoas este momento especial em minha vida. Vai dar tudo certo. Vou tentar ser eu mesmo, com aquela simplicidade e ser atencioso com cada convidado". Me senti ansioso e ao mesmo tempo tranquilo. Me senti confiante e muito feliz.
A hora se aproximava. Quando eram 5 da tarde, comecei a me preparar para a maravilhosa noite que estava por vir. Me arrumei, "vesti a inclusão" e por cima a jaqueta. Tomei um lanchinho e fiquei pronto. Por fora estava pronto. Por dentro, alegria e emoção. Um friozinho de leve na barriga também. Escolhi uma caneta que ganhei no lançamento de abril, para dar sorte e luz. Ela aguentou até a última dedicatória, que aconteceu quase que meia-noite.
Meu pai me levou até o bar e durante a "viagem", fiquei agradecendo mentalmente à Deus, por todas suas bençãos e pela benção da Noite de Autógrafos. Chegamos lá umas 6:30 da tarde.
No caminho para a faculdade, sempre passava perto do Mad Jack e ficava olhando a fachada, curioso para saber como que seria por dentro. No dia do grande evento foi diferente. Estávamos indo diretamente para o bar, passando cada vez mais perto. De repente, nos encontramos na frente do bar e dei uma olhada para o seu interior, além de observar o carro bonito que tinha de "enfeite". Já no estacionamento, senti que estava realmente se aproximando o evento.


Entrei lá e cumprimentei todos que me receberam na entrada, com sorrisos. Segui para o lado esquerdo do bar, que tinha alguns lugares em cada canto e no meio uma mesa principal. Decidimos que eu usaria apenas a mesa da minha cadeira e mantive-me desta forma até o final. Fiz questão de estar em contato direto com cada visitante convidado. Conversei com o gerente e alguns funcionários que foram me cumprimentar de forma bem amistosa. Meu tio Dom, que fez o belo som de fundo, trazendo descontração e envolvimento ao ambiente, foi lá bater um papo comigo, desejando-me sorte. Aproveitei e agradeci pela sua participação.

Foi aí que se deu início à chegada dos primeiros convidados. Já estava preparado, com caneta e voz. Escrevi a primeira dedicatória e assinatura. Minhas mãos se mantinham leves e dispostas a autografar uns 50 exemplares do livro "Amores em Alguém", publicado pela Faro Editorial. Até esse momento, o pessoal ainda estava chegando.

Amigos, familiares, conhecidos, pessoas novas, cada um foi iluminando o bar com sua presença. Como falei nos convites, foi um imenso prazer receber todos, fiquei super contente com a companhia dos convidados, que me trouxeram uma energia fascinante, que me fizeram gestos carinhosos, através de abraços, beijos, apertos de mão, palavras... Tudo cheio de um afeto grandioso, vindo do coração. De coração para coração. Pois é, os Amores não estavam somente em mim. Percebi e senti esses amores (pois foram várias formas de amor) no sorriso de todo mundo, que representou alegria e os sentimentos mais lindos de se sentir.
Representando os "matrixianos", ou seja, nós pessoas que temos algum tipo de deficiência, estavam eu, minha mãe Marli, o Anatoli (amigo de onde faço hidroterapia), o Evandro (amigo do blog "Tocando a vida sobre rodas" - http://www.tocandoavidasobrerodas.blogspot.com/) e o Luís Daniel (amigo do blog "Reflexão sobre Rodas").
Mais pessoas foram chegando e pela informalidade do evento, não tinha uma fila definida. Todos estavam à vontade e iam até mim diretamente. Até deu para bater um papo com alguns. Era um clima descontraído, dinâmico e natural. A alegria predominou no ar. Me senti feliz, curti cada minuto, assim como os convidados.


Algum tempo depois de o Vinícius Valverde chegar no bar, ele foi até mim. Foi super legal comigo. Agradeceu por eu estar lá e me parabenizou com entusiasmo. Também agradeci a ele por tudo e tiramos duas fotos, lado a lado. Depois, ele levou um livro para eu escrever a dedicatória. Entreguei o livro assinado para ele. O Valter também tirou foto comigo e com minha mãe.
Quando tive a oportunidade, convidei o fotógrafo Gilberto Freitas para tirar uma foto comigo. Ao se aproximar para o clique, aproveitei para agradecer a ele pela cobertura do evento. As fotos que ele fez para o Portal São José dos Campos estão no link www.saojosedoscampos.com.br/social/index.php?id=32620&cat=20.
Já umas 10:30 e 11 horas, os convidados foram se despedindo e dizendo que adoraram o evento. Eu agradeci pela presença de cada um. Fiquei muito feliz com a Noite de Autógrafos no bar Mad Jack. Muito obrigado a todos que estiveram ao meu lado, comemorando mais um momento muito especial em minha vida. Adorei tudo!

Agradecimentos

Muito obrigado à minha màe (Marli) e ao meu irmão Caio por terem entrado em contato com o bar e combinado o evento. Os contatos feitos por eles foram essenciais para seu acontecimento. Eles fizeram muito por mim e se empenharam para que tudo desse certo. Foi um maravilhoso gesto.
Muito obrigado ao Vinícius e ao Valter do Mad Jack, pela ótima recepção que fizeram e pela oportunidade oferecida para podermos realizar a Noite de Autógrafos. Fiquei muito feliz quando soube que aceitaram o nosso evento e pelo presente de poder ter como palco este bar super badalado. Gostei de tê-los conhecido pessoalmente e até de ter tirado uma foto para guardar como boa recordação.
Muito obrigado à Marina por conversar com o Jonas Almeida, apresentador do Vanguarda Mix, para uma possível reportagem.
Muito obrigado ao meu pai (Rui), por estar ao meu lado nos eventos e nesse não foi diferente, me preparando, me arrumando e me levando até a Noite de Autógrafos. Agradeço por me ajudar em cada instante do evento, desde o "por trás das câmeras" até o final.
Muito obrigado ao meu irmão Bruno, por ter me ajudado a escolher a roupa para o evento e ainda no estilo do bar. Ele também tirou algumas fotos e ajudou no caixa.
Muito obrigado à minha prima Ana Laura e à minha tia Valquíria, pelo apoio nas fotos para a Noite.
Muito obrigado à Tamara, a "personal hair" que fez o corte do meu cabelo para eu estar bem arrumado no evento.
Muito obrigado ao Evandro, do Legal Camisetas, pela oportunidade de poder "vestir inclusão" para a causa de nós, pessoas com deficiência e todos que admiram esta causa. O Legal Camisetas (http://legalcamisetas.elo7.com.br/) cria modelos dinâmicos e criativos, como o da Matrix que eu usei e o do Et que minha mãe usou.
Muito obrigado ao Luís Daniel, do blog "Reflexão sobre Rodas" (http://www.vnews.com.br/blog.php?id=27), pela divulgação do evento em seu blog, convidando seus leitores e visitantes. Fiquei contente com seu gesto.
Muito obrigado à Beatriz, por divulgar sobre o evento em seu blog, o BIP Cultural: http://www.bipcultural.blogspot.com/.
Muito obrigado ao meu tio Dom, por cuidar do som de fundo do evento e por encantar os convidados com uma MPB emocionante e de alta qualidade. Para mim foi um grande prazer estar ao seu lado no evento, agradeço pelo seu envolvimento e pela sua música.
Muito obrigado à todos os funcionários do Mad Jack, pela disposição em atender os convidados da noite e em me ajudar. Cada um que deu sua contribuição para o sucesso do evento, tem a minha singela gratidão.
Muito obrigado ao fotógrafo Gilberto Freitas, pela presença no evento e pela sua cobertura, representando o Portal São José dos Campos. Mais uma vez, pude contar com seus flashes especiais. Sou grato também ao Maurício do Portal, pelo apoio nesse evento e na divulgação do livro "Amores em Alguém".
Muito obrigado a todos os convidados, por estarem ao meu lado, fazendo parte do momento maravilhoso que foi esse evento no Mad Jack, foi muito bom recebê-los. Agradeço por todo o carinho e positividade que me trouxeram, despertando em mim um profundo sorriso. Fiquei muito feliz e curti muito essa troca de energias do bem.

Um grande abraço,

Fábio

sábado, 20 de junho de 2009

Qual a razão de nossa existência?

Fazendo reflexões sobre a direção que os seres humanos tomaram, a maioria orientados por líderes, políticos ou espirituais, eu me pergunto: qual o real sentido para nossas vidas? Qual a razão de tanta desigualdade, se dividimos o mesmo espaço? Quem determinou essa territorialidade não só das terras, mas também das pessoas, classificando-as em diferentes níveis sociais?
Se acreditamos realmente em Deus, não deveríamos nos apossar de sua criação e sim usufruir igualmente do que nos foi dado. Se cada um daqui para frente procurar uma mudança em sua postura, já afetaria todo o futuro do planeta para melhor.
Devemos parar de fingir que não estamos vendo pessoas como nós, abandonadas por chefes de Estado como na África e em outros lugares, sendo tratados de forma inferior que nossos animais de estimação. Devemos parar de mudar o canal da tv, quando a gente sabe que milhões em dinheiro são enviados e são usados para financiar guerras civis e o que sobra para a população de sub-humanos, são migalhas de comida lançadas do céu. Mas é claro, nós ocidentais não temos nada a ver com isso. É só mudar de canal. Afinal, somos cultos, honestos, pagamos impostos, dízimos, está tudo politicamente correto.
Nos esquecemos da nossa insignificância, somos apenas minúsculos usuários de um minúsculo planeta, poeira na imensidão do universo. Esquecemos que somos o próprio planeta, somos feitos de terra e no final nos transformamos em terra.
Não conseguimos ainda aprender o que realmente viemos fazer - dominar o nosso ego.
Nossas metas quando alcançadas, alimentam nossa sede de querer mais, de poder mais, nossa sede do PODER.
Ainda bem que os resquícios de discernimento e de amor ainda habitam no coração e na alma da maioria de nós. Ainda podemos transformar esse planeta no lugar mais especial do universo e quem sabe dividí-lo em partes igualmente especiais para cada ser humano.
Ainda podemos aproveitar essa força, essa ENERGIA MAIOR que nos diferencia, que nos une e que chamamos de DEUS, para fazer cada minuto da experiência de estar vivo VALER MUITO A PENA.
Quem sabe a gente deixe de ser apenas habitantes de um "pálido ponto azul"...

Assisti este vídeo há muito tempo e ele me impeliu a pensar sobre tudo. Sou mãe do Fábio e quis escrever essa mensagem a todos os leitores que acompanham o blog.

Abraços,

Marli Cassiano, do blog "O Tempo Que Existe em Nós", onde conto mais histórias... www.otempoqueexisteemnos.blogspot.com

sábado, 13 de junho de 2009

Acessibilidade, inclusão e ET CETERA.

Olá pessoas!


Na segunda-feira, dia 15/06, às 21 horas, estive ao lado de convidados no programa Etcetera, da TV Aparecida. Através de um bate-papo leve, dinâmico e informativo, abordamos diversos pontos de vista sobre "Pessoa com Deficiência", um tema que envolve ainda a quebra de paradigmas e a revisão de conceitos essenciais da vida humana. Um assunto que precisa ser fortemente conversado, pois são tantos os tipos de deficiência, são tantas as áreas para se discutir em relação a ele.

Gostaria de agradecer ao Jairo Marques, jornalista do blog "Assim como você", por me indicar para representar o povo da Matrix (das pessoas com alguma deficiência) no programa.

Agradeço também, ao convite do programa Et Cetera, feito pela produtora Abiane Souza. Foi uma surpresa maravilhosa: quando ela me ligou, abri um grande sorriso, pois além de sua simpatia e carisma, fiquei muito feliz com a oportunidade de compartilhar um pouco das minhas experiências. Nos falamos depois e ela foi bem atenciosa comigo, me passou dicas importantes e fez questão de explicar tudo. Foi um imenso prazer conhecê-la. Muito obrigado por tudo!

Obrigado ao Luiz Eduardo pela entrevista que fez comigo para o Blog Et Cetera, com perguntas de conteúdo e qualidade. Obrigado por tudo também.

Obrigado ao apresentador do programa, Padre César, pelo envolvimento com o tema e por conduzir muito bem as entrevistas, deixando nós convidados à vontade. Obrigado também ao co-apresentador, Padre Flávio, por acrescentar informações e e-mails interessantes, enriquecendo o programa. Adorei conhecê-los.
Agradeço também, a toda a equipe da TV Aparecida, desde a portaria, a maquiagem (para o rosto não brilhar rsrs), a quem preparou a mesa aos convidados, até a todos que participaram da gravação e transmissão do programa Et cetera. Muito obrigado para todos que deram sua contribuição, de modo a tornar o momento ainda mais especial.

Tive o prazer de participar do programa, na companhia de Açucena Calixto Bonanato, presidente do Instituto Pró-cidadania e de Romeu Kazumi Sassaki, assistente social e ativista. Gostei muito de conhecê-los e de bater um bom papo com eles. Aprendi várias coisas com suas palavras, com seus projetos, com suas iniciativas e com tudo o que têm feito em prol da nossa causa.

Açucena: parabéns pelo trabalho do instituto, pelos treinamentos que oferece a professores para um melhor tratamento e cuidado às pessoas com deficiência. Muito obrigado por sua contribuição!

Romeu: parabéns pelo seu livro, pela forma que aborda a inclusão, pela experiência adquirida na difusão de conceitos que não possuem preconceito e desrespeito. Muito obrigado pela participação!

Obrigado aos telespectadores que participaram enviando e-mails que demonstraram seus pontos de vista, suas histórias e suas perguntas, valorizando o bate-papo ainda mais.
Um grande abraço a todos!

sábado, 23 de maio de 2009

Ser sensível é...

Olá pessoas!

Estive sumido aqui no blog e senti muitas saudades de escrever uma postagem exclusiva para vocês, meus queridos leitores. Nos últimos dias, foi um momento de estudo para a maratona de provas que chegou ao fim, é só aguardar os resultados. E para retornar com grande estilo, decidi escrever sobre um assunto que estava rodando meus pensamentos em forma de reflexão.

Hoje compartilho com vocês qual o significado de SENSIBILIDADE de acordo com minha visão. Me considero uma pessoa sensível. Acredito que ser sensível não é ter fraqueza, não é ficar passivo diante das dificuldades, não é deixar que façam de você o que quiserem. Não é ser alguém que sofre por conta de qualquer palavra, crítica ou dura. A sensibilidade deve ser vista de forma positiva, pois ela pode nos mostrar o encanto e a beleza de tudo aquilo capaz de tocar nosso coração.

Ser sensível é...

Conseguir admirar desenhos, fotos, textos, músicas e todo meio que nos traga ótimas recordações e mensagens. É sentir profundamente a essência artística de cada expressão criada por outras pessoas, percebendo o sentimento colocado por elas. É se envolver de corpo e alma no momento de leitura, de observação, de ouvir as belezas, de refletir o quanto a liberdade de expressão nos conduz a mundos fascinantes, que fazem parte do nosso interior.

Ser sensível é...

Se emocionar com grandes histórias e com grandes pessoas. É ter a capacidade de entender o contexto de vida de cada um, antes de julgar. É usar a empatia sincera - colocar-se no lugar do outro, sem concluir precipitadamente e realmente sentindo vontade de conhecer as experiências e aprendizados do próximo. É ter carinho, respeito e admiração pelo próximo, é estar disposto a ajudá-lo sempre que possível, seja nos bons momentos como nos ruins. E sem querer nada em troca.

Ser sensível é...

Olhar para a natureza e ser grato a Deus por ela existir. É notar a vida natural, através dos ventos movimentando as folhas, dos bichos voando, andando pelas árvores, das plantas se abrindo e fechando de acordo com as estações. É respeitar a natureza, sentindo a importância dela para cada um de nós, nos enviando ar puro, água, terra. Nos oferecendo simplesmente a própria EXISTÊNCIA. É deixar-se levar por ela, fazendo parte dela.

Ser sensível é...

Deixar as lágrimas de emoção rolarem. Das mágoas, o choro coloca para fora as dores e não as deixa apertadas no peito. Das alegrias que emocionam, as lágrimas são sinceras e se mostram presentes nas bençãos de Deus. Façamos com que as pessoas em nossa volta saibam do que sentimos ou do que desejamos falar para elas - se for tristeza, dê a oportunidade dos amigos e familiares te ajudarem a superar as dificuldades; se for alegria, compartilhe com quem estiver do lado, deixe a energia do momento tocar o coração deles e encantá-los.

Ser sensível é ter a divindade no coração e sentí-la com toda a sinceridade.

Um ótimo fim de semana para todos.

Abraços

sábado, 9 de maio de 2009

Dando Luz à Vida

Olá pessoas.
Nesta postagem, a homenagem será a todas as mães, que já representam muito por darem luz à vida, ou seja, geram filhos e filhas, dando oportunidade para esses novos seres ganharem uma vida para viver, para aprender.
Amor de mãe é tudo de bom, é pura emoção. Aqueles abraços e beijos apertados, que nos fazem sorrir facilmente. Aquele curativo mágico em nossos joelhos (no meu caso, foram vários joelhos ralados que minha mãe teve de cuidar), aquele lanche delicioso no meio da tarde. Aquela puxada de orelha e aquelas broncas por termos aprontado. Aquela cara de orgulho de Mãe Coruja em cada surpresa que fizemos para elas, em cada conquista que tivemos, em cada sonho realizado.
Tantos momentos de paz, de alegria, de amor pudemos estar ao lado de nossas queridas mães, tantos sentimentos compartilhados, tanta troca e aprendizado.
Amor incondicional é o que aprendemos com nossas mães, é amar de forma grandiosa, é ter amor verdadeiro e sincero. É amor que protege, que deseja o bem de seus filhos, que brilha em suas vidas. É amor rico em carinho, em admiração, é amor forte, de superação. Amor de coração para coração.
Abaixo, a poesia que criei exclusivamente para homenagear o Dia das Mães 2009. Dedico esta poesia para minha querida mãe, Marli, companheira nos momentos mais difíceis e nos momentos mais alegres, que me ensinou tantas lições, que sempre esteve ao meu lado, que me demonstra a beleza de viver. Mãe, desejo que seu dia seja iluminado e abençoado por Deus, desejo que seja um dia inesquecível. Eu te amo, do fundo do meu coração.
"Mães - Luzes da Vida"
(Fábio Cassiano)
Ganhar uma vida para aprender.
Que linda benção nossas mães nos deram,
Pois de pequenos seres que pudemos ser,
Hoje oferecemos o carinho que elas esperam.
As mães nos dão a luz e o amor incondicional,
Todo os dias, pensando no melhor da gente.
Em cada gesto, usam uma generosidade especial,
Capaz de curar tudo e deixar cada um contente.
Seus cuidados são dobrados, triplicados,
Para proteger os filhos que foram gerados,
Lutando contra qualquer grande problema
E mostrando que amor na vida é o lema.
Quando crianças, aprontamos até demais,
Por isso, levamos puxadas de orelha.
Dessa forma, elas nos ensinaram lições reais,
Nos perdoam e nelas a gente se espelha.
Amor de mãe é maravilhoso, fascinante,
Se une ao nosso coração, se envolve,
Torna o cotidiano mais belo e marcante;
Inspirando a força interior que nos move.
Mães demonstram o lado doce de viver,
Com sensibilidade, companheirismo e afeição.
Brilham como estrelas, guiando-nos para ver
As luzes em nossa vida que elas são.
À todas as mães, um Feliz Dia das Mães. Que todos os seus dias sejam ainda mais positivos e repletos dos melhores gestos de amor que existem.
Um grande beijo!

sábado, 2 de maio de 2009

Momentos Especiais com Pessoas Especiais

Olá pessoas!

Depois de muuuuito tempo, voltei para dar notícias, para dar sinal de vida. E que vida, cheia de surpresas eu me encontro neste atual instante. As grandes emoções começaram no dia 19 de abril, quando fiz 20 anos. 20 anos de luta, de aprendizado, de sentir amor no coração, de cair e se levantar, de chorar e secar as lágrimas, de convívio com amigos e familia, de progressão da distrofia muscular de duchenne, de grandes descobertas, de uma vida abençoada por Deus. Com essa transformação da idade, pude sentir a gratidão pela vida e por quem amo nela. Pude conversar comigo mesmo e lembrar de cada obstáculo superado, de o quanto o amor me deu forças para seguir adiante.
Bom, mas um dia antes de completar mais um ano de vida, resolvi enviar um convite do lançamento do livro para o Jairo Marques, de quem sou super fã. Ele é um cara simples, de bom coração, que escreve de uma forma envolvente, é sincero e bem divertido. Decidi enviar alguns textos que eu e minha mãe escrevemos, contando um pouco da nossa história e de como começou o projeto do livro. Pouco tempo depois, o Jairo nos respondeu e fiquei muito feliz com isso, pois imagine só você receber um e-mail de seu ídolo. Me senti profundamente honrado e emocionado com o que me escreveu. Além disso, ele propôs a mim e a minha mãe que escrevêssemos um texto "nem tão curto nem tão longo", entitulado "O Tempo Não Pára", contando a nossa história, em relação à progressão de nossas doenças e ao mesmo tempo, o aumento do nosso amor um pelo outro e pela vida. Ficamos bem contentes com a novidade e pela oportunidade de compartilhar com as pessoas toda nossa experiência de vida, todas as dificuldades que tivemos de vencer juntos, todos os momentos de carinho e afeto, de trocas entre mãe e filho. No começo, foi difícil iniciar o texto do zero. Escrevi a parte do texto em azul, com minhas opiniões e sentimentos e demorei várias horas. No feriado do dia 21, eu e minha mãe ficamos lado a lado, de frente para o computador, para tentar terminar no próprio dia. A cada "capítulo" de nossa trajetória, onde ao longo dos anos foram surgindo novos desafios das doenças, me emocionei por lembrar da intensidade da dor de cada um deles, lembrar do sofrimento no corpo, na mente e no coração que aconteceu conosco, parecendo que chegavam de repente. Sabíamos que iríamos encontrar tudo isso em nossas vidas, mas no momento que realmente acontece, não é fácil aceitar, não é fácil segurar as lágrimas. Mas com o tempo, vamos aprendendo a conviver com isso, a ver que há uma vida à nossa espera, onde temos oportunidades de amadurecer e aprender com cada momento, bom ou ruim. O nosso amor foi fundamental para que pudéssemos seguir adiante e graças a Deus, chegamos aqui, com o presente para viver. Separamos algumas fotos e finalizamos o texto. Na noite daquele dia, enviamos o texto para o Jairo.

No dia 24/04, o texto foi publicado no blog dele e eu descobri isso de uma forma surpreendente: primeiro, abri a caixa de entrada e notei vários e-mails tendo o livro como assunto, fui abrindo um por um e foi chegando novos pedidos de livro, me deixando animado. Aí eu tinha lembrado que o Jairo ia colocar meu e-mail na postagem e fui "correndo" para o blog dele, o "Assim Como Você". De repente, vejo o nosso texto por lá. Já com um sorrisão no rosto, fui lendo o texto e as lágrimas escorreram dos meus olhos facilmente, chorei muito de emoção e por um booooom tempo. A cada problema que tive de vencer, a cada tropeço, queda e levantada, com grande esforço, a ida para a cadeira de rodas, as choradas escondidas, tive de me aceitar como sou, encontrar a luz e a alegria de viver. Por isso a emoção, junta da emoção de poder compartilhar as lições. No final, vi que tinha muitos comentários e cliquei para ler cada um deles. Me emocionei novamente. Com o carinho, o apoio, a energia e a forma atenciosa na qual os leitores nos escreveram suas palavras. Fiquei feliz por poder trazer algo de bom às pessoas, por mostrar a beleza da vida, por inspirar cada um a descobrir o amor em seu coração, por verem o quanto é importante o amor de mães e filhos e de nossos familiares. Nos escreveram palavras maravilhosas e deu para sentir a sinceridade e a sensibilidade de todos, deu para aprender a valorizar ainda mais minha vida. Até nossos amigos e nossa família comentaram na postagem e fizeram questão de mostrar o carinho pela gente. Foi um momento lindo proporcionado pela postagem no blog. Desejo que todos que comentaram, mandaram e-mails e nos cumprimentaram pessoalmente, abrindo seus corações, encontrem a luz na vida, vejam a vida de forma positiva, não desistam de seus sonhos e lutem sempre pelo que querem. Desejo que sejam felizes, que tudo dê certo na vida de todos. Muito obrigado.

E o lançamento do livro "Amores em Alguém"?

Foi um sucesso, graças a Deus. Senti uma grande ansiedade durante o dia todo, deu um super frio na barriga. Quanto mais ia se aproximando o grande momento, maior ia sendo minha alegria. Sem contar que nas vésperas do evento, recebi um grande apoio das pessoas, me incentivando, dizendo coisas positivas, que me tranquilizaram e me fizeram deixar tudo rolar naturalmente.

Cheguei no shopping uma hora antes e antes de entrar no lugar, ainda pararam um carro bem na frente da vaga de deficientes, mas conseguimos estacionar. Mas nada ia tirar a linda sensação do momento, pensei tão positivo que nada me atrapalhou. Entrei na livraria e naquele minuto, parecia tudo normal, tinha pouquíssimas pessoas e estava tudo tranquilo. Ao lado do meu pai, conversei com algumas funcionárias de lá. Depois, conhecemos a gerente e decidimos qual seria o melhor lugar para me instalar. Preferi ficar no meio, tendo a chance de ver quem chegava e de poder receber e cumprimentar as pessoas dos dois lados. O tempo foi passando e logo, vi que começaram a chegar os primeiros visitantes e pensei: "pois é, o evento começou e não se preocupe que tudo dará certo, aproveite este momento especial". A minha principal dúvida era em relação às dedicatórias, pois confesso que não consegui pensar ao longo do dia no que poderia escrever, fiz apenas uns esboços. Foram chegando os convidados e inicialmente pude conversar com eles, contando várias novidades, cumprimentando-0s tranquilamente e decidi começar a escrever os autógrafos para quem já estava lá.


Fui escrevendo, cumprimentando de forma atenciosa, feliz e grata, olhando nos olhos amistosamente, sorrindo em alguns momentos e conversando um pouco, mostrando a sinceridade dos meus sentimentos. A fila foi aumentando e continuei a escrever, procurando colocar palavras diferentes em cada livro. Na verdade, foi combinado que eu ditaria as dedicatórias para minhas queridas primas, durante todo o evento. Mas estava me sentindo super bem, cheio de energia, em ótimas condições e por isso, decidi continuar escrevendo. Foi uma decisão arriscada, pois na teoria, eu demoraria muito para escrever em cada livro, ficaria com o braço cansado, mas na alegria do momento, a positividade dos pensamentos me iluminaram, usei minha força de vontade e o carinho de todos. Acho que tinham anjos me protegendo durante o evento. Até o final, me mantive firme, sem dores no braço, autografando.


Teve um coquetel na livraria, com vinhos, flores, salgadinhos e pessoas especiais. Tinha fotógrafos e nào sabia para qual câmera eu olhava - acabei aparecendo com umas caras engraçadas. A fila dava até fora da livraria e se manteve assim durante um bom tempo. Foram vários amigos e parentes - gostei de reencontrá-los - e gostei de conhecer pessoas novas. Muitos se emocionaram, inclusive eu, pois foi fascinante a realização deste meu sonho, que certamente trouxe muita paz e luz a todos.



Quando a fila terminou, ainda tinham pessoas especiais ao meu lado, com um sorriso no rosto, com os olhos molhados - eu também. Puxaram uma salva de palmas para mim e em seguida, puxei as palmas para todos que estavam lá presentes, envolvidos no momento e que participaram do evento. O sucesso não foi só meu, quem fez o momento ser especial e inesquecível foram todos, que me ajudaram e me prestigiaram neste sonho.

Muito obrigado pela presença de vocês no lançamento. Obrigado aos leitores do blog do Jairo por me parabenizarem pelo livro - aos leitores do meu blog também. Obrigado por me inspirarem a continuar escrevendo, pois amo escrever. Obrigado por tudo gente.

Publicaram várias fotos do lançamento do livro "Amores em Alguém" no Portal São José - http://www.saojosedoscampos.com.br/. Ficaram muito legais, confiram.

Abraços!