quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Avatar da Nossa Vida

Olá pessoas,

Muita gente está comentando sobre o filme "Avatar", que saiu nos cinemas há uns meses e nesta semana bateu o recorde de maior sucesso cinematográfico mundial de todos os tempos. Mas para mim, muito mais importante que os números de sua bilheteria e até que a sua sinópse, é a mensagem positiva que o filme passa. No começo deste mês, fui assistir "Avatar" em 3D. Saí de lá realizado por assistir um filme incrível, emocionante e rico em detalhes. As 3 dimensões da telona, me transportaram ainda mais ao belo mundo de Pandora, que possui uma natureza exuberante, paisagens maravilhosas e uma tribo de seres conectados com a fauna e flora de seu planeta.

Na história, os humanos vão ao outro planeta em busca de novos recursos energéticos e para isso estão dispostos a tudo. Jake Sully é um ex-fuzileiro, cadeirante, que tem uma segunda chance para retomar sua função através de um avatar - achei super bacana ver no cinema um personagem protagonista e cadeirante. Achei que foi um filme empolgante, para apreciar belezas naturais, grandes emoções e para lembrar o quanto é importante cuidar do nosso planeta. É algo além disso: me fez refletir sobre o prazer de se manter uma proximidade com a natureza, sentindo-a através do ar, da terra, do mar, das árvores, dos animais e de todas as formas possíveis. Me fez pensar sobre o que alguns humanos estão fazendo da sociedade, criando fortes ambições e desejos de poder - isso acaba até se relacionando com o desmatamento e devastação da Terra


Acredito que cada um de nós tem o seu avatar, pois se há um corpo controlado pela alma, este corpo pode ser comparado a um avatar que cuidamos desde o dia em que nascemos. Não sei ao certo se a gente escolhe vir nesse avatar (depende da crença), mas penso que viemos ao mundo para cuidar dele e aprender por meio dele. A união de ambos é poderosa, fazendo a alma sentir a sensibilidade do corpo, ao ser exposto a condições e situações da vida. O avatar sofre mudanças decorrentes de escolhas que fazemos, por exemplo, quando comemos muito, vamos engordando. Nesse caso, cabe ao livre arbítrio ser capaz de nos fazer tomar as melhores decisões que pudermos ou pelo menos, decidirmos e termos consciência do que foi escolhido.

Ou as mudanças podem vir nos genes e no organismo da pessoa, por exemplo, meu avatar recebeu diagnóstico de distrofia muscular. Nesse caso, é essencial refletir sobre como lidamos, como aceitamos o convívio com as dificuldades ou com a deficiência que vamos adquirindo. Nos dois casos, percebe-se a responsabilidade que temos sobre nosso avatar, pois a dificuldade de nossa alma pode estar presente no corpo e vice-versa. O avatar de nossa vida também sofre as alterações promovidas pelo tempo, contrastando com os anos de experiências acumuladas ao longo da jornada. É incrível imaginar que nossa alma deseja diversas ações no dia-a-dia, usando o avatar para colocá-las em prática e a maneira que ele responde, que ele consegue, interfere nos sentimentos da alma.

Neste momento, nosso avatar pode estar diferente de antes, ter alguns problemas a enfrentar, alguns obstáculos para vencer, que é o que acontece comigo hoje, mas ao invés de ter um pensamento de que meu avatar possa estar "defeituoso", minha real crença é a de que posso aprender muito mais ao viver sobre rodas e ao conviver com a distrofia. O que me faz seguir em frente, viver e não desistir de lutar, é a lembrança da eternidade da alma, demonstrando que a essência que controla o corpo é a própria força divina que nos faz continuar vivendo. Ela é muito mais do que o avatar, se mostra como grandiosamente sagrada e indica o milagre de se viver o mistério de cada dia.

Um abraço para todos e para seus avatares!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

1 Ano de Trocas e Aprendizados

Olá pessoas!

Hoje é um dia muito especial em minha vida, pois meu blog completou 1 ano de vida! Estou super feliz por ter conseguido chegar até aqui, tendo compartilhado com vocês várias postagens. Sempre sonhei em ter um blog, para ver como que era e para poder trocar experiência, mas ficava com preguiça de descobrir como que fazia para criá-lo. Navegando por vários blogs, passei a gostar de escrever longos comentários, me envolvendo inteiramente com os assuntos postados. Depois, minha mãe decidiu criar seu blog e com o tempo aprendi a mexer nele. Logo, não resisti e em janeiro do ano passado iniciei minha jornada neste meu blog, Poeta Fábio Cassiano. No começo, eu estava em fase de teste e não sabia ao certo sobre o que escrever, mas tinha em mente a divulgação do meu livro "Amores em Alguém".

Após a primeira postagem, me surpreendi com os belos comentários que me escreveram. Os primeiros comentários que recebi foram emocionantes e tiveram um sabor especial, pois representam os frutos gerados pelos textos do blog. Sempre é gratificante quando vejo no meu e-mail que chegou um novo comentário, me faz um bem enorme, me deixando empolgado e contente. Todos estiveram ao meu lado nesta iniciativa do blog, me dando força e me inspirando através de palavras, a continuar escrevendo. Aproveitei o embalo do maravilhoso retorno inicial para decidir responder cada comentário que recebo, onde eu leio com toda atenção e envolvimento o que cada leitor me escreve. Depois da leitura envolvente, tento dar continuidade à opinião compartilhada e reflito sobre a visão de outras pessoas para resultar em novos valores, que se transformam em ensinamentos valiosos. Por isso, sei que a cada postagem que ofereço e a cada carinho e palavra que recebo, aprendo muito. Estou disposto a isso, no objetivo de me tornar uma pessoa melhor neste caminho que diariamente trilho.


Quando me dei conta, percebi que eu criei muito mais do que um blog. Criei um ponto de encontro virtual e ao mesmo tempo pessoal, pois aqui abro meu coração através de um texto, os leitores abrem o coração com palavras positivas. Aqui eu coloco tudo para fora, todas as idéias e sentimentos que ficam guardadas dentro de mim ganham liberdade, em busca de acrescentar algo de bom às pessoas. Minha principal intenção aqui é trazer mensagens positivas, é compartilhar as lições que conquisto na vida, é demonstrar minha visão de AMOR.

Nos dias em que me sinto bem, saber que existem amigos e familiares lendo meu blog é uma sensação gratificante, pois tudo de bom que me trazem mantém essa luz de alegria, paz e vontade de viver ao máximo. Nos dias difíceis, dou uma passadinha aqui para relembrar dos textos escritos, dos comentários maravilhosos que levantam meu astral, da fidelidade dos seguidores, vindos dessas pessoas incríveis. É bem bacana ver que o blog tem vida, pois muito mais do que frases digitadas, número de visualizações ou comentários, existem pessoas por trás de cada gesto e iniciativa. Estou deste lado do computador e sei que vocês, presentes do outro lado estão bem próximos de mim, trocando boas emoções, me incentivando fortemente. Em tudo o que se faz com amor no coração, a sensação é de que todo mundo está próximo, entrando nesta atmosfera de vibrações positivas, de sinceridade e cumplicidade.

Ao longo deste 1 ano de trocas e aprendizados, contei ótimas novidades, escrevi textos de reflexão, relatei fatos do meu cotidiano, falei de livros e autores que gosto de ler, dei nota 10 ao blog no quesito leitores (com certeza neste ano será nota 10 também), compartilhei poesias em homenagem às mulheres, às mães, à São José dos Campos e aos pais, mostrei a magia da palavra "você", narrei em detalhes o lançamento do livro na livraria Max Sigma, a noite de autógrafos no bar Mad Jack e minha participação no programa Et Cetera da TV Aparecida, escrevi sobre minha visão de alguns assuntos do universo das pessoas com deficiência (inclusive aqueles de minha vivência), desejei votos de fim de ano, contei como foi o 2º Encontro do Jairo e escrevi uma postagem exclusiva sobre minha doença (DMD - Distrofia Muscular de Duchenne), suas dificuldades e as lições que aprendi convivendo com ela.

Tudo isso que escrevi é para comemorar ao lado de vocês o 1º ano do blog! Graças a Deus consegui me manter aqui firme e forte, sem desistir de cuidar dele para trazer a mesma alegria que recebo aos meus queridos leitores. Gente, MUITO OBRIGADO por fazerem o sucesso do blog, pela participação de cada um lendo, seguindo e comentando no meu humilde cantinho da Web. Sempre será um PRAZER receber a presença de todo mundo aqui, que é super bem-vinda. Fico muito FELIZ por encontrá-los a cada texto novo que escrevo, sou ABENÇOADO por ter suas companhias. Agradeço pelo carinho, pelo incentivo, pela luz e pela emoção que me tocam sempre. Que venham várias novas postagens para trazer mensagens positivas para vocês, que com certeza vou APRENDER com esta imensa demonstração de AMOR que ganho.

Um grande abraço!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

P.S.: Um Encontro Especial

Olá pessoas!

2010 chegou com boas energias para colocarmos em prática tudo o que ficou pendente no ano passado. E claro, pensarmos em novas metas, novos sonhos e desejos, em busca de uma vida plena e próspera. Existem momentos de 2009 que continuam sendo marcantes na vida de cada um, pela grandeza de emoções geradas. Para mim, um deles foi o Segundo Encontro do Blog "Assim Como Você", do meu amigo Jairo Marques. O evento aconteceu no Shopping Paulista, no dia 24 de outubro de 2009. Com a correria no fim do ano, não tive oportunidade de escrever sobre o que senti sinceramente em relação ao contato com a galera, às surpresas que rolaram, enfim, a imensidão de amor compartilhado. Mas acredito que a alegria que senti naquele dia, vai durar para sempre, as lembranças vão me acompanhar profundamente, por isso, gostaria de abrir meu coração e contar para vocês como que foi o evento.

Semanas antes do encontro, fui convidado pelo Leonardo Feder para escrevermos um discurso bem bacana para o evento. Poucos dias antes do encontro, tinha terminado de escrever uma proposta de texto. Com a ajuda do Leonardo, que me deu algumas dicas, decidi escrever um outro texto, usando mais emoção. Faltando um dia para o evento, minha mãe leu o meu texto e me ajudou, acrescentando frases super legais que certamente tornaram o discurso ainda mais envolvente, representando a nossa importantíssima causa e rico em significados. Para mim foi uma honra e um prazer ter participado dessa homenagem ao Jairo através de um discurso que representasse a "dominação do mundo". Apesar do frio na barriga que tivemos por conta daquela expectativa de "será que o pessoal vai gostar?", "será que condiz com a essência do blog?", dentro de mim vinha a sensação de que escrevemos usando nossa percepção mais funda possível.

Quando me vi na manhã do dia 24/10, um sorriso tomou conta de mim e contagiou todo o ambiente à minha volta. Me senti ansioso, contando os minutos até que chegasse a hora. Os crachás exclusivos feitos pela Bia (que ao lado do Leonardo, cuidou da organização do encontro) estavam preparados para o grande momento - e como poderia colocar o apelido que o Jairo batizou alguns leitores, o meu crachá me nomeou como "Poeta". O crachá ficou tão bonito que até hoje guardo comigo, para me trazer boa sorte e a recordação de que a vida nos leva a lugares e pessoas que nos iluminam intensamente.

Imprimimos o discurso para entregar ao orador quando chegasse a hora da surpresa. À tarde, estavam em casa meus pais, meus irmãos e minhas cunhadas e juntos, pegamos estrada para ir à São Paulo. O coração foi batendo cada vez mais forte, até que finalmente achamos o shopping e no estacionamento, a vaga especial estava lotada, indicando que muita gente "matrixiana" estava presente lá. Procurando o bar, local do evento, eu pensava: "Que grande alegria estar aqui, tendo a oportunidade de rever o Jairo, a Thaís e conhecer pessoalmente vários leitores, que pelos comentários que nos escreveram, podem ser chamados de amigos!".

Avistei o bar e deu para sentir as vibrações positivas vindas das mesas e logo percebi que estava lotado de gente que acompanha o blog do Jairo, seja "matrixiana" (pessoas com algum tipo de deficiência) ou 'infiltrada" (pessoas que não possuem deficiência, mas que participam de nossa causa). Na entrada, encontrei a Thaís, que logo abriu um sorriso quando viu que conseguimos marcar nossa presença e isso foi muito bonito de se ver, porque além do sorriso, havia lágrimas de felicidade. Dentro do bar, a segunda pessoa que encontro é o Jairo, que já estava super emocionado em nos ver chegando, senti o quanto ele se abre às pessoas, demonstrando humildade, simplicidade e o quanto ele se envolve de corpo e alma com a história de cada um. Com isso, eu só poderia estar feliz, pois a emoção passou para mim através dos sentimentos mais nobres que existem. Vi pessoalmente um cara de quem sou muito fã, com lágrimas nos olhos ao nos ver - é um gesto de total entrega, um gesto que mostra a benção de se viver bem cada detalhe.

Olhei para o bar e notei um ambiente familiar, onde todo mundo compartilhou um pouco de si e de sua história com alguém. Não foi possível conversar com todos, mas apenas o fato de ver as expressões de carinho no rostos, foi algo que fez bem para o coração. No começo não sabia muito para onde ir. Mas foi aí que, observando o bar, alguns leitores se aproximaram e me cumprimentaram de modo simpático e caloroso, além de me dizerem palavras tão belas, tão motivadoras, tão ricas em ensinamentos. Pude conhecer e ter um dedo de prosa com a Adriana Moraes, o Amauri, a Bia, a Cybelle, a Dulce, a Isa Grou, o Leonardo, a Letícia, a Paulinha, a Renata, o Ricardo, o Rogério e o Tadeu. Claro que se desse, eu conversaria com mais pessoas que estavam presentes ou com todas e acharia legal conhecer suas histórias. Foi uma emoção estar ao lado de grandes exemplos de superação, de gente que diariamente tem desafios a vencer, de gente que já colhe belos frutos por não ter desistido e ter seguido em frente. Naquele dia, eu aprendi muito, aprendi que o amor tem o poder de transformar idéias em realidade, em conquistas. Aprendi que a união promove grandes feitos, fazendo com que uma causa possa ser alcançada e compartilhada. Aprendi que quando trocamos gestos com sinceridade e carinho, todas as pessoas envolvidas são beneficiadas.















Depois de comer algumas batatinhas, fui convidado para dar uma entrevista à TV Libras e isso para mim foi uma honra e um prazer. Foi uma ótima oportunidade para passar alguma mensagem positiva às pessoas e enquanto ia em direção à câmera, fiquei pensando sobre o que poderia falar e como falaria. Estacionei a cadeira entre a entrevistadora e a intérprete da linguagem de sinais. Combinei com a produtora os assuntos que seriam abordados e logo, acabei contando sobre o meu cotidiano, minhas conquistas e meu livro. No instante da gravação, ia falando sobre cada assunto e aproveitava para dar um gancho de um para outro. A entrevistadora fez uma pergunta e procurei mostrar o quanto é bonito viver.

Aproveitei para bater um bom papo com a galera e até deu tempo de compartilhar exemplares do meu livro "Amores em Alguém" com a Adriana Dutra, a Adriana Moraes, a Isa Grou, o Leonardo e a Letícia. Teve foto também para guardar de recordação. Adoro essa parte da foto e a parte de escrever a dedicatória (onde penso em uma frase bem legal e sincera), além da parte na qual eles recebem o livro assinado, com sorrisos e brilhos no olhar e faço questão de agradecer por tudo isso. É incrível poder compartilhar as poesias, tão profundas, com quem vai ler, acredito que o amor em versos, vale a pena ser passado adiante.


Pouco tempo depois, veio a surpresa para o Jairo. Nada mais, nada menos do que o discurso escrito por mim e pela minha mãe, escrito de coração e de acordo com os assuntos do universo "matrixiano". Aguardamos quem seria o orador do texto e o escolhido para esta tarefa foi o Amauri, cujo crachá estava invisível (risos).

Nos primeiros parágrafos, o Jairo sentiu uma emoção muito forte e as lágrimas rolaram em seu rosto. Esta emoção passou para dentro de todos que estavam presentes, tocando fundo a alma.


Impossível não se emocionar ao ver o quanto ele chegou longe com sua iniciativa do blog, ao ver quanta gente ele juntou e mobilizou na causa, ao ver quanta inspiração, luz e esperança trouxe à nós. O Jairo foi totalmente transparente, colocando para fora tudo o que se passou em seu interior, trazendo mais amor ao ambiente. Em seguida, as palavras vieram dele: agradecendo pelas bençãos conquistadas, lembrando que continuaremos seguindo-o na dominação do mundo e observando que estamos caminhando para ter igualdade nas diferenças. Enfim, ele fez um grande desabafo e sentiu ainda mais emoção. Para dar o toque final no momento, a Thaís trouxe um presente exclusivo ao Jairo. Dentro de um tubo, ela tirou o desenho com um retrato dele, feito pelas mãos mágicas da Inês Cunha.

Quando vimos, já estava na hora de ir. Então, eu e minha mãe fizemos questão de passar de mesa em mesa e nos despedir de cada um. Gostei muito dessa nossa iniciativa e mesmo neste tempo de cumprimentos, deu para sentir um carinho fascinante por nós e claro que este carinho é recíproco, porque recebemos sensações tão belas vindas dos leitores do blog do Jairo (que já são amigos). Agradeço por toda essa energia que nos passam e por tudo de bom que nos trazem, nos oferecendo um estoque extra de força para continuar seguindo em frente. Me despedi da Thaís, falando da minha alegria de participar do encontro e agradecendo, ela ficou contente com nossa presença e falou que seria ótimo nos ver em novas oportunidades.

Por fim, me despedi do Jairo: agradeci a ele por tudo o que fez e faz por mim, por toda ajuda e por toda indicação, que gerou chances de contarmos um pouco da nossa história. Ele falou que eu sou o cara, mas não acho que eu sou tudo isso. Sei que hoje sou uma pessoa melhor, mas o Cara mesmo é o Jairo (até falei para ele). Não é o Lula nem o Obama.
O Cara é o Jairo. E ele merece colher as vitórias de tudo o que plantou desde a primeira postagem do "Assim Como Você".

No encontro, senti falta da Aldrey, da Débora (Déb´s), do Evandro, da Glória, da Inês, da Lak, do Luís Daniel, da Maysa, do Rodrigo Almeida, da Silvia Dutra e de todos que não puderam ir. Por isso quero dedicar esta postagem para eles também. Sei que haverão muitos outros eventos para nos vermos pessoalmente.

Além disso, dedico esta postagem a todos os leitores do blog do Jairo e aos leitores do meu blog.

Para fechar com chave de ouro, coloquei o link do video do Segundo Encontro no You Tube, para relembrarmos o belo momento que compartilhamos juntos. http://www.youtube.com/watch?v=I-yZ2R79xek

Gente, muito obrigado por tudo!

Abraços

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Bem-vindo ao Novo Ano

Olá pessoas!

O Novo Ano se aproxima de nossas vidas. Ele simplesmente vai passando até chegar bem perto de nós e virar o presente de cada dia. O tempo age e nunca pára, seguindo em frente e sem voltar, sem esperar que nos preparemos para as novidades que estão por vir. Mas aproveitando este clima de celebração da vida, de maior sensibilidade para as emoções, de reflexão sobre o ano que está acabando, a melhor opção é ver com positividade o futuro. A virada do ano pode acontecer com alegria e abertura total do coração para o amor.

Quando estamos no primeiro dia do ano, é como se ganhássemos um livro em branco e tivéssemos de completá-lo ao longo de suas 365 páginas, ou seja, de todos os seus dias. É este espírito que pode e deve transformar nossa essência, renovando o estoque de energia e de esperança para dias melhores.

Se o ano de 2009 terminou bem, com sensação de dever cumprido e com felicidade, por que não começar o 2010 agradecendo pelas bençãos? Quando estamos bem, tudo acaba fluindo naturalmente, o pensamento positivo predomina e conseguimos encarar as dificuldades de frente, com força total. Aí é que o caminho se abre para que busquemos a evolução espiritual, procurando lidar com a vida em forma de aprendizado, onde cada momento gera lições valiosíssimas. O aprendizado se torna ainda melhor quando passamos a agradecer pela nossa vida, por tudo o que faz parte dela, quando passamos a colocar honestidade, humildade e dignidade em nossa alma, tanto nas palavras que expressamos como nas ações que praticamos.

Se o ano de 2009 não acabou tão bem, de modo desanimado e sem sal, por que não desabafar as dores e recomeçar? Podemos nos inspirar no significado da Virada e transformar pensamentos negativos em positivos. Podemos procurar no fundo de nosso coração, aquela força extra e usá-la para iniciarmos do zero e construirmos uma vida equilibrada. Nas horas de dúvida e medo, lembremos que o amor divino é poderoso e digno de grandes vitórias. Podemos confiar em nossas capacidades, absorvendo todo o carinho das pessoas à nossa volta, que nos enviam sempre boas vibrações e nos dão a mão naqueles instantes em que caímos - nos levantam e nos confortam.

Abaixo, compartilho com vocês um texto que escrevi com minha mãe, Marli Cassiano (http://www.otempoqueexisteemnos.blogspot.com/). Este texto representa com toda sinceridade, o que desejo a cada um de vocês, que tornam os meus dias emocionantes.


Que a chegada do próximo ano aconteça com infinitas possibilidades e que tenhamos sabedoria para escolher as melhores. APRENDER...
Que cada uma dessas escolhas nos transformem em pessoas melhores, mais humanas, capazes de perdoar. ASCENDER...
Que as pequenas bençãos diárias sejam milagres, já que o maior dos milagres é a própria vida. AGRADECER...
É encontrar na felicidade ou na dificuldade o presente eterno enviado por Deus... A celebração da fé inabalável do nosso Cristo interior.
Que todos tenham um Ano Novo Iluminado.

Felicidades e Boas Festas!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O Dia da Renovação

Todo ano tem começo, meio e fim. Nos primeiros meses, planejamos realizar tantos sonhos e desejos, em busca de uma vida ainda mais feliz. Quando se vê, o meio do ano chega e refletimos sobre os imprevistos que surgiram, adiando alguns projetos de nosso interesse. As férias de julho recuperam nossas energias para novos desafios e conquistas. Na reta final do ano, a rotina se torna corrida, acumulando tantas questões que ficaram de ser resolvidas. Isso nos deixa bem cansados e não nos permite viver muitos momentos ao lado de quem amamos.
Após vencermos o acúmulo de responsabilidades, usando a grande força interior, conseguimos encontrar a luz. É a hora das férias e festas de fim de ano.
Finalmente surge a oportunidade de falarmos com quem amamos. A tradição de comemorar datas tão belas e divinas é o convite certo para o amor. Esta é a chance para unirmos nossas vidas em forma de benção e assim aproveitarmos para demonstrar o que sentimos a cada um. Vamos adotar esta idéia, não adiar mais a expressão da nossa admiração e carinho pelas pessoas que fazem parte de nossa vida. Vamos deixar de lado as diferenças, as opiniões contrárias, os julgamentos injustos e o orgulho que às vezes nos impede de abrir o coração nas datas especiais. Lembremos que o ato de manter uma só voz na celebração, nos ensina que “unidos temos mais força, mais amor e mais crença na superação".

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Meu "eu robô"

Olá pessoas!

Contatos iniciais com o meu "eu robô"

Como falei nos textos anteriores, atualmente uso uma cadeira de rodas "elétrica", ou melhor dizendo, motorizada. Tudo começou no ano de 2004, quando meu corpo exigiu algumas adaptações para cadeira. O momento era de inovação: já que teríamos de trocar a cadeira por um novo modelo e eu já não conseguia me locomover com a normal, decidimos aproveitar o embalo para adquirir uma cadeira que se move com o clicar dos botões. "Freedom", palavra que nomeia a cadeira e para mim foi justamente seu significado que passei a usufruir - liberdade, independência, autonomia. Minha era robótica havia se iniciado a partir daquele ano.


Me transformando em "robô"

Por eu presenciar uma transição em minha vida, de um modelo de cadeira sem adaptações e com minha posição acomodada, para um outro adaptado, confesso que não passei a usar rapidamente quando estava com a novidade em casa. Nos primeiros meses, meu corpo não conseguia se moldar na postura correta da nova cadeira e ainda não estava pronto para sair por aí dirigindo que nem doido. Primeiramente, usava só dentro de casa. A minha cadeira motorizada é controlada por um "joistick" - um controle direcional - e pelos botões de "liga/desliga", "turbo" (esse botão uso só de vez em quando) e por um que chamo de "liberar" - serve para quando tiver um obstáculo difícil e precisar de alguém, permitindo que seja mais fácil empurrar a cadeira. Acontece que nas primeiras voltas, o movimento vai sendo feito aos "trancos e barrancos", pois o controle direcional é sensível e qualquer força a mais com a mão se torna radical. O toque tem que ser de leve, coisa que só aprendi com a prática. Passei a praticar as manobras básicas no quintal de casa, onde inventei um caminho imaginário de curvas e retas para descobrir a velocidade correta, para desviar de obstáculos, para dar ré, para descer e subir rampas, etc. Todo dia, dava pelo menos uma volta no circuito invisível que criei. Até então, o treino foi no quintal vazio, sem pessoas passando por perto.

Riscos, marcas de pneu, lascas de madeira e cia

É claro que um "robô" no dia-a-dia é difícil de se manter sem que haja algum risco na parede ou nos móveis. Dentro de casa tenho que estar atento às curvas e portas mais apertadinhas, à proximidade dos objetos, ao espaço para manobrar, ao meu cachorro que deita a qualquer hora e em qualquer lugar. Deixei muitas marcas de pneu nas paredes, tirei lascas de madeira de alguns móveis, estraguei a proteção de borracha na mesa que vem junto com a cadeira, passei por cima de tênis, sapatos e chinelos. Sendo "robô", também sofri panes no sistema e tive de substituir peças por novas. Uma vez um dos pneus foi furado por uma tachinha danada - como foi no ensino médio, na escola, tachinha era o que mais tinha - num dia no qual estava fazendo um trabalho extra, para atender um grupo de alunos de outra cidade e acabei sendo liberado pela falta de um bom pneu. A pane aconteceu na faculdade, em plena chuva de verão, momento em que entrou água no controle, deixando os botões doidos, fazendo tudo ao contrário: o comando para trás movia a cadeira para frente e vice-versa. No fim das contas, o controle voltou ao normal. Em relação à atropelamentos com a cadeira motorizada, pouquíssimas vezes ocorreu alguma trombada ou passada por cima do pé de alguma pessoa. E nunca foi por maldade - talvez desatenção ou reflexo rápido mas não o suficiente para desviar de alguém. De qualquer forma, sempre piloto com atenção, observando qualquer passo a mais de quem estiver a minha volta, que possa causar algo de errado.

Novos horizontes

Em 2005, passei a usar minha cadeira motorizada não só em casa, mas também durante as aulas na escola. Na minha estréia robótica, a galera da sala tinha reparado na novidade, mas tiveram certeza da mudança na hora em que com o simples toque no botão, me locomovi através da cadeira. A partir daí, o contato do meu "eu robô" com as pessoas se tornou cada vez mais frequente. Nas semanas iniciais, entrava direto na sala, sem me arriscar nas rampas e obstáculos que existiam na escola. Com o tempo, percebi que dava sim para ficar do lado de fora da sala com os amigos e outros alunos. Estava muito bem treinado para isso. Claro que com gente perto, a atenção tem que ser redobrada. Geralmente eu estacionava ao lado de um banco mais tranquilo, aguardando a chegada do pessoal. Era um dos primeiros da sala a chegar. Até que tocava o primeiro sinal e era hora de partir, pois alguns alunos começavam a ir para suas salas. Mas no segundo sinal, a muvuca era geral, muita gente se aglomerava perto da entrada, coisa que um "robô" não se sente à vontade. Dependendo do andar onde estudava, precisava subir as rampas de um nível para outro, muitas vezes tinha gente subindo do meu lado, diminuindo o espaço físico para a subida - costumava ficar no canto direito, para facilitar a curva e seguindo sempre em linha reta. Para descer era mais fácil, mas tinha que ir com velocidade reduzida para não ir com tudo na descida, sem contar que no final das rampas, a chance de de repente aparecer alguém era grande. Com o tempo, a escola foi criando acessibilidade que facilitava para um cadeirante robótico e isso me ajudou muito - certamente ajudará os próximos cadeirantes que estudarem por lá. A iniciativa que mais me encantou foi a Mega Rampa que fizeram para o acesso à biblioteca, que antes só era possível por meio de escadas que davam para um andar abaixo. Realmente senti a impossibilidade de entrar na biblioteca, pois para alugar livros, alguém precisava fazer isso por mim, mesmo eu tendo liberdade com a cadeira motorizada. Foi difícil não conseguir pegar livros de meu interesse por causa de um grande obstáculo. Bom, mas o dia em que a rampa estava liberada para minha primeira visita à biblioteca, foi emocionante, senti a alegria de mais uma possibilidade aos estudos, gravei o cenário de mais um lugar na mente. Me tornei um grande visitante do lugar, aluguei vários livros, consegui acompanhar meus amigos nos trabalhos feitos na concentração e silêncio da biblioteca. Enfim, foi muito bom.

Liberdade de lazer e entretenimento

Minha vida robotizada não parou por aí. A autonomia que conquistei, me abriu literalmente novas portas, inclusive para meu lazer e entretenimento. Isso me permite sair de casa, ir ao teatro, ao cinema, aos eventos, ao shopping, entre tantos outros lugares. No teatro, me deixam e me buscam sem preocupações, me oferecendo oportunidade de me divertir com as peças e ainda no final, poder tirar foto e conhecer grandes atores dos quais sou fã. No cinema, posso eu mesmo escolher em que lugar ficar, entrar e sair ao lado dos amigos ao invés de na frente de algum deles, que estaria me empurrando. Nos eventos, é possível ir naquela obra que me chama atenção, de forma natural, podendo olhar com tranquilidade cada atração, me envolvendo profundamente com cada evento, com o espaço em que acontecem. No shopping, igualmente. Há facilidade para eu rodar por todas as lojas, olhar as vitrines e se possível entrar nas lojas, ir para um canto mais reservado ou cheio de gente, ir na praça de alimentação, comprar alguma coisa, enfim, aproveitar como todos. Shows também passaram a fazer parte da minha lista de diversão, a partir da ida ao show da minha cantora preferida, Ivete Sangalo, que me surpreendeu pela oportunidade de entrar no camarim, ao lado de minha família e ficar uns 10 minutos conversando com a minha ídola. O meu "eu robô" permitiu tudo isto: um conjunto de possibilidades positivas para viver.

Meus "eus"

Quando sou "robô", preciso carregar as baterias, ser "desmontado" para caber no carro, usar a mesa da cadeira, evitar água de chuva ou de qualquer outra fonte, encontrar rampas e obstáculos fáceis de serem vencidos, ligar ou desligar, dar um turbo para rodar mais rápido, "liberar" a cadeira para me empurrarem, mover o botão direcional no rumo que desejar, - frente, trás, direita e esquerda - trocar os pneus e outras peças.

Quando sou "eu mesmo", a alma que guia minha vida, uso o motor da cadeira para ir atrás de sonhos, de lugares, de momentos especiais e para estar ao lado dos meus queridos amigos e da minha querida família. Junto disso, as emoções vão me acompanhando, me fazendo sentir como independente e liberto para voar, quer dizer, rodar pela imensidão de possibilidades. Ser livre para aproveitar cada momento e poder ter uma auto-realização é algo que não tem preço. Melhor do que ter bateria para me locomover aonde quer que eu esteja, é pensar com o coração de que maneira usarei essa dádiva para aproveitar o amor que existe ao meu redor, estando presente nos instantes mais propícios a qualquer forma de se amar uns aos outros.


Quando sou os dois "eus", a cadeira e seu sistema (com botões, fios, motor, circuito) fazem parte do meu corpo. Uma curiosidade bacana é que como pessoa com deficiência que sou, que possui um novo olhar sobre uma cadeira de rodas e de um sentir mais profundo dos toques, consigo sentir quando alguém toca na cadeira, parecendo que o toque foi em mim. Quando uma pessoa interage com minha cadeira, ao passar levemente as mãos sobre minha mesa (por exemplo), a sensação é que ela está presente no momento, que está envolvida no que tenho a dizer, enfim, compartilhando vibrações positivas comigo.

Ter uma cadeira motorizada é muito mais do que me locomover - é ter autonomia e asas para simplesmente, tentar aproveitar ao máximo tudo aquilo que a vida tem a me ensinar e me emocionar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Progressão no corpo, progresso na alma

Olá pessoas!

Faz mais de um mês que não passo por aqui para compartilhar algo com vocês, meus queridos leitores. Senti muitas saudades. Por vários fatores acabei não criando a oportunidade de escrever sobre algum assunto. Estou renovado para novos textos e espero recuperar o ritmo para escrever com maior frequência. Hoje o tema será profundo: a relação entre a progressão da minha doença - a Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), cuja ação causa a degeneração do tecido muscular - e o meu progresso como pessoa, como ser que constantemente aprende com sua vida.

Como descrito nas linhas anteriores, a DMD se caracteriza por ser progressiva, ou seja, sua ação vai evoluindo ao longo dos anos e degenerando os músculos, dificultando seus movimentos. Isso torna minha vida uma aventura, pois de tempos em tempos, é preciso parar e pensar em como resolver barreiras novas que vão surgindo. Na minha infância comecei a ter dificuldades para andar e fazer algumas outras atividades simples para as outras crianças. Pela experiência do cotidiano, passei a perceber que ficava um pouco "para trás" em qualquer exercício físico. Até então, somente minhas pernas sofreram com a progressão. Quando vi, já estava usando uma cadeira de rodas, quando vi meus braços enfraqueceram e nem movimentar a própria cadeira conseguia. A dependência aumentou, os desafios se multiplicaram, a acessibilidade nos lugares usando os pés se transformou com as rodas.

O tronco do meu corpo virou progressivo, me obrigando a procurar melhores adaptações para frear o ritmo contínuo de adversidades. No meio disso, a cadeira de rodas motorizada foi uma vitória, me dando oportunidade de voar, ou pelo menos planar acima do chão - metáforas de lado, ganhei um pouco mais de autonomia. Para segurar a gravidade que lutava contra mim, contei com as adaptações específicas para minha necessidade naquele instante. Contei com outra surpresa (pois mesmo sabendo que o futuro me reservaria obstáculos, não me sentia antecipadamente preparado para enfrentá-los e quando chegavam, apenas após assimilá-los eu encontrava a força): os pulmões foram afetados na capacidade pulmonar, levando-me àa trabalhar a respiração. Quase que simultâneamente, coletes para segurar a postura estavam em fase de medidas e testes. Depois, meu pescoço pareceu estar com um parafuso a menos: sustentar a cabeça ficou difícil, necessitando de um encosto de cabeça na cadeira. A segunda reforma geral na cadeira, surgiu em busca de manter a postura da coluna e de todo o tronco por meio de um novo colete, dessa vez mais moderno, além de ser frente e verso. Novas órteses para reposicionar os pés, assento novo, estrutura nova. Tudo graças a uma amiga muito especial que me presentou com as novidades em adaptações - nunca deixo de agradecer quando lembro deste maravilhoso gesto.

Agora, cá estou eu seguindo em frente com minha cadeira motorizada, procurando viver sem ter a vergonha de tentar ser feliz. Minha dependência de outras pessoas vai aumentando com o tempo e as opções de atividade exclusivamente sozinho vão se reduzindo. Junto à essa progressão, a atrofia do corpo se faz presente: as pernas não esticam, os dedos precisam de exercício para manterem suas extensões - isso interfere na minha própria tarefa como poeta, a de escrever, onde o toque direto no papel, da escrita rascunhada feita à lápis, cheia de rabiscos nas folhas, toda desorganizada, mas que no final de tudo se tornava uma obra pela qual sempre sentia carinho. Ainda sinto esse carinho, mas a eficiência no teclar dos botões computadorizados predominou e desde então, uso mais o teclado para digitar praticamente tudo, inclusive minhas próprias poesias. Até quando vai durar este período mais neutralizado em que me encontro? Não sei. É um mistério. Sei que algo pode aparecer daqui para frente. Espero que não, mas conviver com a palavra progressão é uma grande luta.


Mas se estou aqui contando esta história verdadeira para vocês, em um blog que criei no começo deste ano (que era um sonho antigo meu, confesso), é porque existe algo dentro de mim que me mostra o caminho. É o progresso da minha alma. Trata-se da transformação do meu ser, da troca de experiências que a cada momento, me faz uma pessoa melhor, mais de bem com a vida, mais do bem, mais confiante, mais forte, mais... aprendiz. Na infância, já fui tímido a ponto de me cumprimentarem e eu não retribuir; já fui anti-social e solitário - mas mesmo assim tive amigos muito especiais. Na adolescência, já fui rebelde com algumas coisas, já procurei prazer na comida, tanto que engordei muito - mas depois emagreci e encontrei um melhor sentido para a vida. Já fui um adolescente que não sabia perder nos jogos, já cometi erros que não pude reparar, já tive uma época em que xingava, em que dizia palavras duras. Durante esse período, aproveitava a vida em certas coisas, mas ao mesmo tempo, desistia frequentemente, até tentava escondido, rezar por um milagre, colocando os pés no chão e tentando levantar em um passe de mágicas, mas claro que não dava certo. Isso tudo que escrevi, muita gente não sabe. Nem sempre fui a pessoa bondosa que sou hoje. Relativamente não faz tanto tempo assim que me tornei alguém com bondade no coração. No passado, fui um adolescente que tinha uma baixa auto-estima por mim mesmo. O progresso que tive na alma foi aparecendo a cada ano, a cada luta que tinha que fazer para continuar seguindo em frente. Apesar das recaídas e dos acidentes de percurso, algo me fazia acreditar na vida. Na infância, na adolescência e na minha juventude, eu era movido pelo amor - aquele amor de um menino por uma menina, de um adolescente por uma garota, eu amei tanto que todo dia, acordava alegre só para ver cada amada, só que de forma secreta.

Enquanto o corpo sofria, minha alma foi descobrindo cada vez mais o amor e progredindo sua essencia mais profunda. Até que chegou um belo dia, no qual o amor que sentia me transformou em um quase poeta, que escrevia tipo uma vez por ano. Surgiu uma nova paixão, que se tornou musa das minhas primeiras poesias. Aí a frequência com que eu escrevia virou mais um progresso em minha vida. O amor me abençoou com um talento que na época eu fazia inocentemente por hobbie. Mas as poesias não foram só isso, elas eram a fonte de minha força (e sempre serão), pois quanto mais eu colocava para fora o amor, melhor eu me sentia, melhor eu me conhecia, melhor eu me descobria, melhor eu transformava minha auto-estima. Isso tudo foi me conduzindo para outro tipo de amor: o amor incondicional, desejando não só o bem das minhas paixões, mas também de todos ao meu redor. Passei a me inspirar na própria vida e em como ela possui um amor imenso. O amor me mostrou que eu poderia deixar de ser egoísta somente com meus problemas, por maior que eles fossem, e ajudar ao próximo da mesma maneira que sempre fui ajudado. A cada ajuda que oferecia, em troca me sentia melhor ainda e aprendia o quando é bom praticar o bem. A partir daí, o amor foi se multiplicando em novas palavras no meu vocabulário - bondade, humildade, honestidade, generosidade, perdão, servir, dignidade, simplicidade, sinceridade, carinho, respeito, companheirismo, gentileza, entre tantas outras muito especiais.

Unindo esses amores, o pelas musas e o pela vida, o progresso na alma foi se tornando cada vez maior. Na mesma proporção que a progressão foi agindo, o progresso no meu interior foi se formando, resultando na pessoa que sou hoje, que aprende com seus erros, que aprende independente do tempo estar bom ou ruim, que busca evoluir espiritualmente, que luta para realizar os sonhos... Que ama muito todos que fazem parte de sua vida, que ama muito toda sua família, que ama muito todos os seus amigos (os que convivi, os que convivo e os que conviverei).


Maior do que todas as dificuldades, maior do que qualquer coisa que seja progressiva, maior do que tudo o que acontece com meu corpo, maior que qualquer vontade desistir, é o progresso que constantemente vai se acrescentando dentro de mim. Meu coração sempre estará aberto para que entre tudo de bom e de sábio que a vida me reservar, através de lugares, momentos e pessoas inesquecíveis. Ser sábio é lembrar que sempre estamos em processo de aprendizado, até o final de nossas vidas.

Logo menos, volto com mais textos bacanas.

Um grande abraço!