quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Afilhado de Sorte

Olá pessoas,

No primeiro dia deste mês, num sábado à noite, tive a grande alegria de receber a visita dos meus queridos padrinhos e de minha querida prima, para colocar as novidades em dia. É que fiquei um longo tempo sem vê-los por conta de suas viagens em outros países: meu padrinho nos EUA; minha madrinha e meus primos na Argentina. Me senti feliz por eles terem aproveitado e curtido belos momentos durante suas estadias. Naquele sábado, eu tinha acabado de chegar de um passeio ao shopping e já era início da noite. Foi aí que recebi a maravilhosa notícia de que meus padrinhos me fariam uma visita.


Assim que chegaram, me senti imensamente feliz por poder matar as saudades e pela chance de conversar com eles, compartilhando todas as notícias. Me cumprimentaram com imenso carinho e entusiasmo, tornando o instante emocionante. Trocamos lembrancinhas entre nós: eles me deram uma camiseta azul com palavras em argentino e uma camiseta azul com o logotipo da Nasa - adorei o generoso gesto deles, por se lembrarem de mim através dos presentinhos, muito obrigado, fiquei super contente por saber que tudo isso representa a demonstração de todo o amor incondicional que sentem por mim e é fortemente recíproco. Dei uma caneca escrito "Super Padrinho" e outra escrito "Super Madrinha", para adoçar com amor cada bebida que eles prepararem em suas novas canecas - cuja arte impressa foi feita de coração pela minha cunhada Leandra - e para completar, dei meu toque de Poeta aos presentinhos, escrevendo um texto homenageando meus padrinhos e meus primos, além de agradecer por tudo o que fazem por mim. A pena é que o texto foi impresso de uma forma criativa, porém ficou na gráfica e não o peguei a tempo. Foi aí que decidi ler o texto para eles, em voz alta e direto do computador, para completar as lembrancinhas. Ao longo da leitura, procurei sorrir com toda minha sinceridade e olhar nos olhos de cada um. Meus olhares foram correspondidos junto de sorrisos e com o tempo, as lágrimas de boa emoção foram aparecendo em seus olhos. É nessas horas, que fico maravilhado por perceber que presentear com palavras é algo mágico, encantador e abençoado por Deus.

E é por tudo isso, que senti uma enorme vontade de compartilhar com meus queridos leitores e cada visitante que passar por este singelo blog, este texto-homenagem aos meus padrinhos, aos meus primos e toda sua família. Quando criança e adolescente, confesso que minha timidez me vencia e nem sempre eu conversava sobre tantos assuntos com meus padrinhos - eu não fazia de propósito, apenas tinha uma vergonha de falar com as pessoas, inclusive as da minha família e não entendia nem sabia a razão. Mas o amor que sinto por eles sempre foi intenso, repleto de orgulho, respeito, admiração, gratidão, sinceridade, bondade e alegria. Agora como adulto, tenho consciência do quanto é valioso conversar com eles, tenho a sabedoria e a humildade de reconhecer que já aprendi e ainda posso aprender muito mais com eles. Hoje, a cada reencontro, fico à vontade para conversar um pouco mais sobre várias novidades e assuntos, tendo espaço até para algumas tiradas bem-humoradas, fazendo todos rirem rsrs A cada visita, a cada instante de união e carinho, procuro me abrir ainda mais, contando o que penso e sinto, para saber como estão suas vidas. Sei que é difícil suprir os momentos em que nada falei ou em que não expressei o que pensava ou sentia, mas o que vale mesmo é o agora e as aventuras daqui para frente.


Atualmente, quero que meus padrinhos saibam que AMO MUITO ELES e que SOU ETERNAMENTE GRATO por tudo o que fazem por mim. Peço de coração aberto que ME PERDOEM se faltei em algum instante, se não estive totalmente presente em nossas convesas e encontros emocionantes. SINTO MUITO por não ter dito tudo isso que escrevi nesta postagem, me arrependo por não ter retribuído antes toda a sorte que sempre plantaram em meu caminho - a verdade é que meu processo de aceitação da minha doença e da minha deficiência, quando me tornei cadeirante, mexeu muito comigo, me deixando inseguro, mais tímido, muito crítico comigo mesmo e com baixa auto-estima. Graças a Deus, ao amor da minha família e ao amor de meus padrinhos, conquistei a aceitação e hoje sou um adulto que seguiu seus exemplos e conselhos, que aprendeu com cada conversa e troca.


“Afilhado de Sorte”

Desde que nasci, Deus me abençoou com uma vida maravilhosa para trilhar. Ganhei a oportunidade de conviver e trocar aprendizados com minha querida família. Anos depois, descobrimos minha doença e o que poderia ser assustador se tornou minha aventura diária. Ainda hoje, sigo na jornada rumo aos grandes ensinamentos, encontrados de acordo com cada momento. Tudo é aprendizado.


Além de contar com uma família maravilhosa, que apesar de tudo sempre deu um jeito de ultrapassar as pedras no caminho, tive a sorte de meus pais terem escolhido para mim Super-Padrinhos. A partir da cerimônia de batismo, pude oficialmente ser chamado de afilhado por vocês – claro que quando bebê, não tinha a consciência da grandeza deste fato. Hoje, vejo tudo isso como um milagre de Deus, principalmente quando me lembro dos grandiosos instantes que compartilhamos juntos.


Quando conheci vocês, eu ainda era um simples bebê e isso já estava nos planos de Deus. Meu destino passou a ser protegido por meus Super-Padrinhos. Foi mágico como um conto de fadas: na igreja, pessoas ao nosso redor sorriam emocionadas, meus pais me seguravam no colo com imenso carinho, o padre orava me abençoando e me desejando sorte... Eis que de repente, os grandes amigos de meus pais passaram a fazer parte de minha vida e poderiam me proteger e cuidar de mim com seus Super-Poderes vindos do amor incondicional.


Receberam a missão de serem meus Padrinhos e hoje me sinto muito grato por tudo o que fizeram por mim. Vocês sempre estiveram ao meu lado, em todas as ocasiões, nos tempos difíceis, em cada aniversário ou data comemorativa, em cada noite de autógrafos, em todas as colações de grau e bailes de formatura, nos churrascos e em suas adoráveis visitas. Com o amor que recebo de vocês, sinto minha sorte renovada, pois sei que desejam o meu bem... Todo esse profundo amor renova minhas forças, me carrega nos braços quando não consigo seguir adiante, me enche de luz e de coragem para encarar os desafios. Lhes desejo de volta toda a sorte do mundo e que sejam sempre felizes em suas caminhadas.


Que sorte a minha ter laços de família tão próximos com meus Super-Padrinhos. Sou grato também pelos primos que ganhei, Renan e Milena, que em minha infância me fizeram companhia em brincadeiras, festinhas e jogos, enquanto hoje contam suas incríveis histórias, de uma forma descontraída, além de estarem conectados comigo nas redes sociais.

O melhor de tudo é que não foi um simples conto de fadas que vivenciamos. Nós vivenciamos a vida real, que é intensa nas dores e nas flores, as dificuldades de minha doença constantemente me desafiam, porém Deus me fortalece e me inspira a querer acordar cada dia e viver ao máximo, com a ajuda de pessoas especiais, em busca do aprendizado da alma. A realidade está no Super-Amor que recebo de vocês, meus Queridos Padrinhos, que a cada desafio de minha doença – a dificuldade de andar, a ida para a cadeira de rodas, o colete e as órteses, o Bipap – sempre estiveram comigo me oferecendo amparo, carinho, paz, alegria, luz, ensinamentos e principalmente amor incondicional. Sei que independente do que vier pela frente, continuarei tendo a sorte de ser protegido e fortemente amado por vocês. Continuarei sendo iluminado, ajudado e tendo força para seguir em frente. Me sinto honrado e com muita sorte por ser afilhado de vocês. Obrigado por tudo! Amo muito vocês!


Dedico esta postagem para meus queridos padrinhos, Rosely e Ruy, seus filhos Renan e Milena (que considero meus primos) e toda sua família, que são muito especiais para mim. Dedico também para meus pais, Marli e Rui, que escolheram seus grandes amigos para serem meus padrinhos e para toda minha famíia. E dedico para todos os afilhados e para todos os padrinhos deste mundo.

Abraços!

domingo, 2 de setembro de 2012

Dicionário do Poeta

Olá pessoas,

Apesar de ter alguns temas e assuntos que dariam para novas postagens, não tenho conseguido criar a oportunidade para escrevê-las. Talvez um pouco por causa dos afazeres semanais, talvez um pouco por não planejar meu tempo de cada dia ou talvez por conta das semanas passarem voando e quando vejo, já é fim de semana. Confesso que estou meio atrasado naquele ritmo de 4 postagens por mês, mas garanto que vou fazer de tudo para compartilhar com vocês várias novidades nas próximas postagens. Aguardem, pois pela frente virão postagens emocionantes. A de hoje é simples, mas de coração e com muitos significados.

Desde os tempos de escola, aprendemos a usar o dicionário para saber as definições das palavras. Os professores faziam a leitura de alguns textos em sala e pediam para grifar as palavras desconhecidas, para depois procurar seus significados no dicionário. Quando criança, eu tinha guardado em casa o mini-dicionário Aurélio, aquele de capa azul e quase todo mundo tinha. Ele quebrava um bom galho nas aulas e nas tarefas. Quando as palavras para procurar eram muito antigas, meu pai emprestava o dicionário dele, que era grande, sem capa e com folhas amareladas, porém bastante eficiente. Lembro que para mim, a magia do dicionário era imaginar que praticamente todas as palavras (usuais na vida) estavam dentro de apenas um livro: ao abrí-lo, sentia como se as palavras fossem libertas e voassem ao meu redor. Em seguida, era como se eu interagisse com as palavras, iniciando uma emocionante busca ao virar cada página, como um desbravador que passa por entre as matas mais altas, abrindo caminho na escolha das letras iniciais em ordem alfabética, até o encontro da palavra certa. Já nas aulas de inglês e espanhol, tanto no fundamental como no ensino médio, o signifcado vem na forma de tradução de uma dessas línguas para o português. Neste caso, é uma nova busca: conhecer a versão internacional de uma palavra, com mesmo significado, mas com letras diferentes ou um pouco parecidas (no caso do espanhol).

Nas disciplinas de ensino técnico (Publicidade) e de faculdade (Propaganda e Marketing), tive de me adaptar ao glosário específico desta área, que adota muitas palavras em inglês. Só que além de inicialmente se estudar a fundo a teoria e os conceitos de cada palavra de propaganda, é preciso conhecer todas elas na prática. O entendimento acontece na junção de teoria e prática.


Atualmente, neste tempo de pós-faculdade, uso o dicionário de modo informal e por vontade própria, movido pela curiosidade de entender a essência do signifcado das palavras. Antes, eu costumava digitar determinada palavra no Google e clicava em algum site com o significado. Agora, digito a palavra no Dicionário do UOL, que consulta e mostra os significados dos dicionários Houaiss, Michaelis e Aulete. Costumo ler todos os significados que uma palavra pode ter, para ampliar suas possibilidades de uso em alguma obra minha. Consulto todos esses dicionários citados, tudo pelo computador, via internet. Faz um tempo que tenho adotado o dicionário virtual para escrever minhas poesias e isso tem me ajudado bastante a usar a mesma palavra de forma diferente ou a usar novas palavras nos versos, inclusive para criar as rimas. Até as palavras mais conhecidas e que já sei o significado, procuro para entender outra visão de seus significados. Por exemplo, nas poesias de datas especiais, procurei no dicionário e até pesquisei mais a fundo o significado de "Natal", "Reveillon" e "Páscoa", além das palavras "mãe" e "pai".

Acredito que o dicionário tem tornado minhas poesias mais profundas e verdadeiras. Fui abençoado com o talento da escrita, mas quero também compreender as palavras, tendo a humildade de reconhecer que não sei tudo. Procuro respeitar cada palavra, buscando aprimorar meu conhecimento sobre ela em um processo de aprendizado. Para aprender na vida, precisamos estar abertos a receber os ensinamentos do próximo, por mais simples que sejam esses ensinamentos. É um gesto nobre abrirmos nosso coração para tudo o que outra pessoa tem a nos dizer, pois ela sempre terá algo diferente a nos ensinar. E nós sempre teremos algo diferente para ensinar a ela. Assim que leio o conceito de cada palavra, aos poucos vou absorvendo seus vários significados e misturando com as visões e assossiações poéticas do amor que tenho em meu coração sobre cada palavra. E o toque final vem do Dicionário do Poeta, que possui as palavras com significados ditados por Deus, tornando-as mais profundas e verdadeiras. Se foi Deus Quem me presenteou com a dádiva da poesia, é Ele Quem planta em meu coração esses novos significados, repletos dos melhores sentimentos. As palavras do Dicionário do Poeta não precisam ser procuradas. Elas já estão disponíveis dentro de mim, por meio da conexão com Deus. Basta eu respirar fundo, fechar os olhos, esvaziar a mente, orar pedindo a inspiração divina... As palavras poéticas me encontrarão e aparecerão em cada obra.

Um Abraço com Grande Significado!

sábado, 11 de agosto de 2012

Pais - Semeadores de Vida

Olá pessoas,

Logo após ter escrito a poesia em homenagem ao Dia das Mães, decidi que de qualquer maneira escreveria também uma poesia para o Dia dos Pais. Graças a Deus, consegui fazer esta homenagem a tempo - a inspiração apareceu nessa semana, na manhã de segunda-feira. Criei metade da poesia, foram 3 estrofes. Já a outra metade, ficou pronta na noite de terça-feira, durante a novela das 9. Há algumas semanas, andei pensando sobre como descrever os pais da forma que eles merecem, levando em consideração o grande amor que sentem pelos seus filhos. A comparação poética que escolhi para esta mensagem especial ao meu pai e a todos os pais, é a de "Semeadores de Vida". Ou seja, os pais são como agricultores que praticam a semeadura ao lançar as sementes na terra, para que cada planta possa brotar. Cada planta representa um filho, que através das sementes, vai se transformando e tomando forma de planta. Ao longo de sua vida, a planta vai recebendo a força e os cuidados de seu agricultor (o filho vai recebendo o amor do pai, a seu modo e também através de gestos protetores), até que ela se torne independente e possa seguir seu caminho.

Então ser pai é ser semeador. É semear não só a vida do filho, mas também semear boa companhia, conselhos, proteção e sabedoria. Por outro lado, o que se colhe da planta em retribuição é carinho, gratidão, respeito, admiração. A vontade de ver os filhos bem, felizes e cheios de vida, acaba amolecendo o coração dos pais, que geralmente se mostram contidos nas emoções, com certa firmeza nas palavras, mas na hora de revelar o orgulho que sentem por suas "crias", as lágrimas são inevitáveis. Quando se fala da presença do pai na infância de um filho, me lembro daquela cena em que o pai o ensina a andar de bicicleta sem as rodinhas de proteção. A proteção se faz presente como um gesto de incentivo: as mãos firmes dão um empurrãozinho inspirador e geram conforto, indicando que o pai estará por perto para amparar seu filho nos momentos de escuridão. O pai quando preciso, estará de braços abertos, sendo um escudo contra os desafios da vida. Com o filho, acontecem as conversas de homem para homem, sobre assuntos secretos. Com a filha, vem os ciúmes e a vontade deixá-la em segurança sob sua asa. Pai é uma mistura de parceria, com um lado guardião e um toque de manteiga derretida. No fundo, os pais são "babões".


"SEMEADORES DE VIDA"

Ser pai é ser semeador,
Pois com sua força inspira amor.
A semente que vira planta
Como filho desencanta, se levanta, acalanta.

Nos primeiros sinais de folhas a cair,
Tal qual treinos de bicicleta ao sair,
As mãos firmes sempre farão o amparo
E darão segurança, graças ao seu faro.

As conversas de homem para homem
Ou os ciúmes da filha que o consomem,
É o jeito sério de sentir orgulho,
Desejando ser um amigo, um espelho.

O poder de semear torna o pai herói,
Protege o filho e sabedoria constrói...
Semeia conselhos que abraçam firme:
Tal pai, tal filho formam um belo time.

O desejo de colher o faz amolecer,
As lágrimas não há como se conter,
Acompanhando cada fase da vida
Da planta eternamente agradecida.

Pais: babões, guarda-costas, parceiros,
São leais, semeadores verdadeiros
De boa vida para seus descendentes,
Que de sementes viram independentes.

(Fábio Cassiano)

Pai, muito obrigado por ajudar a semear minha vida e por demonstrar seu amor por mim através de sua força. Você é o pai certo para mim e te agradeço por tudo o que me ensina diariamente. Apesar de tudo e de cada desafio que enfrentamos, suas mãos firmes sempre me seguraram, nas primeiras quedas, na primeira cadeira de rodas, no primeiro colete e ao mesmo tempo, vibraram com aplausos em meus aniversários, em minhas formaturas e até no lançamento do meu primeiro livro. Me orgulho de ser seu filho. Eu te amo... Te desejo um Feliz Dia dos Pais!

FELIZ DIA DOS PAIS PARA TODOS OS PAIS!!!

Um abraço semeado com muito carinho!

domingo, 5 de agosto de 2012

O Reencontro do Poeta com a Praia (PARTE 2)

Olá pessoas!

Compartilho com vocês a continuação da postagem sobre meu reencontro com a praia. A primeira parte do texto está neste link

Praia: o templo de paz do poeta Fábio e de todos que admiram a paisagem dos litorais brasileiros. Contemplar o céu e o mar no conforto de um lugar aconchegante, na companhia da família é algo simples, porém grandioso em minha vida. É uma união de sensações naturais que representam as bençãos das obras de Deus, com as emoções mais puras, verdadeiras e inspiradoras que despertam dentro de mim.


Ainda na varanda do apartamento, aproveitei para tomar um leve sol da tarde e observar a visão praiana que encanta meus olhos e meu coração. Virei para o outro lado e conheci a churrasqueira, imaginando que daria para fazer churrascos como os do quintal daqui de casa, pois até mesa e nossas cadeiras de rodas cabiam no ambiente. Até brinquei que tinha espaço inclusive para realizar uma festa em plena sacada, com todo mundo dançando juntinho rsrs Me empolguei tanto em minha imaginação, que ao perceber a proximidade com as sacadas vizinhas de cada bloco do edifício, seria possível fazer uma reunião de condomínio, onde cada participante conversaria no conforto de sua varanda e de repente tudo terminaria em um churrasco coletivo rsrs Com as malas organizadas - roupas nos quartos, alimentos na cozinha, tudo nos devidos lugares - e depois de devorar alguns biscoitos de polvilho (para enganar a fome), nos arrumamos para reencontrar uma praia que adoramos... A Praia do Lázaro! Não senti calor, por isso fui vestindo uma camiseta de manga comprida, calça e tênis. Para adiantar, fui saindo do apartamento e reparando nos detalhes do corredor do primeiro andar, cujas laterais são jardins com flores e plantas, cuja luz tem sensor de presença para se acender. Quando o elevador chegou, entrei acompanhado, pois preciso que alguém aperte os botões de fora e de dentro, além de ajeitar a cadeira na diagonal para caber no elevador.


Passei pela garagem e entrei no carro. Tivemos que preparar novamente o esquema para levar as duas cadeiras de rodas e toda a tripulação nos dois carros. O sol estava meio fraco e os ventos foram ficando frios, mas a vontade de rever a areia e o mar superaram qualquer adversidade. Passamos por algumas praias e fiquei feliz pela pista não estar cheia, o que tornou mais curta nossa ida ao Lázaro. Foi só percorrer o caminho conhecido para o Lázaro, que meus olhos não paravam de admirar a paisagem, bonita com ou sem sol. Minha mente foi relembrando de momentos vividos na praia ao lado de minha família em diferentes épocas. Voltei à realidade com o balanço da pista de terra, até que entramos no estacionamento que dá direto na Praia do Lázaro, perto de alguns quiosques. Encontramos duas vagas paralelas e nelas estacionamos. Comemorei comigo mesmo: "Enfim, o reencontro tão sonhado com a praia! Obrigado, Deus, por mais esta oportunidade de iluminar e inspirar minha alma!".


Quando sentei na cadeira, senti um ventinho refrescante na nuca e as rodas da minha cadeira afundando na areia - pois consigo sentir o toque das rodas como se fossem meus pés. A mesa do quiosque estava ao alcance dos meus olhos e ao fundo, a imagem de uma natureza praiana exuberante, uma pintura divina. Com ajuda, consegui vencer o trecho de areia fofa do estacionamento, com meu braço quase caindo, até que finalmente paramos numa mesa com guarda-sol de um dos quiosques, em busca de aproveitar ao máximo o primeiro dia da viagem. De onde estávamos, era possível observar uma planta colocada em uma bolsa plástica (parecia iniciativa ecológica) e logo atrás, uma árvore de tronco grande. Na paisagem ao fundo, a maré alta trouxe as ondas do mar para mais perto, um leve brilho do sol refletia-se no mar, as folhas de cada galho da árvore envolvia a vista como uma moldura natural, algumas pedras envolvidas por áreas verdes litorâneas e as nuvens que escondiam a luz do sol. Ocupava a vista também, as lanchas e barquinhos parados nas partes mais fundas, as pessoas se banhando ou fazendo canoagem ou até se equilibrando de pé em pranchas de stand-up (aquele esporte novo com uma pranchona e um remo gigante, no qual a pessoa fica em pé remando no mar) e duas lojinhas de cangas - cujos donos surpreenderam ao recolher suas lojas, que pareciam barracas em carroças, usando carros modernos e chiquérrimos. De imediato, pedimos duas rodadas de petiscos: duas porções de cação temperado com limão (que tem um gosto especial de praia e mata a fome com grande sabor) e uma porção de batata-frita com ketchup. Valeu como almoço. Quase me esqueci de que tomei uma latinha de guaraná para acompanhar e de que não resisti - acabei tomando um sorvete Corneto de brigadeiro, seguindo minha tradição milenar no que se refere à sabedoria da praia rsrs Depois de comer tudo isto, fiquei satisfeito. Já era fim de tarde e acho que ficamos provavelmente duas horas e meia na praia. Ao meu lado, cada um aproveitou de um jeito: ora caminhando pelas areias por alguns minutos, ora colocando os pés no mar salgado e gelado (tirando fotos), ora descansando a mente das preocupações e obrigações, ora metidando...

Ou simplesmente apreciando o milagre da vida natural, as gaivotas e todas as aves voando pelo horizonte, as pessoas interagindo com amigos e família pelas areias, correndo, caminhando, jogando com raquetes e bolinha, tentando se bronzear no mormaço, brincando nas areias mais secas ou nas areias mais próximas. Apreciando o contato com o mar, desde os primeiros passos que dão grandes arrepios em todo o corpo, passando pelos pulos sobre cada onda, até o momento em que o corpo flutua e é preciso se movimentar para não afundar - mas nadar com bóias também é emocionante. Me empolguei neste parágrafo em relação a essas inspirações que aprecio, mas nesta viagem não entrei no mar. Observei em detalhes a praia e curti este reencontro com este lugar maravilhoso. Com o fim da tarde, o céu foi escurecendo e o frio começava a soprar mais forte. Tudo indicava que já era hora de ir. Sabíamos que a previsão indicava um domingo chuvoso, então aproveitei ao máximo os últimos minutos no palco abençoado da praia, no contato direto com o litoral de Ubatuba, em um de nossos lugares preferidos. Até que minha alma se despediu em forma de gratidão.

Um dos gestos mais belos da vida é agradecer, principalmente quando as palavras vêm do coração e possuem muita sinceridade. Ajudar as pessoas faz um bem enorme. Receber ajuda nos deixa mais seguros e felizes por termos com quem contar. Sou eternamente grato a todos que participam da minha vida transformando cada dia em maravilhosas bençãos.

Gravei o momento especial na praia em meu coração e através de fotos (que compartilho aqui com vocês)... Fizemos o caminho de volta para o apartamento, com toda a caravana preparada, com o tira e põe das cadeiras de rodas, eu e minha mãe sentamos em nossas cadeiras, subimos o elevador e entramos no apartamento. Cheguei com vontade de ir ao banheiro, tratei de usar o meu "papagaio" - é tipo um recipiente em formato parecido com abacate e em sua parte de cima tem uma espécie de tubo para coletar a urina - para fazer xixi, próximo ao banheiro, pois sua porta era estreita para minha cadeira. Já a vontade número 2 (quando o intestino quer funcionar) ficou no quase, pois preciso sempre usar uma cadeira de rodas de banho, que vem com um assento de privada, mas na oportunidade, faltou o apoio lateral para os braços e isso me atrapalhou na hora de encontrar uma boa posição. Acabei perdendo a vontade. Sei que esta parte não é nada poética rsrs mas estou procurando contar todos os detalhes, tanto as alegrias quanto os desafios que foram vencidos.

Todos aproveitaram a noite para tomar banho, tirar a areia dos pés e colocar uma roupa de sair, para uma possível feirinha da praia. Logo preparamos duas pizzas prontas para o jantar. Comi duas fatias, uma de quatro queijos e outra de frango com catupiry. Assim que me senti satisfeito, aguardei alguns minutos para ver se rolaria a saída noturna para a feirinha que tanto adoro. Caso não rolasse, eu entenderia, pois acredito que agora terei mais oportunidades de reencontrar a praia. Como todos estavam se arrumando, pedi para me deitarem na cama para descansar minhas costas e ao mesmo tempo testar o conforto da cama. Tirei o colete que uso para segurar a postura do meu tronco e me deitei por quase 1 hora, com um rolinho abaixo das pernas para melhor apoiá-las. Depois, escolhi uma calça nova para usar e me colocaram novamente na minha cadeira de rodas.

Todo mundo estava de roupa nova e estava confirmado que sairíamos para passear na praia do centro de Ubatuba, onde se encontra a feirinha de artesanato - ponto bastante visitado em nossas viagens, desde que eu era criança. Eu e minha mãe entramos no carro e descobrimos que a chuva estava apertando. Não daria para sairmos do carro. Decidimos prosseguir com um passeio de dentro do carro, apenas para observar o movimento do centro, sem transportar as cadeiras. Novamente reunimos a caravana e passeamos. Mesmo com a chuva do lado de fora, primeiro demos uma passada na loja de doces Tachão de Ubatuba, que vende um doce de bananinha muito saboroso, de dar água na boca. Meus irmãos e minhas cunhadas entraram na loja e compraram um pacote com bananinhas. Em seguida, partimos para a praia do centro, onde encontramos uma pequena fila. Paramos na calçada de um mini-shopping, perto de uma sorveteria chamada Pistache. Cada um escolheu um sabor de sorvete de casquinha. Eu e minha mãe, sem nossas cadeiras, escolhemos nossos sorvetes de casquinha para viagem - a casquinha ficou de cabeça para baixo, apoiada com a bola de sorvete sobre um pote. Escolhi o sabor de flocos, que acabei tomando dentro do carro mesmo, na garagem do apartamento, com uma colherinha. Meia hora depois, retornamos ao apartamento e ficamos na sala assistindo o programa Altas Horas, pois logo após passaria a luta do Anderson Silva no UFC. Não aguentei esperar de sono e decidi dormir. Aguardei o preparo do meu aparelho respiratório para ajudar no sono, o Bipap, para ser instalado ao lado da cama que eu iria dormir. Achei melhor dormir apoiando meus pés na parede, para não cansá-los e entortá-los durante a madrugada.

Um grande abraço!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

São José: Minha Cidade, Meu Palco, Minha Vida

Olá pessoas,


Parabéns para São José dos Campos, minha querida cidade, pelos seus 245 anos de história! Você é um lugar muito especial para mim... Você é o meu palco onde acontecem os melhores eventos... Você faz parte da minha vida e eu faço parte de seu espaço. Você é o meu berço: sou nascido aqui, na cidade que amo e pela qual sou profundamente grato. Sou joseense com muito orgulho e muito amor. Desejo a você um futuro abençoado e iluminado, com ainda mais novidades, oportunidades, empreendimentos e alegrias por todo seu território e para todos que moram, visitam, conhecem ou moram aqui.

FELICIDADES, SUCESSO E MOMENTOS INESQUECÍVEIS EM SEU CAMINHO!

Um grande abraço de aniversário!

Poeta Fábio Cassiano

terça-feira, 24 de julho de 2012

O Reencontro do Poeta com a Praia

Olá pessoas,

Neste momento em minha vida, viajar não é algo que acontece todo fim de semana. Uma das viagens que minha família sempre gostou de fazer é para Ubatuba, no litoral de São Paulo. Lembro que desde pequeno a praia estava entre os principais programas de fim de semana, feriado ou férias. Apesar de cada dificuldade de minha doença e de ao longo dos anos as viagens ao litoral irem diminuindo, minha família sempre deu um jeito de me levar para aproveitar as atrações do lugar.


Dos tempos em que caminhei sentindo meus passos sobre areias fofas, areias duras, areias moles, areias parecidas com pedrinhas... Dos tempos nos quais eu colocava as pernas no mar até não dar mais pé, sentindo um medinho divertido de encontrar algum tubarão ou água-viva rsrs... Dos tempos em que me via um pouco distante do guarda-sol de meus pais, enrolando ao máximo para evitar o arrepio de sair do mar... Passando pelos tempos de carregado no colo até o mar, com a cadeira de rodas atolada na areia, com boias nos braços e no pescoço... Até os instantes de apenas observar o mar do quiosque ou debaixo de uma árvore, saboreando a porção de peixinhos, apreciando o reflexo do sol sobre o mar e o céu azul envolvendo as areias de cada praia... O reencontro com a praia renova o coração do poeta que sou. E após um jejum de mais de 2 anos sem descer ao litoral, em um fim de semana com previsão de chuva e possível trânsito, pude vivenciar uma aventura que despertou a paz interior em minha alma.

Algumas vezes na vida, o tempo parece ficar fechado, mas nem por isso devemos deixar de encontrar um rastro de luz ou uma ponta de esperança para que tudo volte ao normal. O tempo só se manterá assim, se insistirmos na percepção de que tudo acabou, de que perdemos nosso brilho e aquela nossa alegria inesgotável. Nunca é tarde para recomeçar!

Depois de anos, finalmente pudemos ir com a família completa: eu, meus pais, meus irmãos e minhas cunhadas. Acordamos cedo no sábado, véspera do feriado paulista da Revolução, preparando as malas e todas as bagagens, além das adaptações completas que eu e minha mãe usamos diariamente durante a semana, que são essenciais. Não só as cadeiras que usamos, mas também outra cadeira de banho, almofadas casca de ovo e travesseiros especiais para dormir, meu aparelho respiratório Bipap com sua bateria (que uso todos os dias), minha "pescoçeira" para equilibrar o pescoço na cadeira de banho, a mesa da minha cadeira de rodas. Formamos uma espécie de caravana de São José para caber toda a equipe e todos os equipamentos rsrs Viajamos em dois carros, sendo uma picape para acomodar as cadeiras e as bagagens com maior facilidade. Depois do último "pit stop" no banheiro, foi preciso que eu entrasse no carro antes, pois minha cadeira de rodas motorizada tinha que ir primeiro na caçamba. Na correria, acabei deixando passar a falta de um assento suave para colocar sobre o banco, pois ao longo de uma viagem, um cadeirante pode sentir dor de tanto ficar sentado na mesma posição. Decidi improvisar o assento pneumático de minha cadeira para colocar sobre o banco do carro e fiquei a viagem toda sentado em cima deste assento - no fim foi uma ótima solução e não senti dor alguma tanto na ida como na volta, graças a Deus.

Com todos já nos carros e tudo preparado, a jornada rumo ao encontro com a praia começou. Acompanhando a evolução dos aparelhos de som, passou um flashe na minha mente sobre nossas viagens anteriores, quando a trilha sonora do caminho era feita com as fitas cassetes, que tinha lado A e lado B, passando pela novidade dos CD´s, chegando ao momento atual dos DVDs e pen-drives. Tudo isso foi só para mostrar o quanto o som de fundo desta viagem foi bem confortável, com variedade musical: começando com um DVD da Beyoncé, com as imagens passando na tela (que foi algo que vivenciei pela primeira vez - assistir como se fosse na TV - fiquei admirado rsrs). Em seguida, ouvimos várias músicas legais, selecionadas no pen-drive. Outra forma de passar o tempo do caminho é apreciando a paisagem que envolve cada trecho da estrada.

Escolhemos descer por Taubaté e passados alguns minutos, pegamos um congestionamento. Um hábito que sempre tenho é antes de pegar a estrada, fechar os olhos e orar pedindo a Deus que guie nosso caminho, fazendo com que tudo dê certo e que todos se sintam bem ao longo da jornada. E Deus nos atendeu, como de costume. Por sorte, o congestionamento foi só até Taubaté, pois os trechos seguintes do caminho ao litoral estavam com poucos carros e foram tranquilos. Na parte em linha reta da viagem, a paisagem vista pelo vidro do carro parece tudo igual, mas com um assento confortável e uma ótima música com imagens, o tempo foi passando. Na parte das curvas da serra, o visual começa a mudar e o trajeto ganha mais movimento com o carro virando de um lado para o outro. Para mim, essas curvas dão uma interatividade para a viagem e lembro que meu ouvido até ficou entupido. Eis que de repente, surge na paisagem o belo azul do mar, evidenciando a chegada próxima ao destino. Como é bom se sentir perto do mar, trocando o palco da cidade pela natureza litorânea. Passada a serra e alguns quilometros, li a placa "Bem-vindos a Ubatuba". A certeza do meu reencontro com a praia, surgiu em meu coração quando observei a fronteira das areias com o mar, o céu, a orla, os quiosques, os banhistas e suas famílias; quando senti o cheiro da maresia, o vento litorâneo e quando observei no céu as gaivotas voando. Chegando na Praia Grande, fomos direto ao apartamento do outro lado da rua do quiosque, onde ficamos hospedados.


A natureza é uma grande fonte inspiradora para nossas atividades. As belezas naturais encantam, purificam, relaxam corpo e mente. É algo grande e de muito valor observar como uma paisagem faz um bem enorme: um céu azul, um mar cristalino e os verdes da terra trazem as melhores sensações e harmonizam a vida das pessoas.

Descarregamos os carros e entramos para conhecer pessoalmente o apartamento, que até então, eu só tinha visto em fotos. Fomos desfazendo algumas malas e guardando o conteúdo das bagagens. Fiquei impressionado com o espaço do apartamento, capaz de acomodar bem duas pessoas cadeirantes.


Observei a cozinha e a sala, notando um conforto ao transitar pelas acomodações, até que meus olhos encontraram a sacada gourmet. Rapidamente, senti uma imensa vontade de conhecer de perto uma sacada deste tipo: abriram a porta de vidro da sala e fui entrando em contato com uma sacada gourmet pela primeira vez na minha vida. Me encantei em ver uma churrasqueira em plena sacada, ao lado de uma mesa redonda de plástico e o mais bonito, foi poder contemplar o céu e o mar de dentro do apartamento.



CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM...

Abraços!

sábado, 30 de junho de 2012

Dançando Quadrilha Nos Versos de Uma Poesia

Olá pessoas,

Neste último dia de junho, compartilho com vocês uma poesia que escrevi especialmente para celebrar as festas juninas. Como já dancei quadrilha nos tempos de infância e sempre gostei das músicas juninas ao som de sanfona, senti vontade de mostrar a alegria deste tipo de festejo, por meio da poesia.

Desta vez fiz algo diferente: tentei entrar no personagem. Imaginem que é o Chico Bento, da turma da Mônica, declamando a poesia. É apenas uma brincadeira para eu usar minha criatividade. Uma boa quadrilha para vocês...



“Quadrilha Poética”

Ara, a vida as veiz precisa dum arraiar
Pra do disanimo e do friu nos protegê
Cum a bença dos santus pra nos guiar
Nessa quadrilha pra mim e pra ocê.

Intaum nóis vamu festejá junto
Na quermesse dus nosso cumpades,
Au som caipira do meió conjunto
Pra dançá até matá as sardades.

Vô colocá meu chapéu de paia
Cum a camisa que ocê remendô...
A muié tá di trancinha e di saia
E pra fritá os bolinho ela levô.

Qui o amô di dentru da maçã
Si incontre nos correio elegante,
Pois a prenda qui terei amanhã
É lembrá da pescaria emocionante.

A fugueira e as bandeira infeitam
Pros noivo abrí nossa quadrilha,
Inquanto os pares se ajeitam,
Se isquentanu ao longu da trilha.

Entri rodas, filas e cortejos,
No caminhu da aligria dançamu,
Sem chuva, mas cum muitos bejos
Um arraiar poético nóis vivenciamu.

Fábio Cassiano


Obrigado por me acompanharem nesta divertida quadrilha em versos.

Um Alegre Abraço!