Olá pessoas,
Neste momento em minha vida, viajar não é algo que acontece todo fim de semana. Uma das viagens que minha família sempre gostou de fazer é para Ubatuba, no litoral de São Paulo. Lembro que desde pequeno a praia estava entre os principais programas de fim de semana, feriado ou férias. Apesar de cada dificuldade de minha doença e de ao longo dos anos as viagens ao litoral irem diminuindo, minha família sempre deu um jeito de me levar para aproveitar as atrações do lugar.
Dos tempos em que caminhei sentindo meus passos sobre areias fofas, areias duras, areias moles, areias parecidas com pedrinhas... Dos tempos nos quais eu colocava as pernas no mar até não dar mais pé, sentindo um medinho divertido de encontrar algum tubarão ou água-viva rsrs... Dos tempos em que me via um pouco distante do guarda-sol de meus pais, enrolando ao máximo para evitar o arrepio de sair do mar... Passando pelos tempos de carregado no colo até o mar, com a cadeira de rodas atolada na areia, com boias nos braços e no pescoço... Até os instantes de apenas observar o mar do quiosque ou debaixo de uma árvore, saboreando a porção de peixinhos, apreciando o reflexo do sol sobre o mar e o céu azul envolvendo as areias de cada praia... O reencontro com a praia renova o coração do poeta que sou. E após um jejum de mais de 2 anos sem descer ao litoral, em um fim de semana com previsão de chuva e possível trânsito, pude vivenciar uma aventura que despertou a paz interior em minha alma.
Algumas vezes na vida, o tempo parece ficar fechado, mas nem por isso devemos deixar de encontrar um rastro de luz ou uma ponta de esperança para que tudo volte ao normal. O tempo só se manterá assim, se insistirmos na percepção de que tudo acabou, de que perdemos nosso brilho e aquela nossa alegria inesgotável. Nunca é tarde para recomeçar!
Depois de anos, finalmente pudemos ir com a família completa: eu, meus pais, meus irmãos e minhas cunhadas. Acordamos cedo no sábado, véspera do feriado paulista da Revolução, preparando as malas e todas as bagagens, além das adaptações completas que eu e minha mãe usamos diariamente durante a semana, que são essenciais. Não só as cadeiras que usamos, mas também outra cadeira de banho, almofadas casca de ovo e travesseiros especiais para dormir, meu aparelho respiratório Bipap com sua bateria (que uso todos os dias), minha "pescoçeira" para equilibrar o pescoço na cadeira de banho, a mesa da minha cadeira de rodas. Formamos uma espécie de caravana de São José para caber toda a equipe e todos os equipamentos rsrs Viajamos em dois carros, sendo uma picape para acomodar as cadeiras e as bagagens com maior facilidade. Depois do último "pit stop" no banheiro, foi preciso que eu entrasse no carro antes, pois minha cadeira de rodas motorizada tinha que ir primeiro na caçamba. Na correria, acabei deixando passar a falta de um assento suave para colocar sobre o banco, pois ao longo de uma viagem, um cadeirante pode sentir dor de tanto ficar sentado na mesma posição. Decidi improvisar o assento pneumático de minha cadeira para colocar sobre o banco do carro e fiquei a viagem toda sentado em cima deste assento - no fim foi uma ótima solução e não senti dor alguma tanto na ida como na volta, graças a Deus.
Com todos já nos carros e tudo preparado, a jornada rumo ao encontro com a praia começou. Acompanhando a evolução dos aparelhos de som, passou um flashe na minha mente sobre nossas viagens anteriores, quando a trilha sonora do caminho era feita com as fitas cassetes, que tinha lado A e lado B, passando pela novidade dos CD´s, chegando ao momento atual dos DVDs e pen-drives. Tudo isso foi só para mostrar o quanto o som de fundo desta viagem foi bem confortável, com variedade musical: começando com um DVD da Beyoncé, com as imagens passando na tela (que foi algo que vivenciei pela primeira vez - assistir como se fosse na TV - fiquei admirado rsrs). Em seguida, ouvimos várias músicas legais, selecionadas no pen-drive. Outra forma de passar o tempo do caminho é apreciando a paisagem que envolve cada trecho da estrada.
Escolhemos descer por Taubaté e passados alguns minutos, pegamos um congestionamento. Um hábito que sempre tenho é antes de pegar a estrada, fechar os olhos e orar pedindo a Deus que guie nosso caminho, fazendo com que tudo dê certo e que todos se sintam bem ao longo da jornada. E Deus nos atendeu, como de costume. Por sorte, o congestionamento foi só até Taubaté, pois os trechos seguintes do caminho ao litoral estavam com poucos carros e foram tranquilos. Na parte em linha reta da viagem, a paisagem vista pelo vidro do carro parece tudo igual, mas com um assento confortável e uma ótima música com imagens, o tempo foi passando. Na parte das curvas da serra, o visual começa a mudar e o trajeto ganha mais movimento com o carro virando de um lado para o outro. Para mim, essas curvas dão uma interatividade para a viagem e lembro que meu ouvido até ficou entupido. Eis que de repente, surge na paisagem o belo azul do mar, evidenciando a chegada próxima ao destino. Como é bom se sentir perto do mar, trocando o palco da cidade pela natureza litorânea. Passada a serra e alguns quilometros, li a placa "Bem-vindos a Ubatuba". A certeza do meu reencontro com a praia, surgiu em meu coração quando observei a fronteira das areias com o mar, o céu, a orla, os quiosques, os banhistas e suas famílias; quando senti o cheiro da maresia, o vento litorâneo e quando observei no céu as gaivotas voando. Chegando na Praia Grande, fomos direto ao apartamento do outro lado da rua do quiosque, onde ficamos hospedados.

A natureza é uma grande fonte inspiradora para nossas atividades. As belezas naturais encantam, purificam, relaxam corpo e mente. É algo grande e de muito valor observar como uma paisagem faz um bem enorme: um céu azul, um mar cristalino e os verdes da terra trazem as melhores sensações e harmonizam a vida das pessoas.
Descarregamos os carros e entramos para conhecer pessoalmente o apartamento, que até então, eu só tinha visto em fotos. Fomos desfazendo algumas malas e guardando o conteúdo das bagagens. Fiquei impressionado com o espaço do apartamento, capaz de acomodar bem duas pessoas cadeirantes.
Observei a cozinha e a sala, notando um conforto ao transitar pelas acomodações, até que meus olhos encontraram a sacada gourmet. Rapidamente, senti uma imensa vontade de conhecer de perto uma sacada deste tipo: abriram a porta de vidro da sala e fui entrando em contato com uma sacada gourmet pela primeira vez na minha vida. Me encantei em ver uma churrasqueira em plena sacada, ao lado de uma mesa redonda de plástico e o mais bonito, foi poder contemplar o céu e o mar de dentro do apartamento.
CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM...
Abraços!