Todo mundo gosta de ter liberdade em sua vida e de ter direito à independência, fazendo o que quer que seja sem precisar de outra pessoa. Em nós, pessoas com algum tipo de deficiência, também há este sentimento. Mas existem os momentos nos quais precisamos de uma mãozinha. Nesse caso, pediremos a ajuda necessária ou dependendo da circunstância no dia-a-dia, quem estiver perto e sentir vontade de ajudar, deve perguntar antes ao invés de sair empurrando a cadeira. Isso não é orgulho ruim (aquele orgulho egoísta) e sim uma forma eficiente de auxílio, pois só acontecerá o auxílio se nós realmente estivermos precisando e se for esclarecido como isso pode ser feito.
Existem também, os momentos em que temos prazer de fazer algo por conta própria. São as horas de nossa independência, quando pedimos para deixarem tudo preparadinho para depois assumirmos o controle de certa atividade. É como segurar um pássaro, prepará-lo e em seguida deixá-lo voar com as próprias asas. Ou seja, se nos sentimos em condições de botar em prática algumas tarefas do dia-a-dia, é importante entrar em ação, seja para exercitar o corpo, para trabalhar o movimento, a coordenação e com isso colaborar na própria saúde. Trabalhar em hobbies, desenvolver os talentos, criar obras de arte é algo que nos traz ótimas sensações, apenas pelo fato de colocarmos nossa criatividade e transmitir nossa visão de mundo e de vida. Ao terminar uma atividade e ver seu resultado final, eleva sempre nossa auto-estima, nosso amor próprio e a confiança em nossa capacidade. Esse é o orgulho bom, aquele de sentir-se feliz por começar algo e terminar, por mérito próprio. Isso é algo que não tem preço.
É preciso saber separar a hora de nos ajudar da hora de nos deixar curtir o instante alegre, da auto-realização. Praticarmos idéias e projetos nos quais desejamos seguir é só benefícios para nós, pessoas com deficiência e quem nos quer bem. Incentivar o desenvolvimento dessas atividades é melhor ainda. Movimentar o corpo faz bem para nossa saúde e nosso espírito. Se temos algum movimento, porque não usá-los para um prazeroso exercício que é viver? Vendo cada dia como oportunidade de descobrir do que somos capazes.
Mas esta atitude independente não ocorre apenas nos talentos e artes, mas também em simples tarefas da rotina, como: se alimentar (por exemplo, peço para colocarem em mim algumas almofadas nas costas e na mesa da cadeira, pois não tenho força para levantar os braços e levar a comida na boca - uso os apetrechos para me aproximar do prato e assim eu mesmo comer; consigo fazer movimentos curtos com os braços e mãos), ler (gosto de ler revistas, onde uso almofadas para aproximá-la e poder passar as páginas; e de ler livros, que é mais fácil, pois é só pegá-los para mim e segurá-los eu consigo), escrever (em caderno ou em papel, basta pegar os materiais para mim, pois ainda escrevo - um pouco lento pelas dificuldades, mas gosto de escrever - e no computador, basta pegar o teclado mais o mouse ou, se for notebook, é só colocá-lo na mesa da minha cadeira), etc. A verdade é que em nenhum momento eu estou "forçando a barra" do meu corpo, pois faço tudo aquilo que tenho condições de fazer atualmente, sinto prazer em realizar algumas "façanhas" sozinho, vejo também com um olhar de exercício e não me canso com essas atividades diárias. Pelo contrário, me sinto renovado. Novamente, não se trata do orgulho ruim, mas do orgulho bom, que faz bem para o coração, aliado à uma certa independência.
Devo lembrar que são vários tipos de deficiência, com várias causas diferentes e há uma variedade de dificuldades. Só que se as condições físicas possibilitarem a prática de algo, o que desejar, sentir vontade, vale muito a pena para o corpo, exercitando-o e adquirindo mais saúde. Sem contar, que será um hábito saudável para viver.



