sábado, 29 de setembro de 2012

Independência ou... Litoral Norte

Olá pessoas,
O dia 7 de setembro, comemoração da Independência do Brasil, é um dia marcante para nosso povo. Aqui em São José e em várias cidades, o dia foi comemorado com desfile de autoridades importantes com patentes do exército, dos bombeiros, da medicina, além de grupos de cidadãos, todos compartilhando a honra de representar a Pátria. Enquanto isso, muitos aproveitaram o feriadão para viajar rumo ao litoral. Eu e minha família escolhemos o Litoral Norte, em Ubatuba, para aproveitar o descanso. Por isso, minha forma de celebrar o país independente foi mais zen, observando as belezas e os encantos da praia, me sentindo grato e honrado em ser brasileiro.

A praia tem sido um Paraiso para o humilde poeta que sou... Quais palavras podem definir e descrever belas e grandiosas obras divinas que fazem parte do litoral de Ubatuba? Vou descobrir agora, nas próximas frases deste simples e inspirado texto...

 
Abri os olhos e despertei nesta manhã da Independência. Após tirar a máscara do Bipap de meu rosto, olhei para o teto do apartamento reparando na forte cor branca da pintura. Virei meu olhar para a janela, que quando aberta, revelou uma sutil claridade por entre o nublado bonito do céu. Certamente daria praia, pois no litoral, só de não chover já dá para aproveitar ao máximo. Para quem mora no interior de SP e ao invés de observar o Banhado, encontra um mar imenso e infinito no horizonte, a vontade é de fotografar esta nova paisagem no coração. Defini minha estratégia para curtir os instantes de calor e me proteger dos ventos geladinhos da beira-mar – usei uma camiseta de manga curta por baixo de meu colete ortopédico e uma de manga cumprida para eu controlar a sensação de frio ao longo da tarde. Para acompanhar, usei uma calça-shorts em sua versão curta, pois pensei que não sentiria frio nas pernas; além de um tênis esportivo para fechar o vestuário e meia (confesso).

Levantado da cama e sentado na cadeira de rodas motorizada (porém com motor falho), parei perto da cozinha para tomar meu café da manhã: cappuccino com leite e pão de egg (aquele pão redondo da Panco) com margarina – é o que adoro comer quando estou na praia, que é um lugar onde costumo mudar alguns pontos da rotina. Mas o remédio diário tem que tomar aonde eu estiver. Quando olhei na TV, estava passando o jornal Link Vanguarda e apareceram notícias de minha cidade, São José dos Campos. Foi aí que minha mente percebeu uma inversão de papéis por alguns dias que aconteceu. Ao longo do ano, admiro bastante a vista do Banhado, do Vicentina Aranha e de vários cartões postais joseenses, tudo ao vivo e a cores – enquanto assisto no mesmo noticiário e aprecio imagens do litoral de Ubatuba, com uma louca vontade de estar perto do mar, das areias, dos coqueiros, dos quiosques, da serra, das nuvens e do céu. Já nas ocasiões em que estou no Litoral Norte, presenciando suas belezas naturais e encantadoras, vendo diretamente com meus olhos, totalmente presente, envolvido de corpo e alma, com a maior sensação de paz possível, ao assistir imagens das paisagens de minha cidade, percebo que ela é igualmente bonita e sua natureza impressiona.

Assim que tive oportunidade, depois de notar o céu ficando azul e o sol aparecendo mais forte na sacada do apartamento, decidi observar as ondas do mar e a fronteira do horizonte com o céu. Permaneci na varanda gourmet, curtindo os novos ângulos da paisagem, pois estávamos estreando o novo apartamento que alugamos, que fica um andar acima do anterior. Olhei para um grande terreno vizinho, com grama por todo lado, no qual gaivotas e outros pássaros davam rasantes, pousavam e se cruzavam como aviões da Esquadrilha da Fumaça. Olhei para os edifícios vizinhos, reparando em seus formatos diferenciados, do estilo clássico ao moderno, tendo sacada com vidro ou metalizado... Depois olhei para as sacadas dos outros blocos do edifício no qual estava e fiquei pensando sobre o toque pessoal dos moradores de cada sacada, algumas com artesanato enfeitando (peixinhos grudados na parede, tucanos pendurados no teto, mesas e cadeiras com decoração diferente, varais com toalhas coloridas, plantas grandes e até pessoas conversando – desta vez muitos foram à praia por conta do feriado. Dei uma pequena olhada na vegetação verde e abundante da serra do mar. Virei para o outro lado, seguindo o maravilhoso azul claro do céu, enfeitado com poucas e pequenas nuvens, até meus olhos encontrarem os coqueiros em cor viva e natural – mais abaixo, as areias iluminadas indicavam o visual praiano, com um quiosque cheio de gente em volta. Visto de uma sacada mais alta, o mar revelou novos detalhes visuais, me permitindo assistir ao espetáculo deslumbrante do movimento das ondas da Praia Grande. É incrível acompanhar a vinda das espumas brancas, misturadas com o sal da água, que adornam a ponta de cada onda. O mar nos demonstra que está vivo, por meio de uma sincronia, pois enquanto uma onda se aproxima das areias e chega ao seu fim, outra onda vai se formando com o recuo da água, criando um turbilhão em espiral, uma espécie de mini-tubo, cuja mistura termina com a aproximação dessa nova onda espumada. Ah! Quanta inspiração sentida só de apreciar a beleza do Litoral Norte brasileiro.

 
Depois de tanto curtir a paisagem do país sendo representada por Ubatuba, permaneci no calor agradável da sacada, até que meus olhos encontraram as curvas da mulher brasileira. Como um admirador que encontra sua musa do verão na praia, parei para admirar uma mulher que se cobria de protetor solar de forma independente e dedicada. Com toda suavidade e delicadeza, ela mesma ia passando o bloqueador pelo corpo, massageando-o com grande cuidado. Não sei se por coincidência, mas o biquini que ela usava era verde - impossível não ter reparado. Ela seguiu com o protetor, deslizando suas mãos pelo pescoço, pelos braços, pela barriga e pelas pernas. Não sei se ela me flagrou admirando sua beleza - fiquei admirando-a não por safadeza, mas com um olhar encantado de poeta, que deseja se inspirar no charme das brasileiras.

 
O relógio marcava 14:30 com um sol brilhante e intenso. Como todos acordaram meio tarde, o tempo ia voando enquanto nos trocávamos para a praia. A vontade de curtir o litoral foi  tanta, que decidimos atravessar a rua e ir rapidamente à Praia Grande. Na travessia, foi preciso passar correndo entre os carros, contando com um empurrãozinho de meu pai. Até chegar ao quiosque, tivemos que vencer o degrau de uma calçada, que dava em uma estreita rampa cujo corrimão de segurança não dava nenhuma confiança - fui descendo meio derrapando e de modo irregular. Pareceu esporte radical, pois minha cadeira teve de levitar para entrar na rua. Enfim na calçada do quiosque, um último degrau, IMENSO, tivemos que vencer. Depois disso, foi só alegria. Pegamos uma mesa protegida pela sombra de um belo coqueiro, sobre um piso fofo de areia, permitindo que as rodas da minha cadeira afundassem e travassem naturalmente. Era como uma sacada do quiosque, uma área VIP para poucos com uma visão exclusiva e deslumbrante da praia, sem grades de proteção na frente, aumentando o visual da paisagem. Parecia uma sessão de cinema em 3D, ao vivo, visto da primeira fila, com o melhor da programação natural do Litoral Norte.

 
Nada em nossa frente impedia o ato de admirar o lugar, em uma riqueza de detalhes sensacional, capaz de encantar a alma. Cada reencontro com o mar é uma nova descoberta do Brasil, onde ao invés de acharmos uma nova terra, gritando "Terra, à vista!!!", nos deparamos com novas formações de ondas (de diversos tamanhos, formatos e tubos), com novas nuvens no horizonte (que define um céu azul ou nublado, a presença ou não do sol - cujas manhãs e fim de tardes, o vemos nascer e se pôr, criando um visual abençoado de cores), com marés altas ou baixas (aproximando ou recuando o mar em relação à areia). Isso me faz refletir sobre a aventura que é viajar para mim, partindo de São José para Ubatuba, levando o kit completo de apetrechos e "equipamentos essenciais", evitando dores durante a estrada e depois de descer, olho pelo vidro do carro e digo: "Mar, à vista!!!". Bonito de se observar também é o contato do mar com a areia, transformando-a em uma mistura de consistências: começando com o trecho claro dividido entre mais fofa e menos fofa, continuando com o trecho mais duro e mais escuro e terminando com o trecho mais escuro ainda e ao mesmo tempo brilhante, como um espelho de barro, além de ser mole e aguado. Visualmente falando, as diversas faces da areia formam um degradê entre a cor bege e a cor marrom. Finalizando com o mar cobrindo os "pés" da areia.

 
Pedimos uma porção de batata-frita, que evaporou em questão de minutos, acompanhada de uma latinha de Guaraná. Em outro momento, tomei um sorvete de palito, sabor de trufa de chocolate belga, pois sorvete com praia sempre combina. Mesmo na sombra, com um vento friozinho e agasalhado (inclusive depois cobri minhas pernas com uma toalha rs), tratei aquela tarde como ensolarada, por isso tomei sorvete e ainda passei protetor solar pelo corpo.


Falando em bronzeador, não consegui ver nenhuma mulher passando protetor, acho que as mulheres brasileiras são tão independentes que já vão à praia com protetor. Mas vi muitas mulheres lindas de biquini, talvez pelo grande movimento do feriado. Essas mulheres eram tão charmosas, que dava para eleger uma Miss Bumbum. E imaginar que em São José quase não vejo mulher de biquini (só no desfile da Oscar rsrs)... De repente, tive um recaída no meu vício de colecionar folders de baladas: mulheres vestindo shortinhos e uniformizadas com camisetas enroladas mostrando o umbigo, desfilaram pela areia, divulgando um evento com a presença de DJ´s com a entrega desses folders - meu pai acabou pegando um folder para mim e consegui matar minha curiosidade.

 
O Litoral Norte no feriado, contou com a presença de muita gente. Isso se via na areia lotada de mesas e cadeiras com sombrinhas (com as cores e os logotipos de cervejas famosas) ou sombrinhas próprias (com cores, estilos, formatos, materiais e estampas diversas) misturadas com cadeiras inclináveis, cangas e tapetes ao chão (além das bolsas térmicas ou geladeiras de isopor), brinquedos para mexer com a areia (para as crianças), trailers vendendo pastel ou milho verde, vendedores de queijo, churros, sorvete, empada ou coxinha, tendas brancas, carrinhos com roupas de praia e até lugar para fazer tatuagem...


Isso se via em cada grupo de pessoas aproveitando de jeitos únicos e independentes: famíliares, amigos, moradores locais, turistas, crianças, jovens e adultos, mulheres e homens, banhistas, surfistas, usuários de jet-ski, barco e lancha...


Pessoas passeando pela areia, mexendo com balde e pá na areia, fazendo castelo de areia, tomando sol sentadas ou deitadas na areia, tirando fotos das belezas naturais, comendo salgados e doces praianos ou não, conversando ou relaxando em silêncio, jogando frescobol, vôlei ou futebol, se refrescando no mar, colocando os pés na parte rasa, nadando ou boiando na parte mais funda, surfando ou tentando ficar em pé na prancha sobre as ondas, pegando um jacarezinho com um body board... Enfim, brasileiros independentes, curtindo a liberdade de descansar o corpo e a mente da correria da rotina.

 
O sol foi mudando de posição e ficando mais fraco. O fim de tarde foi se aproximando, com uma bela paisagem aos olhos de todos. O vento frio foi aumentando e o arrepio pelo corpo também. Até a grande lancha do Max da novela "Avenida Brasil", deu uma passada na Praia Grande (vai ver ele foi tirar uma folga da Carminha).


Depois de todos terem aproveitado à sua maneira, sentimos que era hora de voltar para o apartamento e guardar energias para o dia seguinte. Fiz o caminho radical inverso: subi o super-degrau da calçada do quiosque, atravessamos uma rua, subimos a rampa estreita e atravessamos a rua principal. A bateria da minha cadeira foi para o espaço, mas aos trancos e barrancos retornei ao apartamento. A partida de amistoso do Brasil contra a África do Sul (que foi 1x0 para o time brasileiro) tinha começado e conseguimos assistir até o fim, na companhia de um prato de macarrão com carne. Em seguida, assistimos o último capítulo da então novela das seis, "Amor Eterno Amor", onde acompanhei o emocionante final da personagem Miriam (pela qual fiquei profundamente apaixonado, por aqueles olhos marcantes, aqueles lábios maravilhosos com um vermelho irresistível do batom, por aquele sussurro meigo de palavras amorosas e sua música de fundo "...Ainda bem, que agora encontrei você!!!"). Após um belo e agitado 7 de setembro ao lado da família, em pleno Litoral Norte (longe do desfile da Independência de São José dos Campos), comecei a escrever de noite, um texto sobre minha aventura, que se transformou nesta postagem.

Um abraço de brasileiro independente para brasileiros independentes!

Um comentário:

Patricia disse...

Amigo Fábio,

Adorei esta outra viagem ao litoral!!
Beleza natural existe em muitos lugares ao nosso redor, mas precisa da beleza interna para alcançá-la e voce é um Mestre, um Doutor nesta capacidade.
Vc observa e sente a beleza da natureza e a humana e mais uma vez nos presenteia, obrigada!
Grande beijo, saudade!!
Patricia