domingo, 5 de agosto de 2012

O Reencontro do Poeta com a Praia (PARTE 2)

Olá pessoas!

Compartilho com vocês a continuação da postagem sobre meu reencontro com a praia. A primeira parte do texto está neste link

Praia: o templo de paz do poeta Fábio e de todos que admiram a paisagem dos litorais brasileiros. Contemplar o céu e o mar no conforto de um lugar aconchegante, na companhia da família é algo simples, porém grandioso em minha vida. É uma união de sensações naturais que representam as bençãos das obras de Deus, com as emoções mais puras, verdadeiras e inspiradoras que despertam dentro de mim.


Ainda na varanda do apartamento, aproveitei para tomar um leve sol da tarde e observar a visão praiana que encanta meus olhos e meu coração. Virei para o outro lado e conheci a churrasqueira, imaginando que daria para fazer churrascos como os do quintal daqui de casa, pois até mesa e nossas cadeiras de rodas cabiam no ambiente. Até brinquei que tinha espaço inclusive para realizar uma festa em plena sacada, com todo mundo dançando juntinho rsrs Me empolguei tanto em minha imaginação, que ao perceber a proximidade com as sacadas vizinhas de cada bloco do edifício, seria possível fazer uma reunião de condomínio, onde cada participante conversaria no conforto de sua varanda e de repente tudo terminaria em um churrasco coletivo rsrs Com as malas organizadas - roupas nos quartos, alimentos na cozinha, tudo nos devidos lugares - e depois de devorar alguns biscoitos de polvilho (para enganar a fome), nos arrumamos para reencontrar uma praia que adoramos... A Praia do Lázaro! Não senti calor, por isso fui vestindo uma camiseta de manga comprida, calça e tênis. Para adiantar, fui saindo do apartamento e reparando nos detalhes do corredor do primeiro andar, cujas laterais são jardins com flores e plantas, cuja luz tem sensor de presença para se acender. Quando o elevador chegou, entrei acompanhado, pois preciso que alguém aperte os botões de fora e de dentro, além de ajeitar a cadeira na diagonal para caber no elevador.


Passei pela garagem e entrei no carro. Tivemos que preparar novamente o esquema para levar as duas cadeiras de rodas e toda a tripulação nos dois carros. O sol estava meio fraco e os ventos foram ficando frios, mas a vontade de rever a areia e o mar superaram qualquer adversidade. Passamos por algumas praias e fiquei feliz pela pista não estar cheia, o que tornou mais curta nossa ida ao Lázaro. Foi só percorrer o caminho conhecido para o Lázaro, que meus olhos não paravam de admirar a paisagem, bonita com ou sem sol. Minha mente foi relembrando de momentos vividos na praia ao lado de minha família em diferentes épocas. Voltei à realidade com o balanço da pista de terra, até que entramos no estacionamento que dá direto na Praia do Lázaro, perto de alguns quiosques. Encontramos duas vagas paralelas e nelas estacionamos. Comemorei comigo mesmo: "Enfim, o reencontro tão sonhado com a praia! Obrigado, Deus, por mais esta oportunidade de iluminar e inspirar minha alma!".


Quando sentei na cadeira, senti um ventinho refrescante na nuca e as rodas da minha cadeira afundando na areia - pois consigo sentir o toque das rodas como se fossem meus pés. A mesa do quiosque estava ao alcance dos meus olhos e ao fundo, a imagem de uma natureza praiana exuberante, uma pintura divina. Com ajuda, consegui vencer o trecho de areia fofa do estacionamento, com meu braço quase caindo, até que finalmente paramos numa mesa com guarda-sol de um dos quiosques, em busca de aproveitar ao máximo o primeiro dia da viagem. De onde estávamos, era possível observar uma planta colocada em uma bolsa plástica (parecia iniciativa ecológica) e logo atrás, uma árvore de tronco grande. Na paisagem ao fundo, a maré alta trouxe as ondas do mar para mais perto, um leve brilho do sol refletia-se no mar, as folhas de cada galho da árvore envolvia a vista como uma moldura natural, algumas pedras envolvidas por áreas verdes litorâneas e as nuvens que escondiam a luz do sol. Ocupava a vista também, as lanchas e barquinhos parados nas partes mais fundas, as pessoas se banhando ou fazendo canoagem ou até se equilibrando de pé em pranchas de stand-up (aquele esporte novo com uma pranchona e um remo gigante, no qual a pessoa fica em pé remando no mar) e duas lojinhas de cangas - cujos donos surpreenderam ao recolher suas lojas, que pareciam barracas em carroças, usando carros modernos e chiquérrimos. De imediato, pedimos duas rodadas de petiscos: duas porções de cação temperado com limão (que tem um gosto especial de praia e mata a fome com grande sabor) e uma porção de batata-frita com ketchup. Valeu como almoço. Quase me esqueci de que tomei uma latinha de guaraná para acompanhar e de que não resisti - acabei tomando um sorvete Corneto de brigadeiro, seguindo minha tradição milenar no que se refere à sabedoria da praia rsrs Depois de comer tudo isto, fiquei satisfeito. Já era fim de tarde e acho que ficamos provavelmente duas horas e meia na praia. Ao meu lado, cada um aproveitou de um jeito: ora caminhando pelas areias por alguns minutos, ora colocando os pés no mar salgado e gelado (tirando fotos), ora descansando a mente das preocupações e obrigações, ora metidando...

Ou simplesmente apreciando o milagre da vida natural, as gaivotas e todas as aves voando pelo horizonte, as pessoas interagindo com amigos e família pelas areias, correndo, caminhando, jogando com raquetes e bolinha, tentando se bronzear no mormaço, brincando nas areias mais secas ou nas areias mais próximas. Apreciando o contato com o mar, desde os primeiros passos que dão grandes arrepios em todo o corpo, passando pelos pulos sobre cada onda, até o momento em que o corpo flutua e é preciso se movimentar para não afundar - mas nadar com bóias também é emocionante. Me empolguei neste parágrafo em relação a essas inspirações que aprecio, mas nesta viagem não entrei no mar. Observei em detalhes a praia e curti este reencontro com este lugar maravilhoso. Com o fim da tarde, o céu foi escurecendo e o frio começava a soprar mais forte. Tudo indicava que já era hora de ir. Sabíamos que a previsão indicava um domingo chuvoso, então aproveitei ao máximo os últimos minutos no palco abençoado da praia, no contato direto com o litoral de Ubatuba, em um de nossos lugares preferidos. Até que minha alma se despediu em forma de gratidão.

Um dos gestos mais belos da vida é agradecer, principalmente quando as palavras vêm do coração e possuem muita sinceridade. Ajudar as pessoas faz um bem enorme. Receber ajuda nos deixa mais seguros e felizes por termos com quem contar. Sou eternamente grato a todos que participam da minha vida transformando cada dia em maravilhosas bençãos.

Gravei o momento especial na praia em meu coração e através de fotos (que compartilho aqui com vocês)... Fizemos o caminho de volta para o apartamento, com toda a caravana preparada, com o tira e põe das cadeiras de rodas, eu e minha mãe sentamos em nossas cadeiras, subimos o elevador e entramos no apartamento. Cheguei com vontade de ir ao banheiro, tratei de usar o meu "papagaio" - é tipo um recipiente em formato parecido com abacate e em sua parte de cima tem uma espécie de tubo para coletar a urina - para fazer xixi, próximo ao banheiro, pois sua porta era estreita para minha cadeira. Já a vontade número 2 (quando o intestino quer funcionar) ficou no quase, pois preciso sempre usar uma cadeira de rodas de banho, que vem com um assento de privada, mas na oportunidade, faltou o apoio lateral para os braços e isso me atrapalhou na hora de encontrar uma boa posição. Acabei perdendo a vontade. Sei que esta parte não é nada poética rsrs mas estou procurando contar todos os detalhes, tanto as alegrias quanto os desafios que foram vencidos.

Todos aproveitaram a noite para tomar banho, tirar a areia dos pés e colocar uma roupa de sair, para uma possível feirinha da praia. Logo preparamos duas pizzas prontas para o jantar. Comi duas fatias, uma de quatro queijos e outra de frango com catupiry. Assim que me senti satisfeito, aguardei alguns minutos para ver se rolaria a saída noturna para a feirinha que tanto adoro. Caso não rolasse, eu entenderia, pois acredito que agora terei mais oportunidades de reencontrar a praia. Como todos estavam se arrumando, pedi para me deitarem na cama para descansar minhas costas e ao mesmo tempo testar o conforto da cama. Tirei o colete que uso para segurar a postura do meu tronco e me deitei por quase 1 hora, com um rolinho abaixo das pernas para melhor apoiá-las. Depois, escolhi uma calça nova para usar e me colocaram novamente na minha cadeira de rodas.

Todo mundo estava de roupa nova e estava confirmado que sairíamos para passear na praia do centro de Ubatuba, onde se encontra a feirinha de artesanato - ponto bastante visitado em nossas viagens, desde que eu era criança. Eu e minha mãe entramos no carro e descobrimos que a chuva estava apertando. Não daria para sairmos do carro. Decidimos prosseguir com um passeio de dentro do carro, apenas para observar o movimento do centro, sem transportar as cadeiras. Novamente reunimos a caravana e passeamos. Mesmo com a chuva do lado de fora, primeiro demos uma passada na loja de doces Tachão de Ubatuba, que vende um doce de bananinha muito saboroso, de dar água na boca. Meus irmãos e minhas cunhadas entraram na loja e compraram um pacote com bananinhas. Em seguida, partimos para a praia do centro, onde encontramos uma pequena fila. Paramos na calçada de um mini-shopping, perto de uma sorveteria chamada Pistache. Cada um escolheu um sabor de sorvete de casquinha. Eu e minha mãe, sem nossas cadeiras, escolhemos nossos sorvetes de casquinha para viagem - a casquinha ficou de cabeça para baixo, apoiada com a bola de sorvete sobre um pote. Escolhi o sabor de flocos, que acabei tomando dentro do carro mesmo, na garagem do apartamento, com uma colherinha. Meia hora depois, retornamos ao apartamento e ficamos na sala assistindo o programa Altas Horas, pois logo após passaria a luta do Anderson Silva no UFC. Não aguentei esperar de sono e decidi dormir. Aguardei o preparo do meu aparelho respiratório para ajudar no sono, o Bipap, para ser instalado ao lado da cama que eu iria dormir. Achei melhor dormir apoiando meus pés na parede, para não cansá-los e entortá-los durante a madrugada.

Um grande abraço!

2 comentários:

Lidia disse...

Meu querido, quantas emoções vividas e quantas recordações estarão guardadas. Cada detalhe é mencionado a ponto deu sentir juntinho tudo que você passou. Relatas com tanta grandeza de espírito que minha alma flutua como no balançar do carro e o sopro do vente na nuca, ui! E o detalhe de sentir a areia como no seu pé foi terrivelmente adorável.
Vamos ter de refazer tudo de novo. Faça chuva, faça sol. Combinado. Tão logo a casa fique melhor resolvida. Bjs mil...

Fábio Cassiano disse...

Querida Lidia,

Ir à praia é como ir num templo de paz para a alma, por isso que ela mexe com nossas emoções. É inevitável a emoção ao presenciar essa paisagem que é obra de Deus. Só tenho ótimas recordações do litoral. Ter limitações por conta de minha doença, me permite dar maior valor para pequenos e simples detalhes, que na verdade são bençãos maravilhosas e grandiosas.

Aqui no blog, me sinto em um divã para um melhor amigo e procuro contar as aventuras com o máximo de descrição, sem deixar passar nenhum detalhe e sem medo de expor meus sentimentos mais profundos. Fico feliz por ter sentido junto comigo esse momento de reencontro com a praia. Que honra e prazer por despertar sua alma a interagir com cada frase escrita nessa postagem, fazendo-a flutuar a cada emoção minha. Sentir a areia com o pé é um sonho de consumo do cadeirante, como é visto no filme Avatar rsrs

Temos que combinar um reencontro com vocês na praia.

Beijos,

Binho