terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Bem-vindo ao Novo Ano

Olá pessoas!

O Novo Ano se aproxima de nossas vidas. Ele simplesmente vai passando até chegar bem perto de nós e virar o presente de cada dia. O tempo age e nunca pára, seguindo em frente e sem voltar, sem esperar que nos preparemos para as novidades que estão por vir. Mas aproveitando este clima de celebração da vida, de maior sensibilidade para as emoções, de reflexão sobre o ano que está acabando, a melhor opção é ver com positividade o futuro. A virada do ano pode acontecer com alegria e abertura total do coração para o amor.

Quando estamos no primeiro dia do ano, é como se ganhássemos um livro em branco e tivéssemos de completá-lo ao longo de suas 365 páginas, ou seja, de todos os seus dias. É este espírito que pode e deve transformar nossa essência, renovando o estoque de energia e de esperança para dias melhores.

Se o ano de 2009 terminou bem, com sensação de dever cumprido e com felicidade, por que não começar o 2010 agradecendo pelas bençãos? Quando estamos bem, tudo acaba fluindo naturalmente, o pensamento positivo predomina e conseguimos encarar as dificuldades de frente, com força total. Aí é que o caminho se abre para que busquemos a evolução espiritual, procurando lidar com a vida em forma de aprendizado, onde cada momento gera lições valiosíssimas. O aprendizado se torna ainda melhor quando passamos a agradecer pela nossa vida, por tudo o que faz parte dela, quando passamos a colocar honestidade, humildade e dignidade em nossa alma, tanto nas palavras que expressamos como nas ações que praticamos.

Se o ano de 2009 não acabou tão bem, de modo desanimado e sem sal, por que não desabafar as dores e recomeçar? Podemos nos inspirar no significado da Virada e transformar pensamentos negativos em positivos. Podemos procurar no fundo de nosso coração, aquela força extra e usá-la para iniciarmos do zero e construirmos uma vida equilibrada. Nas horas de dúvida e medo, lembremos que o amor divino é poderoso e digno de grandes vitórias. Podemos confiar em nossas capacidades, absorvendo todo o carinho das pessoas à nossa volta, que nos enviam sempre boas vibrações e nos dão a mão naqueles instantes em que caímos - nos levantam e nos confortam.

Abaixo, compartilho com vocês um texto que escrevi com minha mãe, Marli Cassiano (http://www.otempoqueexisteemnos.blogspot.com/). Este texto representa com toda sinceridade, o que desejo a cada um de vocês, que tornam os meus dias emocionantes.


Que a chegada do próximo ano aconteça com infinitas possibilidades e que tenhamos sabedoria para escolher as melhores. APRENDER...
Que cada uma dessas escolhas nos transformem em pessoas melhores, mais humanas, capazes de perdoar. ASCENDER...
Que as pequenas bençãos diárias sejam milagres, já que o maior dos milagres é a própria vida. AGRADECER...
É encontrar na felicidade ou na dificuldade o presente eterno enviado por Deus... A celebração da fé inabalável do nosso Cristo interior.
Que todos tenham um Ano Novo Iluminado.

Felicidades e Boas Festas!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O Dia da Renovação

Todo ano tem começo, meio e fim. Nos primeiros meses, planejamos realizar tantos sonhos e desejos, em busca de uma vida ainda mais feliz. Quando se vê, o meio do ano chega e refletimos sobre os imprevistos que surgiram, adiando alguns projetos de nosso interesse. As férias de julho recuperam nossas energias para novos desafios e conquistas. Na reta final do ano, a rotina se torna corrida, acumulando tantas questões que ficaram de ser resolvidas. Isso nos deixa bem cansados e não nos permite viver muitos momentos ao lado de quem amamos.
Após vencermos o acúmulo de responsabilidades, usando a grande força interior, conseguimos encontrar a luz. É a hora das férias e festas de fim de ano.
Finalmente surge a oportunidade de falarmos com quem amamos. A tradição de comemorar datas tão belas e divinas é o convite certo para o amor. Esta é a chance para unirmos nossas vidas em forma de benção e assim aproveitarmos para demonstrar o que sentimos a cada um. Vamos adotar esta idéia, não adiar mais a expressão da nossa admiração e carinho pelas pessoas que fazem parte de nossa vida. Vamos deixar de lado as diferenças, as opiniões contrárias, os julgamentos injustos e o orgulho que às vezes nos impede de abrir o coração nas datas especiais. Lembremos que o ato de manter uma só voz na celebração, nos ensina que “unidos temos mais força, mais amor e mais crença na superação".

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Meu "eu robô"

Olá pessoas!

Contatos iniciais com o meu "eu robô"

Como falei nos textos anteriores, atualmente uso uma cadeira de rodas "elétrica", ou melhor dizendo, motorizada. Tudo começou no ano de 2004, quando meu corpo exigiu algumas adaptações para cadeira. O momento era de inovação: já que teríamos de trocar a cadeira por um novo modelo e eu já não conseguia me locomover com a normal, decidimos aproveitar o embalo para adquirir uma cadeira que se move com o clicar dos botões. "Freedom", palavra que nomeia a cadeira e para mim foi justamente seu significado que passei a usufruir - liberdade, independência, autonomia. Minha era robótica havia se iniciado a partir daquele ano.


Me transformando em "robô"

Por eu presenciar uma transição em minha vida, de um modelo de cadeira sem adaptações e com minha posição acomodada, para um outro adaptado, confesso que não passei a usar rapidamente quando estava com a novidade em casa. Nos primeiros meses, meu corpo não conseguia se moldar na postura correta da nova cadeira e ainda não estava pronto para sair por aí dirigindo que nem doido. Primeiramente, usava só dentro de casa. A minha cadeira motorizada é controlada por um "joistick" - um controle direcional - e pelos botões de "liga/desliga", "turbo" (esse botão uso só de vez em quando) e por um que chamo de "liberar" - serve para quando tiver um obstáculo difícil e precisar de alguém, permitindo que seja mais fácil empurrar a cadeira. Acontece que nas primeiras voltas, o movimento vai sendo feito aos "trancos e barrancos", pois o controle direcional é sensível e qualquer força a mais com a mão se torna radical. O toque tem que ser de leve, coisa que só aprendi com a prática. Passei a praticar as manobras básicas no quintal de casa, onde inventei um caminho imaginário de curvas e retas para descobrir a velocidade correta, para desviar de obstáculos, para dar ré, para descer e subir rampas, etc. Todo dia, dava pelo menos uma volta no circuito invisível que criei. Até então, o treino foi no quintal vazio, sem pessoas passando por perto.

Riscos, marcas de pneu, lascas de madeira e cia

É claro que um "robô" no dia-a-dia é difícil de se manter sem que haja algum risco na parede ou nos móveis. Dentro de casa tenho que estar atento às curvas e portas mais apertadinhas, à proximidade dos objetos, ao espaço para manobrar, ao meu cachorro que deita a qualquer hora e em qualquer lugar. Deixei muitas marcas de pneu nas paredes, tirei lascas de madeira de alguns móveis, estraguei a proteção de borracha na mesa que vem junto com a cadeira, passei por cima de tênis, sapatos e chinelos. Sendo "robô", também sofri panes no sistema e tive de substituir peças por novas. Uma vez um dos pneus foi furado por uma tachinha danada - como foi no ensino médio, na escola, tachinha era o que mais tinha - num dia no qual estava fazendo um trabalho extra, para atender um grupo de alunos de outra cidade e acabei sendo liberado pela falta de um bom pneu. A pane aconteceu na faculdade, em plena chuva de verão, momento em que entrou água no controle, deixando os botões doidos, fazendo tudo ao contrário: o comando para trás movia a cadeira para frente e vice-versa. No fim das contas, o controle voltou ao normal. Em relação à atropelamentos com a cadeira motorizada, pouquíssimas vezes ocorreu alguma trombada ou passada por cima do pé de alguma pessoa. E nunca foi por maldade - talvez desatenção ou reflexo rápido mas não o suficiente para desviar de alguém. De qualquer forma, sempre piloto com atenção, observando qualquer passo a mais de quem estiver a minha volta, que possa causar algo de errado.

Novos horizontes

Em 2005, passei a usar minha cadeira motorizada não só em casa, mas também durante as aulas na escola. Na minha estréia robótica, a galera da sala tinha reparado na novidade, mas tiveram certeza da mudança na hora em que com o simples toque no botão, me locomovi através da cadeira. A partir daí, o contato do meu "eu robô" com as pessoas se tornou cada vez mais frequente. Nas semanas iniciais, entrava direto na sala, sem me arriscar nas rampas e obstáculos que existiam na escola. Com o tempo, percebi que dava sim para ficar do lado de fora da sala com os amigos e outros alunos. Estava muito bem treinado para isso. Claro que com gente perto, a atenção tem que ser redobrada. Geralmente eu estacionava ao lado de um banco mais tranquilo, aguardando a chegada do pessoal. Era um dos primeiros da sala a chegar. Até que tocava o primeiro sinal e era hora de partir, pois alguns alunos começavam a ir para suas salas. Mas no segundo sinal, a muvuca era geral, muita gente se aglomerava perto da entrada, coisa que um "robô" não se sente à vontade. Dependendo do andar onde estudava, precisava subir as rampas de um nível para outro, muitas vezes tinha gente subindo do meu lado, diminuindo o espaço físico para a subida - costumava ficar no canto direito, para facilitar a curva e seguindo sempre em linha reta. Para descer era mais fácil, mas tinha que ir com velocidade reduzida para não ir com tudo na descida, sem contar que no final das rampas, a chance de de repente aparecer alguém era grande. Com o tempo, a escola foi criando acessibilidade que facilitava para um cadeirante robótico e isso me ajudou muito - certamente ajudará os próximos cadeirantes que estudarem por lá. A iniciativa que mais me encantou foi a Mega Rampa que fizeram para o acesso à biblioteca, que antes só era possível por meio de escadas que davam para um andar abaixo. Realmente senti a impossibilidade de entrar na biblioteca, pois para alugar livros, alguém precisava fazer isso por mim, mesmo eu tendo liberdade com a cadeira motorizada. Foi difícil não conseguir pegar livros de meu interesse por causa de um grande obstáculo. Bom, mas o dia em que a rampa estava liberada para minha primeira visita à biblioteca, foi emocionante, senti a alegria de mais uma possibilidade aos estudos, gravei o cenário de mais um lugar na mente. Me tornei um grande visitante do lugar, aluguei vários livros, consegui acompanhar meus amigos nos trabalhos feitos na concentração e silêncio da biblioteca. Enfim, foi muito bom.

Liberdade de lazer e entretenimento

Minha vida robotizada não parou por aí. A autonomia que conquistei, me abriu literalmente novas portas, inclusive para meu lazer e entretenimento. Isso me permite sair de casa, ir ao teatro, ao cinema, aos eventos, ao shopping, entre tantos outros lugares. No teatro, me deixam e me buscam sem preocupações, me oferecendo oportunidade de me divertir com as peças e ainda no final, poder tirar foto e conhecer grandes atores dos quais sou fã. No cinema, posso eu mesmo escolher em que lugar ficar, entrar e sair ao lado dos amigos ao invés de na frente de algum deles, que estaria me empurrando. Nos eventos, é possível ir naquela obra que me chama atenção, de forma natural, podendo olhar com tranquilidade cada atração, me envolvendo profundamente com cada evento, com o espaço em que acontecem. No shopping, igualmente. Há facilidade para eu rodar por todas as lojas, olhar as vitrines e se possível entrar nas lojas, ir para um canto mais reservado ou cheio de gente, ir na praça de alimentação, comprar alguma coisa, enfim, aproveitar como todos. Shows também passaram a fazer parte da minha lista de diversão, a partir da ida ao show da minha cantora preferida, Ivete Sangalo, que me surpreendeu pela oportunidade de entrar no camarim, ao lado de minha família e ficar uns 10 minutos conversando com a minha ídola. O meu "eu robô" permitiu tudo isto: um conjunto de possibilidades positivas para viver.

Meus "eus"

Quando sou "robô", preciso carregar as baterias, ser "desmontado" para caber no carro, usar a mesa da cadeira, evitar água de chuva ou de qualquer outra fonte, encontrar rampas e obstáculos fáceis de serem vencidos, ligar ou desligar, dar um turbo para rodar mais rápido, "liberar" a cadeira para me empurrarem, mover o botão direcional no rumo que desejar, - frente, trás, direita e esquerda - trocar os pneus e outras peças.

Quando sou "eu mesmo", a alma que guia minha vida, uso o motor da cadeira para ir atrás de sonhos, de lugares, de momentos especiais e para estar ao lado dos meus queridos amigos e da minha querida família. Junto disso, as emoções vão me acompanhando, me fazendo sentir como independente e liberto para voar, quer dizer, rodar pela imensidão de possibilidades. Ser livre para aproveitar cada momento e poder ter uma auto-realização é algo que não tem preço. Melhor do que ter bateria para me locomover aonde quer que eu esteja, é pensar com o coração de que maneira usarei essa dádiva para aproveitar o amor que existe ao meu redor, estando presente nos instantes mais propícios a qualquer forma de se amar uns aos outros.


Quando sou os dois "eus", a cadeira e seu sistema (com botões, fios, motor, circuito) fazem parte do meu corpo. Uma curiosidade bacana é que como pessoa com deficiência que sou, que possui um novo olhar sobre uma cadeira de rodas e de um sentir mais profundo dos toques, consigo sentir quando alguém toca na cadeira, parecendo que o toque foi em mim. Quando uma pessoa interage com minha cadeira, ao passar levemente as mãos sobre minha mesa (por exemplo), a sensação é que ela está presente no momento, que está envolvida no que tenho a dizer, enfim, compartilhando vibrações positivas comigo.

Ter uma cadeira motorizada é muito mais do que me locomover - é ter autonomia e asas para simplesmente, tentar aproveitar ao máximo tudo aquilo que a vida tem a me ensinar e me emocionar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Progressão no corpo, progresso na alma

Olá pessoas!

Faz mais de um mês que não passo por aqui para compartilhar algo com vocês, meus queridos leitores. Senti muitas saudades. Por vários fatores acabei não criando a oportunidade de escrever sobre algum assunto. Estou renovado para novos textos e espero recuperar o ritmo para escrever com maior frequência. Hoje o tema será profundo: a relação entre a progressão da minha doença - a Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), cuja ação causa a degeneração do tecido muscular - e o meu progresso como pessoa, como ser que constantemente aprende com sua vida.

Como descrito nas linhas anteriores, a DMD se caracteriza por ser progressiva, ou seja, sua ação vai evoluindo ao longo dos anos e degenerando os músculos, dificultando seus movimentos. Isso torna minha vida uma aventura, pois de tempos em tempos, é preciso parar e pensar em como resolver barreiras novas que vão surgindo. Na minha infância comecei a ter dificuldades para andar e fazer algumas outras atividades simples para as outras crianças. Pela experiência do cotidiano, passei a perceber que ficava um pouco "para trás" em qualquer exercício físico. Até então, somente minhas pernas sofreram com a progressão. Quando vi, já estava usando uma cadeira de rodas, quando vi meus braços enfraqueceram e nem movimentar a própria cadeira conseguia. A dependência aumentou, os desafios se multiplicaram, a acessibilidade nos lugares usando os pés se transformou com as rodas.

O tronco do meu corpo virou progressivo, me obrigando a procurar melhores adaptações para frear o ritmo contínuo de adversidades. No meio disso, a cadeira de rodas motorizada foi uma vitória, me dando oportunidade de voar, ou pelo menos planar acima do chão - metáforas de lado, ganhei um pouco mais de autonomia. Para segurar a gravidade que lutava contra mim, contei com as adaptações específicas para minha necessidade naquele instante. Contei com outra surpresa (pois mesmo sabendo que o futuro me reservaria obstáculos, não me sentia antecipadamente preparado para enfrentá-los e quando chegavam, apenas após assimilá-los eu encontrava a força): os pulmões foram afetados na capacidade pulmonar, levando-me àa trabalhar a respiração. Quase que simultâneamente, coletes para segurar a postura estavam em fase de medidas e testes. Depois, meu pescoço pareceu estar com um parafuso a menos: sustentar a cabeça ficou difícil, necessitando de um encosto de cabeça na cadeira. A segunda reforma geral na cadeira, surgiu em busca de manter a postura da coluna e de todo o tronco por meio de um novo colete, dessa vez mais moderno, além de ser frente e verso. Novas órteses para reposicionar os pés, assento novo, estrutura nova. Tudo graças a uma amiga muito especial que me presentou com as novidades em adaptações - nunca deixo de agradecer quando lembro deste maravilhoso gesto.

Agora, cá estou eu seguindo em frente com minha cadeira motorizada, procurando viver sem ter a vergonha de tentar ser feliz. Minha dependência de outras pessoas vai aumentando com o tempo e as opções de atividade exclusivamente sozinho vão se reduzindo. Junto à essa progressão, a atrofia do corpo se faz presente: as pernas não esticam, os dedos precisam de exercício para manterem suas extensões - isso interfere na minha própria tarefa como poeta, a de escrever, onde o toque direto no papel, da escrita rascunhada feita à lápis, cheia de rabiscos nas folhas, toda desorganizada, mas que no final de tudo se tornava uma obra pela qual sempre sentia carinho. Ainda sinto esse carinho, mas a eficiência no teclar dos botões computadorizados predominou e desde então, uso mais o teclado para digitar praticamente tudo, inclusive minhas próprias poesias. Até quando vai durar este período mais neutralizado em que me encontro? Não sei. É um mistério. Sei que algo pode aparecer daqui para frente. Espero que não, mas conviver com a palavra progressão é uma grande luta.


Mas se estou aqui contando esta história verdadeira para vocês, em um blog que criei no começo deste ano (que era um sonho antigo meu, confesso), é porque existe algo dentro de mim que me mostra o caminho. É o progresso da minha alma. Trata-se da transformação do meu ser, da troca de experiências que a cada momento, me faz uma pessoa melhor, mais de bem com a vida, mais do bem, mais confiante, mais forte, mais... aprendiz. Na infância, já fui tímido a ponto de me cumprimentarem e eu não retribuir; já fui anti-social e solitário - mas mesmo assim tive amigos muito especiais. Na adolescência, já fui rebelde com algumas coisas, já procurei prazer na comida, tanto que engordei muito - mas depois emagreci e encontrei um melhor sentido para a vida. Já fui um adolescente que não sabia perder nos jogos, já cometi erros que não pude reparar, já tive uma época em que xingava, em que dizia palavras duras. Durante esse período, aproveitava a vida em certas coisas, mas ao mesmo tempo, desistia frequentemente, até tentava escondido, rezar por um milagre, colocando os pés no chão e tentando levantar em um passe de mágicas, mas claro que não dava certo. Isso tudo que escrevi, muita gente não sabe. Nem sempre fui a pessoa bondosa que sou hoje. Relativamente não faz tanto tempo assim que me tornei alguém com bondade no coração. No passado, fui um adolescente que tinha uma baixa auto-estima por mim mesmo. O progresso que tive na alma foi aparecendo a cada ano, a cada luta que tinha que fazer para continuar seguindo em frente. Apesar das recaídas e dos acidentes de percurso, algo me fazia acreditar na vida. Na infância, na adolescência e na minha juventude, eu era movido pelo amor - aquele amor de um menino por uma menina, de um adolescente por uma garota, eu amei tanto que todo dia, acordava alegre só para ver cada amada, só que de forma secreta.

Enquanto o corpo sofria, minha alma foi descobrindo cada vez mais o amor e progredindo sua essencia mais profunda. Até que chegou um belo dia, no qual o amor que sentia me transformou em um quase poeta, que escrevia tipo uma vez por ano. Surgiu uma nova paixão, que se tornou musa das minhas primeiras poesias. Aí a frequência com que eu escrevia virou mais um progresso em minha vida. O amor me abençoou com um talento que na época eu fazia inocentemente por hobbie. Mas as poesias não foram só isso, elas eram a fonte de minha força (e sempre serão), pois quanto mais eu colocava para fora o amor, melhor eu me sentia, melhor eu me conhecia, melhor eu me descobria, melhor eu transformava minha auto-estima. Isso tudo foi me conduzindo para outro tipo de amor: o amor incondicional, desejando não só o bem das minhas paixões, mas também de todos ao meu redor. Passei a me inspirar na própria vida e em como ela possui um amor imenso. O amor me mostrou que eu poderia deixar de ser egoísta somente com meus problemas, por maior que eles fossem, e ajudar ao próximo da mesma maneira que sempre fui ajudado. A cada ajuda que oferecia, em troca me sentia melhor ainda e aprendia o quando é bom praticar o bem. A partir daí, o amor foi se multiplicando em novas palavras no meu vocabulário - bondade, humildade, honestidade, generosidade, perdão, servir, dignidade, simplicidade, sinceridade, carinho, respeito, companheirismo, gentileza, entre tantas outras muito especiais.

Unindo esses amores, o pelas musas e o pela vida, o progresso na alma foi se tornando cada vez maior. Na mesma proporção que a progressão foi agindo, o progresso no meu interior foi se formando, resultando na pessoa que sou hoje, que aprende com seus erros, que aprende independente do tempo estar bom ou ruim, que busca evoluir espiritualmente, que luta para realizar os sonhos... Que ama muito todos que fazem parte de sua vida, que ama muito toda sua família, que ama muito todos os seus amigos (os que convivi, os que convivo e os que conviverei).


Maior do que todas as dificuldades, maior do que qualquer coisa que seja progressiva, maior do que tudo o que acontece com meu corpo, maior que qualquer vontade desistir, é o progresso que constantemente vai se acrescentando dentro de mim. Meu coração sempre estará aberto para que entre tudo de bom e de sábio que a vida me reservar, através de lugares, momentos e pessoas inesquecíveis. Ser sábio é lembrar que sempre estamos em processo de aprendizado, até o final de nossas vidas.

Logo menos, volto com mais textos bacanas.

Um grande abraço!

sábado, 8 de agosto de 2009

Até nós a alegria vai quando estamos com nosso pai

Olá pessoas!
Hoje a homenagem vai para os pais. Os pais que são mais sutis na demonstração de amor, mas sabemos que eles sentem tantas emoções no coração. Em mente, vem aquela famosa cena de quando aprendemos a andar de bicicleta, sem as rodinhas: momento esse em que tiramos os apoios laterais da bicicleta, para contar com o apoio dos braços de nosso pai, nos segurando firmemente, nos incentivando, nos dando confiança e dando aquele empurrãozinho para andarmos sozinhos, sem rodinhas e de forma independente. Outra cena é aquela do famoso desmaio de alguns pais durante o parto, que se envolvem tanto com o belo instante. Existem alguns que não choram na frente dos filhos, mas sabemos que ficam super felizes com nossas conquistas.
Os pais demonstram um carinho pelos filhos e ao mesmo tempo mostram uma vontade de protegê-los. Eles são firmes em suas palavras e ensinam grandiosos valores da vida, como ter humildade e honestidade. São brincalhões, principalmente durante nossa infância e quando crescemos, nos dedicam um imenso respeito, orgulho e admiração. E eles sabem que são vistos pelos filhos desta mesma forma. E é por isso que amamos nosso pai. Feliz Dia dos Pais para todos os pais do mundo e desejo um sincero abraço para vocês.
Dedico esta poesia para meu querido pai, Rui. Na verdade, esta poesia escrevi inspirada nele, que escrevi para ele, com exclusividade, para colocar em palavras o amor que sinto por ele. Até hoje ele cuida de mim, me ajuda para tanta coisa, realiza meus pedidos de todo o dia... E sua presença é essencial na minha vida não só por isso, mas por também fazer tudo isso com grande carinho e emoção verdadeiros, por me ensinar tantas lições e por ser tão legal comigo.
Mas essa poesia dedico também a todos os pais e desejo que meus sinceros versos possam trazer ainda mais luz em suas vidas. Parabéns para todos os pais por este dia.

“Pai, juntos a gente vai”

(Fábio Cassiano)

Sua presença na minha vida é essencial,
Há muito tempo tem me ajudado bastante:
Em tudo o que preciso, por tempo integral,
Além de força, fazendo companhia constante.

Você é um super-pai, com especiais funções,
De motorista, guarda-costas, enfermeiro
Conselheiro, companheiro das emoções
E pai, que por dentro, possui amor verdadeiro.

Muito mais do que seu omelete delicioso,
Muito mais do que nosso passeio pela cidade,
Muito mais do que cada evento maravilhoso;
Seu exemplo é de vida, luta e honestidade.

Não sei o que o futuro pode nos reservar,
Mas sei que estará do meu lado, literalmente...
Sei que “pai e filho” é algo que vai se conservar,
Por muitos anos e pelos momentos da gente.

Hoje, preciso e dependo de você para viver,
Pela sua ajuda sou profundamente grato,
Com você posso sair, posso estar e ser...
A união nos faz mais fortes – é um fato.

É tão bom seguir ao seu lado, meu pai,
Onde juntos vivemos grandes aventuras
E pela frente as viveremos muito mais;
Na vida vamos fazendo novas pinturas.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Na Companhia do Cavalo

Olá pessoas!

O uso da cadeira de rodas é essencial para as pessoas que têm alguma deficiência capaz de impedí-las de se locomoverem na posição em pé. A presença da cadeira é tão importanate que pode-se dizer que é quase parte do corpo. Falo quase pois tem horas nas quais a troca da cadeira por um sofá ou por uma cama se faz necessário por conta das escaras - feridas no corpo ocasionadas pela permanência numa mesma posição. A cadeira é o nosso transporte, onde vamos em uma roda e voltamos em outra, os nossos passos são dados pelos pneus, que tocam o chão. A cadeira é a nossa opção confortável para sentar, pois isso é feito praticamente o dia todo. A cadeira nos permite viver no cotidiano, saindo de casa, passeando, fazendo as mais diversas atividades de casa, o trabalho, o estudo, a própria vida. Se lutamos para conquistar nosso espaço, a cadeira está do nosso lado (ou melhor, abaixo de nós, atrás de nós, carregando-nos para lá e para cá), pois faz parte de nós, que também estamos do lado dela, desejando que haja acessibilidade suficiente para ela e consequentemente, para nós mesmos. Por isso, para comparar a cadeira de forma reflexiva, em minha mente veio "cavalo".

Aos 12 anos, ganhei meu primeiro cavalo. Na época, sentia muitas dificuldades para me locomover e tinha que ser carregado no colo ou de alguma outra forma para ir a algum lugar. Era uma sensação estranha ser carregado, o que incomodava um pouco: tinha que estar com o corpo no alto, sem tocar no chão, os passos que me levavam me mantinham balançando no ar, meu peso fazia tremer os braços firmes que me seguravam e eu ficava olhando o chão distante de mim. Mesmo novo, sabia que dali pela frente, minha vida mudaria. Até que chegou o dia no qual fui para São Paulo conhecer meu primeiro cavalo. Ele era de uma raça mais simples, sem tanto luxo, confortável; o objetivo era um modelo "para sentar", ser meu companheiro e me levar por todos os cantos. Já saí da loja montado nele e me adaptando às rédeas para guiá-lo para onde eu desejava ir. Ou seja, como havia força no braço, eu passei a aprender a girar a roda de trás para movimentar a cadeira.

Posso dizer que fui cavaleiro ao conduzir meu cavalo e ao mesmo tempo, em situações com falta de acessibilidade ou lugares repletos de obstáculos, precisava de alguém para guiá-lo por mim, na frente, mostrando o caminho. Em outras palavras, empurrando a cadeira, empinando-a ao longo dos degraus, desníveis, rampas bem inclinadas e qualquer outra superfície irregular. Para me colocar no cavalo, sou totalmente dependente de uma ajudinha. Dois anos depois de ganhar meu primeiro cavalo, passei a sentir dificuldades em movimentar meus braços e com isso, já não podia mais cavalgar sozinho no cavalo. As aventuras secretas, os momentos de Zorro, as horas de independência, compartilhados entre eu e ele, passaram a contar com novas mãos, novos braços.


Em 2004, fui à Campinas, onde conheci meu segundo cavalo - o Liberdade. Naquela oportunidade, o objetivo não era apenas um cavalo "para sentar". Era muito mais do que isso. Eu precisava corrigir a postura da minha coluna e me sentar melhor no cavalo. Era o momento de usar equipamentos para montar nele, de modo a melhor me sentar e com conforto: colocamos sobre ele a sela (o assento para montar), os estribos (peças para encaixar os pés, apoiando-os para dar comodidade), as rédeas que dão um rumo para o cavalo, entre outros. A sela representa o assento da cadeira, que deve ser firme para sustentar e ao mesmo tempo mole para um sentar agradável. Os estribos representam o apoio para os pés numa cadeira, o qual deve alinhá-los e posicioná-los. As rédeas no caso, representam os fios da cadeira motorizada, responsáveis pela minha volta à independência na montagem sobre o cavalo. Tive que aprender a andar com a nova cadeira, que até hoje faz parte da minha vida.

No final do ano passado, uma amiga me presenteou com novos equipamentos para meu cavalo e para mim também. Para minha cadeira, um novo assento, um novo encosto para a cabeça e para mim uma bota hípica para montar melhor (ou seja, uma órtese para colocar meus pés numa boa posição e bem apoiado na cadeira) e um colete para segurar meu tronco em uma boa postura.

A cadeira e eu. Eu e a cadeira. Somos inseparáveis. Dependo dela para viver no dia-a-dia, preciso dela para tudo. Ela depende de mim para se mover, pois necessita dos comandos do controle. Já caí da cadeira algumas vezes e doeu muito, já virei junto com a cadeira, bati a cabeça e fez um galo enorme. Já fiquei molhado junto com a cadeira durante chuvas. Já realizei sonhos com sua ajuda. Já vivi bons momentos em cima dela. Já vivi momentos difíceis também... A qualquer instante, estarei na companhia do cavalo - a minha cadeira de rodas.

Não sei se acertei na comparação, mas tentei abordar o assunto de uma forma diferente. São pequenas metáforas, pois nunca tive um cavalo, mas a cadeira de rodas eu uso desde os 12 anos até os dias de hoje.

Abraços!

domingo, 26 de julho de 2009

20 anos joseense e 242 anos de São José dos Campos

Olá pessoas!

Hoje é um dia muito especial: o aniversário da minha querida cidade, São José dos Campos. Ela foi o palco de minha vida ao longo dos meus 20 anos. Foi aqui, neste munícipio que nasci e onde continuo me desenvolvendo como pessoa. Foi aqui que sempre estudei e estudo até hoje. Foi aqui que conheci pessoas incríveis, que visitei lugares magníficos, que vivenciei momentos espetaculares. Foi aqui que estive ao lado de vários amigos, perto da família e de todos os outros joseenses.

Parabéns para São José dos Campos!!! Parabéns pelos seus 242 anos, de muito progresso, prosperidade e alegria!!! Tenho orgulho de morar aqui!!!

E como tudo o que é bom pode virar poesia, minha homenagem virá da forma que amo fazer: escrevendo.


“Qualidade de Vida Joseense”

A vida joseense através de uma aldeia nasceu,
Formada por índios numa fazenda de jesuítas,
Religiosos expulsos pela lei de princípio ateu,
Que voltaram, numa planície de matas bonitas.

No marco zero foi construída a Igreja Matriz
E logo a simples aldeia se transformou em vila:
A economia e a cultura foram criando raiz...
São José (do Paraíba) ganhou ainda mais vida.

Virou São José dos Campos, estância curadora:
O clima agradável foi usado em prol da saúde,
Para tratar doentes tornou-se colaboradora;
O Sanatório Vicentina Aranha fez sua amplitude.

A qualidade de vida ficou ainda mais evidente,
Pois mais pessoas para aqui vieram morar.
Infraestrutura e saneamento tinham em mente
E assim, desenvolvimento industrial gerar.

São 242 anos, muitos anos de vida saudável,
Afinal, grande parte de sua área é preservada,
A paisagem do Banhado encanta e é adorável;
São Francisco Xavier, naturalmente privilegiada.

São José dos Campos, município com variedade,
Feiras, shoppings, Mercado Municipal e Calçadão...
Nos parques e museus, eventos de alta qualidade;
Patrimônios e cartões postais tocam nosso coração.

Cidade dos avanços de preservação e tecnologia,
A qualidade de bom lugar para viver a nós pertence;
Pois além de urbana, o toque de interior contagia...
Nasci aqui e sou feliz pela qualidade de vida joseense.

Fábio Cassiano