domingo, 28 de outubro de 2012

Eu Amo o Lucy Montoro

Olá pessoas,

O centro de reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos completou 1 ano de funcionamento, por isso, começo a postagem desejando parabéns para este lugar maravilhoso e para toda sua equipe maravilhosa! Que continuem reabilitando a vida de muitos pacientes por vários anos, mantendo a excelência e a qualidade nos atendimentos, com bastante gentileza e carisma de todos funcionários. Que continuem oferecendo a cada paciente muita saúde, alegria, paz e felicidade, pois estar reabilitado é estar bem consigo mesmo, tanto no corpo como na alma.


O melhor de tudo é que pude acompanhar de perto grande parte dos momentos deste primeiro ano no Lucy. Desde que vi sua inauguração na TV em 2011, corri com minha mãe para nos inscrever e ter acesso a essas terapias de reabilitação. Fizemos entrevistas, passamos pelo acolhimento, fomos um dos primeiros a serem atendidos. O período do tratamento oferecido é de 3 meses, então depois de ter recebido atendimento em 3 manhãs por semana de fisioterapia, terapia ocupacional, condicionamento físico, fonoaudiologia, psicologia, enfermagem, serviço social e nutrição, fui sendo dispensado aos poucos. Na verdade, fiquei um mês a mais recebendo algumas dessas terapias e aí eu seria dispensado totalmente. Mas de repente recebi um convite que topei na hora, pois o Lucy faz parte da minha vida desde que o conheci: me chamaram para participar da oficina de arte, onde eu poderia extravasar toda minha criatividade rsrs Agora tenho ido 1 manhã por semana, toda segunda das 8h às 10h, mas fico um pouco mais para matar a saudade dos meus amigos funcionários e pacientes.

Nos parágrafos abaixo, preparei uma homenagem através de relatos bem-humorados sobre cada atividade que ajudou a reabilitar minha vida e que continua me reabilitando. Por ter vivenciado muitos momentos no Lucy Montoro, sinto uma grande amizade por vários terapeutas e funcionários, além de alguns pacientes (pois não é possível conhecer todos por conta de períodos diferentes e por serem tantos). Por isso, no final de cada parágrafo, escrevi os nomes dos terapeutas, dos profissionais de cada atividade e dos pacientes que vi ou vejo com maior frequência. Mesmo que falte alguns nomes, procurei lembrar de todos na minha mente, pois é muita gente, tem terapeutas, profissionais e pacientes novos e demoro um pouco para gravar nomes. Mas se virem que faltou algum nome, é só me falar que acrescento depois na postagem.


FONO: durante as sessões, eram feitos os exercícios com a supervisão das fonoaudiólogas - de tempos em tempos, elas ensinavam novos exercícios para estimular a respiração e facilitar na hora de engolir, aí eu tentava na primeira vez, mas desafinava no som ou ficava esquisito. O engraçado é a careta que eu faço ao me exercitar, mostrando meu empenho rsrs Tem os exercícios com som: gritar (pois tem que ser firme e forte) "aaaaaaaaaaaaaaa!!!", "iiiiiiiiiiiii!!!", "uuuuuuuuuuuu!!!", "rá! rá! rá!", "ká! ká! ká!", contar de 1 até 9 em voz alta. Tem os exercícios sem som: fazer expressões no rosto de bravo e de assustado, fazer com a boca um bico e depois um sorriso, fazer um bico bem grande por 10 segundos. Como benefício, senti que minha voz ficou mais firme e forte, minha timidez diminuiu e minha confiança em mim mesmo aumentou. No começo, eu ficava meio tímido com as caras e bocas dos exercícios, me achava meio doido ao me exercitar (pois da sala de psicologia, que é ao lado, dá para ouvir os gritos rsrs), mas aos poucos fui colocando as mangas de fora e até gracinha eu fazia nos intervalos. Tendo a voz forte, aprendi que poderia declamar bem algumas de minhas poesias e em todo dia, no final da tarde, vou no meu quarto para fazer toda a série dos exercícios passados, além de declamar minhas poesias de Natal, Ano Novo, Páscoa, Dia das Mães e dos Pais, tudo sem cola, pois já gravei os versos em minha mente. Andreia e Tatiana.

COND.FÍSICO: consegui matar minha curiosidade e gostei de participar de suas atividades. Pude conhecer e praticar a bocha adaptada para pessoas com deficiência, que usa uma calha (tipo uma madeira comprida em formato de V) apoiada na perna de um lado e inclinada para baixo, apoiando no chão, além de bolas diversas (grandes, pequenas, leves, pesadas) - com ajuda dos educadores físicos, era preciso escolher a posição da calha, tanto pela direita ou esquerda, como para cima ou para baixo na inclinação (criando velocidade maior ou menor). Depois, eu pegava cada bola, colocava sobre a calha, soltava e torcia para acertar o alvo, que poderia ser outra bola ou um ponto demarcado. Também já usamos as bolas na calha para acertar o gol, tendo que passar por um joão-bobo com cara de tigre (apelidado de São Marcos rs). Criamos uma nova modalidade de esporte adaptado: o "sinucobol", que usa um taco preso na minha cadeira com fita adesiva, uma bola e cones para as traves do gol. O jogador (no caso, eu rs) controla sua cadeira motorizada e mira o taco na bola, conduzindo-a até empurrá-la para dentro do gol. Em caso de pênalti, a bola fica na marca da grande área, o cobrador pode pegar distância e dar a tacada com a cadeira. É permitida a paradinha: é só correr, parar a cadeira e depois acelerar de leve marcando o gol (no meu treino deu certo rs). Os dois esportes foram praticados tanto na sala de condicionamento como ao ar livre. Quando minha cadeira estava em forma, eu fazia circuitos de manobras com ela, passando entre os cones através de curvas de um lado para outro, fazendo ida e volta, andando com a cadeira de frente e até de ré. Teve até um circuito que formava uma pista usando os cones, no qual eu tinha de percorrer de olhos vendados, seguindo os comandos dos educadores, ditando minha direção e na segunda vez, era só um "vai bater!". Antes e depois das atividades, era preciso dizer como me sentia, cansado, muito cansado ou não, além de contar qual era minha pressão e temperatura do dia. Durante a sessão, podia escolher a música de fundo para empolgar nos exercícios. Em outro momento, ganhei a companhia de um rapaz e de uma moça, que passaram a fazer as atividades também, o que permitiu que jogássemos juntos a bocha. Eu dava azar de ficar em último lugar na maioria das vezes, mas sempre me divertia. As últimas atividades foram um quiz entre nós sobre coisas antigas e algumas rodadas de pescaria que nem aquelas de festa junina. Ed e Cristina.

SERV.SOCIAL: a assistente social me ajudou bastante ao facilitar na marcação de algumas consultas médicas e no acesso a alguns serviços municipais. Mas o que reabilitou minha vida foi seu entusiasmo ao conhecer minha história e alguns de meus feitos (é que adoro inventar coisas criativas e interessantes para fazer rs), junto de seu grande incentivo para meus planos futuros. Inicialmente, ela me passou uma série de perguntas (chamada "Livro Pessoa") sobre o conteúdo que minha vida teria se fosse um livro. Fiquei animado em respondê-las e aproveitei para acrescentar minha poesia "DMD - Deus Me Deu" (cuja sigla se refere à minha doença). Ela compartilhou comigo textos de grande sabedoria, com reflexões e dicas essenciais para uma boa vida. Ela me ajudou a criar meu Projeto de Vida, com metas em várias áreas de minha vida para cumprir. Hoje, relendo essas metas, percebi que consegui cumprir algumas delas: assisti ao desfile das escolas de samba de São José no Carnaval deste ano, passei a sair mais de casa, fui à praia 3 vezes em um dos semestres deste ano. A meta de escrever 4 postagens por mês no blog, mesmo que eu não consiga cumprir, me trouxe até aqui com muitas postagens e tenho tudo para bater meu melhor ano (2009, com 34 postagens). E escrever me faz muito feliz, pois me permite cumprir meu propósito de transmitir amor por meio de meu talento poético. O que escrevo faz um bem enorme para meus queridos leitores, para todas as pessoas à minha volta e para mim. Thaís e Joelma.

NUTRI: assim que entrávamos na sala, eu estacionava minha cadeira em um dos cantos, de frente para a cadeira da nutricionista e já começava a confessar todas as extravagâncias de doces ou salgados que como nos fins de semana, sem esconder nada rsrs A preocupação era sempre com a quantidade ingerida de sódio, o funcionamento do intestino, o consumo de vitamina D com o iogurte Densia ou tomando sol e a alimentação de 3 em 3 horas. Mas é um controle muito importante para a saúde de todos. A cada mês, eu parava na balança para me pesar com a cadeira junto e depois calculava subtraindo para chegar ao meu peso. Só teve uma vez que tirei o colete para tirar algumas medidas do abdômem e dos braços com fita métrica e adipômetro. Também ficávamos de olho nos números de minha pressão. Em várias sessões, lemos textos com dicas e informações sobre a pirâmide alimentar, os tipos de alimentos, as fontes nutricionais. De tarefa, já levei alguns rótulos de alimentos consumidos (achocolatado, cookies integrais, leite, suco e pão), mostrei o cardápio que tive durante 2 dias de minha semana. Depois de meses de instruções, confissões das delícias e dos eventos dos fins de semana, de saber do que gosto, do que não gosto e do que tenho mais facilidade para engolir, a nutricionista preparou uma sugestão de cardápio para mim. Kellen.

ENFERMAGEM: em todos os dias de Lucy, antes das atividades e terapias, era preciso passar pela equipe de enfermagem para medir pressão, temperatura e batimentos - enquanto isso, dava tempo de conversar sobre o fim de semana, contar um pouco mais sobre mim e conhecer um pouco mais de cada enfermeiro. Por eu ir mais agasalhado, tinham que dar um jeitinho para encaixar o termômetro no braço. Entre cada medida, o bom-humor sempre esteve presente e uma leve expectativa de estar aprovado para fazer as atividades e graças a Deus, só faltei uma ou duas vezes e perdi apenas uma atividade por pressão alta. De ficha carimbada, as sessões de enfermagem eram dentro de uma sala e eram passadas apresentações de slides sobre vários sistemas, funções, partes e temas ligados ao corpo humano, além de doenças e enfermidades diversas, tudo muito bem explicado e respondido de forma atenciosa. Eram como aulas feitas por um bate-papo descontraído e acessível. Me sentia em uma sala de aulas interessantes. Qualquer machucado, eles faziam questão de cuidar - quando meu nariz machucou bastante por conta do uso da máscara do Bipap, me indicaram o curativo adesivo chamado hidroculóide e a enfermeira especialista em curativos cuidou de mim. Até hoje quando preciso, aplico em casa o curativo. Cheguei a assistir algumas palestras no auditório do Lucy, com slides mostrados no telão para vários pacientes - o palco é acessível com rampa. Fábio, Glaice, Melissa, Taís, Félix, Sandra, Jason, Lálter e Fernando.

PSICO: a verdade é que cada sessão era um desafio rs "O que vou dizer esta semana?" - aí eu repassava mentalmente os principais acontecimentos de cada dia, mesmo sabendo que só na hora eu descobriria meus assuntos. As psicólogas acabaram sendo para mim como amigas a quem eu dividia minhas dores mais secretas e podendo conversar com elas no ambiente fechado da sala, acabava sendo minha esperança de revelar meus sentimentos mais profundos, sem medo nem julgamento. Na hora em que algo me desanimava, eu pensava que poderia falar para elas. Mas na prática, tive de vencer minha timidez e minha preocupação de não querer julgar as pessoas. O tempo das sessões passava voando, até porque eu costumava demorar para me abrir, sendo necessário me cutucar, me perguntar ou falar comigo para descobrir meus mistérios rsrs Cada sessão de psicologia era que nem um templo no qual eu consultava um oráculo para saber o que fazer da minha vida, juntando conselhos e dicas essencias para me sentir melhor. Foi tão bom contar com a parceria das psicólogas, sempre dispostas a abrir meus olhos com sinceridade (todas as vezes eu concordava rs) e a me ajudar a encontrar uma solução para minhas dores. Um dos trabalhos principais comigo foi para me posicionar mais em cada área da minha vida, de modo a ter maior confiança em mim mesmo, falar para as pessoas aquilo que quero ou não quero, sem me preocupar tanto com o que todos vão pensar de mim ou se posso incomodar de alguma forma. Pois é, até o poeta tem suas doideiras rsrs Carolina e Elaine.

FISIO: em 2 manhãs da semana, era a primeira terapia do dia. Eu e meu pai (acompanhante) aguardávamos a abertura da porta dupla, pois a fisioterapia é feita com um grupo de pacientes - no começo, apenas eu era atendido no meu grupo (aí já viu, a atenção era total para mim, uma fisio pegava na perna e outra no braço rsrs), mas com o tempo fui ganhando companhia de outros pacientes, o que tornou tudo ainda mais animado. Fui atendido por 2 fisioterapeutas, uma em cada dia e me dei muito bem com elas - que visitaram meu blog, ouviram meus segredos e se divertiram com algumas histórias. Geralmente eu entrava na sala, dava um oi para todo mundo e ia direto para a maca, que tinha um travesseiro da Nasa e uma almofada em formato de rampa para as pernas. Meu pai tirava meu colete ortopédico, meu tênis e me deitava na maca, onde fazíamos os exercícios de alongamento nas pernas. Deitado, as fisioterapeutas alongavam uma das pernas para ensinar e relembrar de como se fazia corretamente e depois, meu pai alongava a outra perna, da mesma forma - eu ficava de olho para ver se ele fazia certinho rsrs Durante as alongadas nas pernas ou quando uma das fisios estava por perto, aproveitava para contar meus causos e minhas bobeiras, tornando o ambiente divertido. O exercício mais marcante era o de esticar as pernas, pois precisava ganhar amplitude para pedalar - apesar da dor com a esticada, aos poucos foi valendo a pena e ganhei a amplitude nas pernas, permitindo o início da bicicleta. Inicialmente, era 1 hora de exercícios na maca; tempos depois, era meia hora na maca e em seguida, meia hora na bicicleta. Meu pai colocava o colete comigo deitado e me levantava para outra cadeira, vestia meu tênis e me empurrava com a cadeira empinada (sem os apoios de pé) até a "bicicleta automática" (tipo uma bicicleta só com os pedais, sem o assento - que no caso é a cadeira - que pedala automaticamente sozinha, ajudando os pacientes a fazer o movimento de pedalar). Comecei fazendo 5 minutos de bicicleta e fui me acostumando aos poucos até chegar a aumentar a velocidade e a duração das pedaladas, inclusive o movimento inverso, dando "marcha ré" com a bike rs Ao longo dos movimentos, costumava fechar os olhos, imaginando os músculos se movendo para exercitar as pernas, como se tivesse fazendo uma viagem entre cidades, correndo na velocidade dos ciclistas profissionais rs Quando acabava o tempo programado, o controle da bike apitava avisando, sem contar que era possível acompanhar a contagem regressiva do relógio. É um exercício que gosto muito de fazer. Ana, Dayana, Carolina, Izabel, Karina, Nathalia, Cíntia e Lucas.

T.O.: em 2 manhãs da semana, era a última terapia do dia. Do outro lado do corredor, eu e meu pai aguardávamos a porta dupla da sala da T.O. se abrir e a terapeuta nos chamar. Toda vez eu entrava na sala, me aproximava da piscina de bolinhas e virava minha cadeira para o lado dos espelhos e do relógio. No começo, por só ter eu em meu grupo, o atendimento era exclusivo, ficando de um lado meu pai e do outro a terapeuta sentada em uma cadeira com rodinhas - eu ficava impressionado com a velocidade que a cadeira chegava, pois suas rodinhas deslizavam com muita facilidade. Com a entrada de novos pacientes, meu pai ia fazendo alguns exercícios, enquanto as terapeutas iam atendendo eles e depois voltavam para me atender. Na T.O. a gente movimentava meus braços para cima, baixo, direita, esquerda, fora, dentro, dobrava, esticava, girava os punhos, alongava dedo por dedo (eu até brincava: "tá bom, você venceu, eu faço tudo o que você quiser" rsrs), tocava o dedão com cada dedo (movimento de pinça, usado para treinar a mão para pegar coisas), rodava o punho para os 2 lados, subia ou descia as mãos, enfim, uma série de exercícios exclusiva para os braços. O que me entusiasmava era o mistério dos famosos brinquedinhos para exercitar as mãos e os braços, para estimular maiores movimentos no dia-a-dia, onde ficava curioso para saber com qual eu brincaria durante a sessão rsrs Tinha um exercício de apertar os pregadores com uma mão de cada vez e levantá-los com a ponta aberta até alcançarem o barbante e ficarem presos nele. Tinha o exercício de colocar as mãos em um pote de bolinhas geladas e meladas, com o objetivo de pegar algumas bolinhas de gude escondidas. Ou em outra versão com pedacinhos de milho e bolinhas de gude. Tinha o exercício de colocar argolas em volta de um pote, revezando os braços e depois tirá-las e colocá-las nas mãos das terapeutas. Tinha o exercício de encaixar as peças no tabuleiro do jogo "Resta Um", fazendo pinça com cada um dos dedos e ao jogar ir tirando peça por peça do mesmo jeito. Tinha o exercício do jogo de boliche com bola e pinos de plástico. Tinha o do quebra-cabeças chamado Tangran, cujas peças em diversos formatos poligonais, quadrados ou redondos deveriam formar o quadrado do tabuleiro - tentei de tudo, mas não cheguei nem perto de conseguir, descobrindo assim que não levo o menor jeito rs Tinha o exercício de apertar as massinhas mais grudentas que já vi com cada mão e quanto mais as apertava, mais preso ficava nelas, com o dedão enrolado nelas e a mão toda grudada - era preciso muita força para abrir cada mão sem a ajuda da outra e quando enfim conseguia, alguns restos das massinhas continuavam grudados nas unhas, nos cantos dos dedos e das mãos. Débora, Flávia, Lívia, Lígia e Keilla.

OFICINA: na última sessão de T.O. me fizeram o convite: "você gostaria de fazer a oficina de arte?". Respondi que sim na hora, pois adoro o Lucy e todos que lá trabalham! Além de gostar de fazer arte e ser um cara criativo rs Poderia trabalhar costurando tapetes ou montando caixinhas com palitos de sorvete. Não consegui trabalhar no primeiro, então fiquei com os palitos - mas tive a companhia de um amigo que costurou um tapete. O primeiro passo foi procurar na internet modelos prontos de diversos formatos e cores dessas caixinhas. Só de olhar parecia uma missão impossível, por isso comecei com um modelo quadrado que é mais simples. Mãos à obra: tudo começou quando aprendi a montar a base da caixa, na qual era preciso encostar alguns palitos entre si e nas suas duas extremidades colar 2 palitos. Em cada andar dos palitos, ia colando de 2 em 2 paralelamente e revezando a posição, ficando um pequeno espaço vazio entre cada andar. A cada semana, fui pegando o jeito de colar os palitos, a caixinha foi tomando forma e percebi que não é tão difícil fazer este trabalho - exige tempo e dedicação, porém durante sua confecção se mostra como uma terapia relaxante, um exercício prazeroso para as mãos e os braços e o principal, despertou ainda mais a confiança em mim mesmo. Isso ampliou minhas possibilidades de atividades para fazer em casa, usando os movimentos que tenho no momento para coisas diferentes, como o artesanato. Para finalizar a caixinha, faltava criar sua tampa parecida com uma pirâmide maia: basicamente é a mesma técnica de colagem da base, mas o que mudava era o fato de que em cada andar, os palitos iam sendo colados até se aproximarem do centro, que acontecia no último andar da tampa. O toque final era a pintura com tinta guache, cuja cor que escolhi foi azul: inicialmente pintei a base da caixinha pelos lados de fora, depois pintei a base pelo lado de fora, depois pintei a caixinha toda por dentro. Dei uma última pintada entre os vãos de cada andar. A pintura passou para a tampa, onde pintei por baixo, depois por cima e por fim, em todas suas laterais. Após secar a tinta, a caixinha de palitos ficou pronta, me deixando muito feliz e auto-realizado, além de ser exposta na semana em homenagem ao Dia das Mães, ao lado de outras obras. A segunda arte que criei foi uma luminária também com palitos de sorvete (confesso que não é de sorvete, usei o termo apenas para facilitar rsrs), seguindo a mesma técnica da caixinha: a base com alguns andares tinha um formato quadrado, igual ao da caixinha, formando uma espécie de "torre". Ao invés da tampa, foi colada por cima uma segunda torre sem base, para dar continuidade à anterior, porém com formato de losango. Logo acima, mais uma torre quadrada. Seguindo a sequência: mais uma torre em losango e uma torre quadrada - sem tampa para que a futura luz da luminária apareça. No total, foram 5 torres coladas. Outra alteração na arte, foi a pintura dos palitos antes de colar, de modo individual, que no começo era um teste para descobrir se mesmo pintados, os palitos conseguiriam ser colados rs Escolhi a cor vermelha para pintar cada palito. Só ficou faltando a lampadinha e o interruptor para criar a luz rs Seguindo a sugestão de uma das terapeutas, experimentei fazer um trabalho com colagem de tiras pequenas e enroladas de papel, para preenchimento do desenho de uma pomba branca. Usamos uma cartolina amarela, imprimimos um desenho de pomba que depois recortei e colei na cartolina. Para produzir as tiras, a terapeuta corta o papel em pedaços retangulares finos e meu pai com um palitinho enrola esses pedaços e cola para deixar as tiras firmes. E eu pego cada tira com as mãos, molho em um pouco de cola e faço a colagem sobre o desenho da pomba. Nos primeiros instantes, parecia que as tirinhas não conseguiriam grudar ou que não daria o efeito esperado, mas ao longo do preenchimento do desenho, o visual vai ficando muito bonito, parecendo penas em 3D rs


EQUIPE DO LUCY: o acompanhamento dos MÉDICOS Dr. Fabiano e Dr. Lee foi essencial para os progressos e as conquistas em minha reabilitação. O Dr. Fabiano me atendeu mais de uma vez e nos corredores sempre tirou minhas dúvidas e deu dicas para minha saúde. Tive consulta com o Dr. Lee apenas uma vez, mas valeu muito a pena, pois ele se aprofundou em meu caso, conversando comigo e com meu pai por 1 hora, com sugestões incríveis para ampliar os ganhos de movimentos. O Lucy Montoro oferece ainda as atividades de ACUPUNTURA (com a Dra. Maria Angélica e o Dr. Ricardo, aplicando agulhas em alguns pontos do corpo, mas não cheguei a fazer essa atividade) e de INCLUSÃO DIGITAL (em um horário bem cedo com as terapeutas ocupacionais, para aprender a usar o computador através de adaptações ou de um mouse ocular, além de aprender a usar o video-game). Para recuperar a energia, por volta de 9:45 as copeiras (Simone, Luciana e Rosemeire) passa com um carrinho pelo auditório, oferecendo LANCHES para os pacientes e seus acompanhantes, sendo que agora tem suco ou cafézinho, acompanhado de um sanduíche. Desde que chego no centro, já sou acolhido com alegria e entusiasmo por todos da RECEPÇÃO, que procuram atender da melhor forma possível (Aline, Sueli e William). Enquanto vou passando pelos corredores, vou observando os bastidores do pessoal da ADMINISTRAÇÃO, passando de um lado para o outro com papéis nas mãos ou de dentro das salas, em suas mesas e computadores, vão organizando o Lucy e fazendo tudo funcionar - colocando em seus trabalhos carinho e dedicação (Arianne, Claudineia, Priscila, Ligia, Suely). De tão feliz e satisfeito, não tenho nada a reclamar para o Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), que é facilmente acessível através da Alessandra em sua sala ou nos corredores ou nas urnas espalhadas perto de algumas salas, onde é possível preencher um papel, assinalando sua satisfação pelas atividades, além de espaço para dicas e sugestões - eu inclusive, preenchi um papel e fui só elogios, com toda minha sinceridade. E para melhor atender seus visitantes, procuram cuidar do lugar nos mínimos detalhes, seja na LIMPEZA de cada ambiente com total dedicação, seja nos sistemas funcionando com excelência no departamento de T.I., seja na área de SEGURANÇA e proteção de tudo.

PACIENTES: Entre os instantes de espera e os intervalos das atividades, as conversas com outros pacientes pelos corredores são sempre descontraídas e animadas. Durante as sessões, poder conviver em companhia dos amigos pacientes é algo que me incentiva ainda mais, além de ser uma boa oportunidade para conhecer suas histórias de superação. Fico contente pelo aprendizado que ganho através de cada exemplo que conheço. Davi, Flávio, Vanilda, Herminda, Nivaldo, Mike, Guilherme, Dejeane, Ramires, Douglas, Dona Cida, Felipe.

Dedico esta postagem a todos os profissionais incríveis que trabalham na Lucy Montoro - todos vocês, sem exceção, têm feito a diferença em minha vida. Admiro imensamente o carinho com que fazem seus trabalhos, sempre sorrindo e desejando sinceramente o melhor de cada paciente. Muito obrigado a todos por ajudarem a reabilitar minha vida. Dedico a todos os pacientes que assim como eu, buscam o melhor para suas vidas, se reabilitam com empenho, dão força um para outro e me fazem aprender a cada dia. Dedico também, a toda minha família, que tem tornado possível minha presença neste maravilhoso centro de saúde.

Um grande abraço!

2 comentários:

Anônimo disse...

Cassiano, ando pesquisando um pouco mais sobre distrofias e me deparei com seu blog.Sobre esse centro de reabilitação, qual os procedimentos para atendimento? Seria possível uma postagem com essas informações? Achei muito interessante o trabalho do local e meu desejo é saber mais sobre isso. Na verdade, tenho um amigo com DMD e desde o momento do diagnóstico, na infância, nunca procurou tratamento. Reluta em usar cadeira, mesmo sem condições de andar, dentre tantos outros tabus que eu acredito desaparecerem com o trabalho adequado. Seria possível saber um pouco mais sobre o atendimento no local? Sem perder oportuidade: Parabéns pelo blog amigo!

Fábio Cassiano disse...

Olá,

Me sinto honrado em fazer parte de suas buscas sobre distrofia e espero que tenha encontrado algo de bom para a vida de seu amigo! Agradeço pela sua visita ao blog e vejo essa troca nossa como uma grande benção...

Para conseguir um atendimento, é preciso ligar para o lugar e marcar uma entrevista para o paciente. Após mostrar alguns exames, documentos e avaliar o paciente, a reabilitação começa e dura por 3 meses, com direito a todas as terapias que descrevi.

Espero que seu amigo esteja bem neste momento e neste novo ano que se inicia! Desde a descoberta do diagnóstico até a dificuldade de andar é uma fase realmente muito complicada. Mas é com o apoio de médicos e terapeutas que os problemas vão sendo amenizados e o tratamento se torna fundamental para o bem-estar dele. Junto disso, o fato de ele se abrir e desabafar com a ajuda de algum psicólogo, é essencial.

Na verdade, o melhor jeito de conhecer é indo lá. O Lucy daqui de São José tem sido bem procurado, por isso para ter a reabilitação depende do que rolar na entrevista.

Obrigado pelos parabéns! Me envie um e-mail no fabiocof@hotmail.com que te retorno.

Abraços,

Fábio