domingo, 28 de outubro de 2012

Eu Amo o Lucy Montoro

Olá pessoas,

O centro de reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos completou 1 ano de funcionamento, por isso, começo a postagem desejando parabéns para este lugar maravilhoso e para toda sua equipe maravilhosa! Que continuem reabilitando a vida de muitos pacientes por vários anos, mantendo a excelência e a qualidade nos atendimentos, com bastante gentileza e carisma de todos funcionários. Que continuem oferecendo a cada paciente muita saúde, alegria, paz e felicidade, pois estar reabilitado é estar bem consigo mesmo, tanto no corpo como na alma.


O melhor de tudo é que pude acompanhar de perto grande parte dos momentos deste primeiro ano no Lucy. Desde que vi sua inauguração na TV em 2011, corri com minha mãe para nos inscrever e ter acesso a essas terapias de reabilitação. Fizemos entrevistas, passamos pelo acolhimento, fomos um dos primeiros a serem atendidos. O período do tratamento oferecido é de 3 meses, então depois de ter recebido atendimento em 3 manhãs por semana de fisioterapia, terapia ocupacional, condicionamento físico, fonoaudiologia, psicologia, enfermagem, serviço social e nutrição, fui sendo dispensado aos poucos. Na verdade, fiquei um mês a mais recebendo algumas dessas terapias e aí eu seria dispensado totalmente. Mas de repente recebi um convite que topei na hora, pois o Lucy faz parte da minha vida desde que o conheci: me chamaram para participar da oficina de arte, onde eu poderia extravasar toda minha criatividade rsrs Agora tenho ido 1 manhã por semana, toda segunda das 8h às 10h, mas fico um pouco mais para matar a saudade dos meus amigos funcionários e pacientes.

Nos parágrafos abaixo, preparei uma homenagem através de relatos bem-humorados sobre cada atividade que ajudou a reabilitar minha vida e que continua me reabilitando. Por ter vivenciado muitos momentos no Lucy Montoro, sinto uma grande amizade por vários terapeutas e funcionários, além de alguns pacientes (pois não é possível conhecer todos por conta de períodos diferentes e por serem tantos). Por isso, no final de cada parágrafo, escrevi os nomes dos terapeutas, dos profissionais de cada atividade e dos pacientes que vi ou vejo com maior frequência. Mesmo que falte alguns nomes, procurei lembrar de todos na minha mente, pois é muita gente, tem terapeutas, profissionais e pacientes novos e demoro um pouco para gravar nomes. Mas se virem que faltou algum nome, é só me falar que acrescento depois na postagem.


FONO: durante as sessões, eram feitos os exercícios com a supervisão das fonoaudiólogas - de tempos em tempos, elas ensinavam novos exercícios para estimular a respiração e facilitar na hora de engolir, aí eu tentava na primeira vez, mas desafinava no som ou ficava esquisito. O engraçado é a careta que eu faço ao me exercitar, mostrando meu empenho rsrs Tem os exercícios com som: gritar (pois tem que ser firme e forte) "aaaaaaaaaaaaaaa!!!", "iiiiiiiiiiiii!!!", "uuuuuuuuuuuu!!!", "rá! rá! rá!", "ká! ká! ká!", contar de 1 até 9 em voz alta. Tem os exercícios sem som: fazer expressões no rosto de bravo e de assustado, fazer com a boca um bico e depois um sorriso, fazer um bico bem grande por 10 segundos. Como benefício, senti que minha voz ficou mais firme e forte, minha timidez diminuiu e minha confiança em mim mesmo aumentou. No começo, eu ficava meio tímido com as caras e bocas dos exercícios, me achava meio doido ao me exercitar (pois da sala de psicologia, que é ao lado, dá para ouvir os gritos rsrs), mas aos poucos fui colocando as mangas de fora e até gracinha eu fazia nos intervalos. Tendo a voz forte, aprendi que poderia declamar bem algumas de minhas poesias e em todo dia, no final da tarde, vou no meu quarto para fazer toda a série dos exercícios passados, além de declamar minhas poesias de Natal, Ano Novo, Páscoa, Dia das Mães e dos Pais, tudo sem cola, pois já gravei os versos em minha mente. Andreia e Tatiana.

COND.FÍSICO: consegui matar minha curiosidade e gostei de participar de suas atividades. Pude conhecer e praticar a bocha adaptada para pessoas com deficiência, que usa uma calha (tipo uma madeira comprida em formato de V) apoiada na perna de um lado e inclinada para baixo, apoiando no chão, além de bolas diversas (grandes, pequenas, leves, pesadas) - com ajuda dos educadores físicos, era preciso escolher a posição da calha, tanto pela direita ou esquerda, como para cima ou para baixo na inclinação (criando velocidade maior ou menor). Depois, eu pegava cada bola, colocava sobre a calha, soltava e torcia para acertar o alvo, que poderia ser outra bola ou um ponto demarcado. Também já usamos as bolas na calha para acertar o gol, tendo que passar por um joão-bobo com cara de tigre (apelidado de São Marcos rs). Criamos uma nova modalidade de esporte adaptado: o "sinucobol", que usa um taco preso na minha cadeira com fita adesiva, uma bola e cones para as traves do gol. O jogador (no caso, eu rs) controla sua cadeira motorizada e mira o taco na bola, conduzindo-a até empurrá-la para dentro do gol. Em caso de pênalti, a bola fica na marca da grande área, o cobrador pode pegar distância e dar a tacada com a cadeira. É permitida a paradinha: é só correr, parar a cadeira e depois acelerar de leve marcando o gol (no meu treino deu certo rs). Os dois esportes foram praticados tanto na sala de condicionamento como ao ar livre. Quando minha cadeira estava em forma, eu fazia circuitos de manobras com ela, passando entre os cones através de curvas de um lado para outro, fazendo ida e volta, andando com a cadeira de frente e até de ré. Teve até um circuito que formava uma pista usando os cones, no qual eu tinha de percorrer de olhos vendados, seguindo os comandos dos educadores, ditando minha direção e na segunda vez, era só um "vai bater!". Antes e depois das atividades, era preciso dizer como me sentia, cansado, muito cansado ou não, além de contar qual era minha pressão e temperatura do dia. Durante a sessão, podia escolher a música de fundo para empolgar nos exercícios. Em outro momento, ganhei a companhia de um rapaz e de uma moça, que passaram a fazer as atividades também, o que permitiu que jogássemos juntos a bocha. Eu dava azar de ficar em último lugar na maioria das vezes, mas sempre me divertia. As últimas atividades foram um quiz entre nós sobre coisas antigas e algumas rodadas de pescaria que nem aquelas de festa junina. Ed e Cristina.

SERV.SOCIAL: a assistente social me ajudou bastante ao facilitar na marcação de algumas consultas médicas e no acesso a alguns serviços municipais. Mas o que reabilitou minha vida foi seu entusiasmo ao conhecer minha história e alguns de meus feitos (é que adoro inventar coisas criativas e interessantes para fazer rs), junto de seu grande incentivo para meus planos futuros. Inicialmente, ela me passou uma série de perguntas (chamada "Livro Pessoa") sobre o conteúdo que minha vida teria se fosse um livro. Fiquei animado em respondê-las e aproveitei para acrescentar minha poesia "DMD - Deus Me Deu" (cuja sigla se refere à minha doença). Ela compartilhou comigo textos de grande sabedoria, com reflexões e dicas essenciais para uma boa vida. Ela me ajudou a criar meu Projeto de Vida, com metas em várias áreas de minha vida para cumprir. Hoje, relendo essas metas, percebi que consegui cumprir algumas delas: assisti ao desfile das escolas de samba de São José no Carnaval deste ano, passei a sair mais de casa, fui à praia 3 vezes em um dos semestres deste ano. A meta de escrever 4 postagens por mês no blog, mesmo que eu não consiga cumprir, me trouxe até aqui com muitas postagens e tenho tudo para bater meu melhor ano (2009, com 34 postagens). E escrever me faz muito feliz, pois me permite cumprir meu propósito de transmitir amor por meio de meu talento poético. O que escrevo faz um bem enorme para meus queridos leitores, para todas as pessoas à minha volta e para mim. Thaís e Joelma.

NUTRI: assim que entrávamos na sala, eu estacionava minha cadeira em um dos cantos, de frente para a cadeira da nutricionista e já começava a confessar todas as extravagâncias de doces ou salgados que como nos fins de semana, sem esconder nada rsrs A preocupação era sempre com a quantidade ingerida de sódio, o funcionamento do intestino, o consumo de vitamina D com o iogurte Densia ou tomando sol e a alimentação de 3 em 3 horas. Mas é um controle muito importante para a saúde de todos. A cada mês, eu parava na balança para me pesar com a cadeira junto e depois calculava subtraindo para chegar ao meu peso. Só teve uma vez que tirei o colete para tirar algumas medidas do abdômem e dos braços com fita métrica e adipômetro. Também ficávamos de olho nos números de minha pressão. Em várias sessões, lemos textos com dicas e informações sobre a pirâmide alimentar, os tipos de alimentos, as fontes nutricionais. De tarefa, já levei alguns rótulos de alimentos consumidos (achocolatado, cookies integrais, leite, suco e pão), mostrei o cardápio que tive durante 2 dias de minha semana. Depois de meses de instruções, confissões das delícias e dos eventos dos fins de semana, de saber do que gosto, do que não gosto e do que tenho mais facilidade para engolir, a nutricionista preparou uma sugestão de cardápio para mim. Kellen.

ENFERMAGEM: em todos os dias de Lucy, antes das atividades e terapias, era preciso passar pela equipe de enfermagem para medir pressão, temperatura e batimentos - enquanto isso, dava tempo de conversar sobre o fim de semana, contar um pouco mais sobre mim e conhecer um pouco mais de cada enfermeiro. Por eu ir mais agasalhado, tinham que dar um jeitinho para encaixar o termômetro no braço. Entre cada medida, o bom-humor sempre esteve presente e uma leve expectativa de estar aprovado para fazer as atividades e graças a Deus, só faltei uma ou duas vezes e perdi apenas uma atividade por pressão alta. De ficha carimbada, as sessões de enfermagem eram dentro de uma sala e eram passadas apresentações de slides sobre vários sistemas, funções, partes e temas ligados ao corpo humano, além de doenças e enfermidades diversas, tudo muito bem explicado e respondido de forma atenciosa. Eram como aulas feitas por um bate-papo descontraído e acessível. Me sentia em uma sala de aulas interessantes. Qualquer machucado, eles faziam questão de cuidar - quando meu nariz machucou bastante por conta do uso da máscara do Bipap, me indicaram o curativo adesivo chamado hidroculóide e a enfermeira especialista em curativos cuidou de mim. Até hoje quando preciso, aplico em casa o curativo. Cheguei a assistir algumas palestras no auditório do Lucy, com slides mostrados no telão para vários pacientes - o palco é acessível com rampa. Fábio, Glaice, Melissa, Taís, Félix, Sandra, Jason, Lálter e Fernando.

PSICO: a verdade é que cada sessão era um desafio rs "O que vou dizer esta semana?" - aí eu repassava mentalmente os principais acontecimentos de cada dia, mesmo sabendo que só na hora eu descobriria meus assuntos. As psicólogas acabaram sendo para mim como amigas a quem eu dividia minhas dores mais secretas e podendo conversar com elas no ambiente fechado da sala, acabava sendo minha esperança de revelar meus sentimentos mais profundos, sem medo nem julgamento. Na hora em que algo me desanimava, eu pensava que poderia falar para elas. Mas na prática, tive de vencer minha timidez e minha preocupação de não querer julgar as pessoas. O tempo das sessões passava voando, até porque eu costumava demorar para me abrir, sendo necessário me cutucar, me perguntar ou falar comigo para descobrir meus mistérios rsrs Cada sessão de psicologia era que nem um templo no qual eu consultava um oráculo para saber o que fazer da minha vida, juntando conselhos e dicas essencias para me sentir melhor. Foi tão bom contar com a parceria das psicólogas, sempre dispostas a abrir meus olhos com sinceridade (todas as vezes eu concordava rs) e a me ajudar a encontrar uma solução para minhas dores. Um dos trabalhos principais comigo foi para me posicionar mais em cada área da minha vida, de modo a ter maior confiança em mim mesmo, falar para as pessoas aquilo que quero ou não quero, sem me preocupar tanto com o que todos vão pensar de mim ou se posso incomodar de alguma forma. Pois é, até o poeta tem suas doideiras rsrs Carolina e Elaine.

FISIO: em 2 manhãs da semana, era a primeira terapia do dia. Eu e meu pai (acompanhante) aguardávamos a abertura da porta dupla, pois a fisioterapia é feita com um grupo de pacientes - no começo, apenas eu era atendido no meu grupo (aí já viu, a atenção era total para mim, uma fisio pegava na perna e outra no braço rsrs), mas com o tempo fui ganhando companhia de outros pacientes, o que tornou tudo ainda mais animado. Fui atendido por 2 fisioterapeutas, uma em cada dia e me dei muito bem com elas - que visitaram meu blog, ouviram meus segredos e se divertiram com algumas histórias. Geralmente eu entrava na sala, dava um oi para todo mundo e ia direto para a maca, que tinha um travesseiro da Nasa e uma almofada em formato de rampa para as pernas. Meu pai tirava meu colete ortopédico, meu tênis e me deitava na maca, onde fazíamos os exercícios de alongamento nas pernas. Deitado, as fisioterapeutas alongavam uma das pernas para ensinar e relembrar de como se fazia corretamente e depois, meu pai alongava a outra perna, da mesma forma - eu ficava de olho para ver se ele fazia certinho rsrs Durante as alongadas nas pernas ou quando uma das fisios estava por perto, aproveitava para contar meus causos e minhas bobeiras, tornando o ambiente divertido. O exercício mais marcante era o de esticar as pernas, pois precisava ganhar amplitude para pedalar - apesar da dor com a esticada, aos poucos foi valendo a pena e ganhei a amplitude nas pernas, permitindo o início da bicicleta. Inicialmente, era 1 hora de exercícios na maca; tempos depois, era meia hora na maca e em seguida, meia hora na bicicleta. Meu pai colocava o colete comigo deitado e me levantava para outra cadeira, vestia meu tênis e me empurrava com a cadeira empinada (sem os apoios de pé) até a "bicicleta automática" (tipo uma bicicleta só com os pedais, sem o assento - que no caso é a cadeira - que pedala automaticamente sozinha, ajudando os pacientes a fazer o movimento de pedalar). Comecei fazendo 5 minutos de bicicleta e fui me acostumando aos poucos até chegar a aumentar a velocidade e a duração das pedaladas, inclusive o movimento inverso, dando "marcha ré" com a bike rs Ao longo dos movimentos, costumava fechar os olhos, imaginando os músculos se movendo para exercitar as pernas, como se tivesse fazendo uma viagem entre cidades, correndo na velocidade dos ciclistas profissionais rs Quando acabava o tempo programado, o controle da bike apitava avisando, sem contar que era possível acompanhar a contagem regressiva do relógio. É um exercício que gosto muito de fazer. Ana, Dayana, Carolina, Izabel, Karina, Nathalia, Cíntia e Lucas.

T.O.: em 2 manhãs da semana, era a última terapia do dia. Do outro lado do corredor, eu e meu pai aguardávamos a porta dupla da sala da T.O. se abrir e a terapeuta nos chamar. Toda vez eu entrava na sala, me aproximava da piscina de bolinhas e virava minha cadeira para o lado dos espelhos e do relógio. No começo, por só ter eu em meu grupo, o atendimento era exclusivo, ficando de um lado meu pai e do outro a terapeuta sentada em uma cadeira com rodinhas - eu ficava impressionado com a velocidade que a cadeira chegava, pois suas rodinhas deslizavam com muita facilidade. Com a entrada de novos pacientes, meu pai ia fazendo alguns exercícios, enquanto as terapeutas iam atendendo eles e depois voltavam para me atender. Na T.O. a gente movimentava meus braços para cima, baixo, direita, esquerda, fora, dentro, dobrava, esticava, girava os punhos, alongava dedo por dedo (eu até brincava: "tá bom, você venceu, eu faço tudo o que você quiser" rsrs), tocava o dedão com cada dedo (movimento de pinça, usado para treinar a mão para pegar coisas), rodava o punho para os 2 lados, subia ou descia as mãos, enfim, uma série de exercícios exclusiva para os braços. O que me entusiasmava era o mistério dos famosos brinquedinhos para exercitar as mãos e os braços, para estimular maiores movimentos no dia-a-dia, onde ficava curioso para saber com qual eu brincaria durante a sessão rsrs Tinha um exercício de apertar os pregadores com uma mão de cada vez e levantá-los com a ponta aberta até alcançarem o barbante e ficarem presos nele. Tinha o exercício de colocar as mãos em um pote de bolinhas geladas e meladas, com o objetivo de pegar algumas bolinhas de gude escondidas. Ou em outra versão com pedacinhos de milho e bolinhas de gude. Tinha o exercício de colocar argolas em volta de um pote, revezando os braços e depois tirá-las e colocá-las nas mãos das terapeutas. Tinha o exercício de encaixar as peças no tabuleiro do jogo "Resta Um", fazendo pinça com cada um dos dedos e ao jogar ir tirando peça por peça do mesmo jeito. Tinha o exercício do jogo de boliche com bola e pinos de plástico. Tinha o do quebra-cabeças chamado Tangran, cujas peças em diversos formatos poligonais, quadrados ou redondos deveriam formar o quadrado do tabuleiro - tentei de tudo, mas não cheguei nem perto de conseguir, descobrindo assim que não levo o menor jeito rs Tinha o exercício de apertar as massinhas mais grudentas que já vi com cada mão e quanto mais as apertava, mais preso ficava nelas, com o dedão enrolado nelas e a mão toda grudada - era preciso muita força para abrir cada mão sem a ajuda da outra e quando enfim conseguia, alguns restos das massinhas continuavam grudados nas unhas, nos cantos dos dedos e das mãos. Débora, Flávia, Lívia, Lígia e Keilla.

OFICINA: na última sessão de T.O. me fizeram o convite: "você gostaria de fazer a oficina de arte?". Respondi que sim na hora, pois adoro o Lucy e todos que lá trabalham! Além de gostar de fazer arte e ser um cara criativo rs Poderia trabalhar costurando tapetes ou montando caixinhas com palitos de sorvete. Não consegui trabalhar no primeiro, então fiquei com os palitos - mas tive a companhia de um amigo que costurou um tapete. O primeiro passo foi procurar na internet modelos prontos de diversos formatos e cores dessas caixinhas. Só de olhar parecia uma missão impossível, por isso comecei com um modelo quadrado que é mais simples. Mãos à obra: tudo começou quando aprendi a montar a base da caixa, na qual era preciso encostar alguns palitos entre si e nas suas duas extremidades colar 2 palitos. Em cada andar dos palitos, ia colando de 2 em 2 paralelamente e revezando a posição, ficando um pequeno espaço vazio entre cada andar. A cada semana, fui pegando o jeito de colar os palitos, a caixinha foi tomando forma e percebi que não é tão difícil fazer este trabalho - exige tempo e dedicação, porém durante sua confecção se mostra como uma terapia relaxante, um exercício prazeroso para as mãos e os braços e o principal, despertou ainda mais a confiança em mim mesmo. Isso ampliou minhas possibilidades de atividades para fazer em casa, usando os movimentos que tenho no momento para coisas diferentes, como o artesanato. Para finalizar a caixinha, faltava criar sua tampa parecida com uma pirâmide maia: basicamente é a mesma técnica de colagem da base, mas o que mudava era o fato de que em cada andar, os palitos iam sendo colados até se aproximarem do centro, que acontecia no último andar da tampa. O toque final era a pintura com tinta guache, cuja cor que escolhi foi azul: inicialmente pintei a base da caixinha pelos lados de fora, depois pintei a base pelo lado de fora, depois pintei a caixinha toda por dentro. Dei uma última pintada entre os vãos de cada andar. A pintura passou para a tampa, onde pintei por baixo, depois por cima e por fim, em todas suas laterais. Após secar a tinta, a caixinha de palitos ficou pronta, me deixando muito feliz e auto-realizado, além de ser exposta na semana em homenagem ao Dia das Mães, ao lado de outras obras. A segunda arte que criei foi uma luminária também com palitos de sorvete (confesso que não é de sorvete, usei o termo apenas para facilitar rsrs), seguindo a mesma técnica da caixinha: a base com alguns andares tinha um formato quadrado, igual ao da caixinha, formando uma espécie de "torre". Ao invés da tampa, foi colada por cima uma segunda torre sem base, para dar continuidade à anterior, porém com formato de losango. Logo acima, mais uma torre quadrada. Seguindo a sequência: mais uma torre em losango e uma torre quadrada - sem tampa para que a futura luz da luminária apareça. No total, foram 5 torres coladas. Outra alteração na arte, foi a pintura dos palitos antes de colar, de modo individual, que no começo era um teste para descobrir se mesmo pintados, os palitos conseguiriam ser colados rs Escolhi a cor vermelha para pintar cada palito. Só ficou faltando a lampadinha e o interruptor para criar a luz rs Seguindo a sugestão de uma das terapeutas, experimentei fazer um trabalho com colagem de tiras pequenas e enroladas de papel, para preenchimento do desenho de uma pomba branca. Usamos uma cartolina amarela, imprimimos um desenho de pomba que depois recortei e colei na cartolina. Para produzir as tiras, a terapeuta corta o papel em pedaços retangulares finos e meu pai com um palitinho enrola esses pedaços e cola para deixar as tiras firmes. E eu pego cada tira com as mãos, molho em um pouco de cola e faço a colagem sobre o desenho da pomba. Nos primeiros instantes, parecia que as tirinhas não conseguiriam grudar ou que não daria o efeito esperado, mas ao longo do preenchimento do desenho, o visual vai ficando muito bonito, parecendo penas em 3D rs


EQUIPE DO LUCY: o acompanhamento dos MÉDICOS Dr. Fabiano e Dr. Lee foi essencial para os progressos e as conquistas em minha reabilitação. O Dr. Fabiano me atendeu mais de uma vez e nos corredores sempre tirou minhas dúvidas e deu dicas para minha saúde. Tive consulta com o Dr. Lee apenas uma vez, mas valeu muito a pena, pois ele se aprofundou em meu caso, conversando comigo e com meu pai por 1 hora, com sugestões incríveis para ampliar os ganhos de movimentos. O Lucy Montoro oferece ainda as atividades de ACUPUNTURA (com a Dra. Maria Angélica e o Dr. Ricardo, aplicando agulhas em alguns pontos do corpo, mas não cheguei a fazer essa atividade) e de INCLUSÃO DIGITAL (em um horário bem cedo com as terapeutas ocupacionais, para aprender a usar o computador através de adaptações ou de um mouse ocular, além de aprender a usar o video-game). Para recuperar a energia, por volta de 9:45 as copeiras (Simone, Luciana e Rosemeire) passa com um carrinho pelo auditório, oferecendo LANCHES para os pacientes e seus acompanhantes, sendo que agora tem suco ou cafézinho, acompanhado de um sanduíche. Desde que chego no centro, já sou acolhido com alegria e entusiasmo por todos da RECEPÇÃO, que procuram atender da melhor forma possível (Aline, Sueli e William). Enquanto vou passando pelos corredores, vou observando os bastidores do pessoal da ADMINISTRAÇÃO, passando de um lado para o outro com papéis nas mãos ou de dentro das salas, em suas mesas e computadores, vão organizando o Lucy e fazendo tudo funcionar - colocando em seus trabalhos carinho e dedicação (Arianne, Claudineia, Priscila, Ligia, Suely). De tão feliz e satisfeito, não tenho nada a reclamar para o Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), que é facilmente acessível através da Alessandra em sua sala ou nos corredores ou nas urnas espalhadas perto de algumas salas, onde é possível preencher um papel, assinalando sua satisfação pelas atividades, além de espaço para dicas e sugestões - eu inclusive, preenchi um papel e fui só elogios, com toda minha sinceridade. E para melhor atender seus visitantes, procuram cuidar do lugar nos mínimos detalhes, seja na LIMPEZA de cada ambiente com total dedicação, seja nos sistemas funcionando com excelência no departamento de T.I., seja na área de SEGURANÇA e proteção de tudo.

PACIENTES: Entre os instantes de espera e os intervalos das atividades, as conversas com outros pacientes pelos corredores são sempre descontraídas e animadas. Durante as sessões, poder conviver em companhia dos amigos pacientes é algo que me incentiva ainda mais, além de ser uma boa oportunidade para conhecer suas histórias de superação. Fico contente pelo aprendizado que ganho através de cada exemplo que conheço. Davi, Flávio, Vanilda, Herminda, Nivaldo, Mike, Guilherme, Dejeane, Ramires, Douglas, Dona Cida, Felipe.

Dedico esta postagem a todos os profissionais incríveis que trabalham na Lucy Montoro - todos vocês, sem exceção, têm feito a diferença em minha vida. Admiro imensamente o carinho com que fazem seus trabalhos, sempre sorrindo e desejando sinceramente o melhor de cada paciente. Muito obrigado a todos por ajudarem a reabilitar minha vida. Dedico a todos os pacientes que assim como eu, buscam o melhor para suas vidas, se reabilitam com empenho, dão força um para outro e me fazem aprender a cada dia. Dedico também, a toda minha família, que tem tornado possível minha presença neste maravilhoso centro de saúde.

Um grande abraço!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A Criança Que Existe em Nós

Olá pessoas,

Não sei se as crianças costumam acompanhar meu blog, mas como este ano estou por dentro das datas especiais, aproveito a oportunidade para desejar a todas elas um Feliz Dia das Crianças! Que seja um dia de muitas brincadeiras e travessuras, de muitos jogos divertidos, de muitas aventuras ao ar livre, de muitos esportes saudáveis e o principal, de muita união com seus amigos e com suas famílias. Que se divirtam ao máximo, vivendo os melhores momentos desta maravilhosa fase da vida. Que neste dia 12 e em todos os seus dias, a alegria de ser criança esteja presente em todos os lugares. Minha mensagem é para meus leitores do blog que possuem filhos ainda crianças, para as crianças leitoras do blog, para meus amigos que possuem filhos crianças, para meus amigos que são crianças, para meus familiares que possuem filhos crianças, para meus familiares que são crianças, enfim, para todas as crianças deste mundo. É o sincero desejo deste poeta que um dia já foi criança (não faz tanto tempo assim rsrs).

Na psicologia, é dito que toda pessoa tem uma "criança interna" que foi reprimida no passado por algum fato marcante. Não sou psicólogo, mas acredito que quando a seriedade adulta toma conta de nossa rotina por completo, não permitindo o sentimento da alegria, a vida fica com um grande vazio. Na inocência da infância, brincamos usando toda nossa imaginação e todos nossos sonhos. Na adolescência, os brinquedos são mais radicais e os adolescentes se juntam em "tribos". Na juventude, pouco antes da fase adulta, as brincadeiras ficam por conta das cartas de baralho e das motos e carros.

Quando nos tornamos adultos, parece que a sociedade impõe que a criança dentro de nós nunca mais irá existir. É como se tivéssemos de provar 24 horas por dia que somos adultos, através de atitudes sérias e robóticas. Claro que a própria rotina exige uma conduta mais responsável, correta e pensada, para otimizar nossas atividades de cada dia. Não há muito espaço para erros ou enganos - qualquer passo fora do caminho, já cria um comentário de que se age feito criança. Quando na verdade errar é humano e ser adulto não é ter perfeição em tudo. Sendo criança, adolescente, jovem ou adulto, os erros acontecerão um dia ou outro: a diferença é que tendo uma experiência maior de vida, o adulto saberá transformar seu erro em um grande aprendizado.

Sem contar que há muito o que se aprender com as crianças e principalmente, com a criança que existe em nós e está tímida em nosso coração. Aquela criança que sonhou com o que "queria ser quando crescer" (não me lembro o que sonhei, mas me sinto abençoado em ser um poeta) e hoje pode acordar a cada dia, praticando o amor ao próximo. Aquela criança cheia de imaginação e fantasia, misturando todos os desenhos que assistia e deixando a mente aberta para tudo, hoje em evidência por meio da criatividade (atualmente, sinto que minha criatividade é o resultado de minha imaginação e de meus sonhos do passado, pois sempre desenhei ou criei personagens ou fiz arte de diversas formas) e das ideias mirabolantes. Aquela criança sorridente ao ver um amiguinho para brincar, compartilhando os bonequinhos ou carrinhos, incluindo todos no pega-pega, no esconde-esconde, nas quadras de futebol ou nas rodadas de video game. Aquela criança curiosa e inocente, capaz de fazer perguntas inimagináveis e ao mesmo tempo, mostrando uma imensa vontade de descobrir o mundo ao seu redor.

Para ajudar a despertar a criança que existe em nós, jovens ou adultos, começo desejando também um Feliz Dia das Crianças! Vamos deixar de lado nossa vergonha em nos divertir como na época de infância e aproveitar este dia para jogar cartas, quebra-cabeças, tabuleiros, praticar esportes como tênis de mesa, sinuca, futebol (com essa chuva vai ser difícil, mas se for possível rsrs), jogar no computador ou no videogame com as pessoas (no Wii, Guitar Hero ou Play Station, entre outros rs), cantar no videokê, etc... Podemos entrar no clima e na brincadeira das crianças mais próximas que conhecemos (seja entre os amigos, familiares e conhecidos) - isso faria a alegria delas e a diversão para nossa alma. Ou brincar ao lado de pessoas adultas, mas com espírito brincalhão. Outra maneira de comemorar este dia, é seguir a onda das redes sociais, onde cada um tem postado fotos de quando era pequeno e entrar em contato com nossas lembranças de infância. Relembrar o passado pode nos fazer refletir sobre o quanto estamos nos divertindo neste momento de nossa vida. Será que não merecemos nos divertir mais? Vamos colocar a conversa em dia com aquela criança que um dia fomos, ela que está entusiasmada para viver a vida com toda intensidade. Ao invés de reprimir ou esconder esta profunda vontade de sentir novamente aquela diversão de antes, é mais do que hora de libertá-la sem medo e sem preocupação com aquilo que pensarão de nós.


O que eu quero ser quando já cresci?
Quero continuar sendo poeta,
Propósito que ganhei desde que nasci,
Mas descobri na idade certa.
Quero continuar sendo eu,
Unindo eu adulto e eu criança,
Na eterna lição do caminho meu,
Que na alma promove a mudança.

Quero achar a pureza da infância,
E o amor inocente que emociona,
Cuja grande importância
É a diversão que me proporciona.
Quero ser um eterno aprendiz
Com alegria e bom humor,
Tendo chance de ser feliz...
Transformando a dor em amor.

Quero estar junto
Da criança que existe em mim,
Sendo responsável e maduro,
Porém com bondade,
Curiosidade,
Sonhos,
Imaginação,
Brilho no olhar...
Pois ser poeta é ser assim!

Um grande e divertido abraço

sábado, 29 de setembro de 2012

Independência ou... Litoral Norte

Olá pessoas,
O dia 7 de setembro, comemoração da Independência do Brasil, é um dia marcante para nosso povo. Aqui em São José e em várias cidades, o dia foi comemorado com desfile de autoridades importantes com patentes do exército, dos bombeiros, da medicina, além de grupos de cidadãos, todos compartilhando a honra de representar a Pátria. Enquanto isso, muitos aproveitaram o feriadão para viajar rumo ao litoral. Eu e minha família escolhemos o Litoral Norte, em Ubatuba, para aproveitar o descanso. Por isso, minha forma de celebrar o país independente foi mais zen, observando as belezas e os encantos da praia, me sentindo grato e honrado em ser brasileiro.

A praia tem sido um Paraiso para o humilde poeta que sou... Quais palavras podem definir e descrever belas e grandiosas obras divinas que fazem parte do litoral de Ubatuba? Vou descobrir agora, nas próximas frases deste simples e inspirado texto...

 
Abri os olhos e despertei nesta manhã da Independência. Após tirar a máscara do Bipap de meu rosto, olhei para o teto do apartamento reparando na forte cor branca da pintura. Virei meu olhar para a janela, que quando aberta, revelou uma sutil claridade por entre o nublado bonito do céu. Certamente daria praia, pois no litoral, só de não chover já dá para aproveitar ao máximo. Para quem mora no interior de SP e ao invés de observar o Banhado, encontra um mar imenso e infinito no horizonte, a vontade é de fotografar esta nova paisagem no coração. Defini minha estratégia para curtir os instantes de calor e me proteger dos ventos geladinhos da beira-mar – usei uma camiseta de manga curta por baixo de meu colete ortopédico e uma de manga cumprida para eu controlar a sensação de frio ao longo da tarde. Para acompanhar, usei uma calça-shorts em sua versão curta, pois pensei que não sentiria frio nas pernas; além de um tênis esportivo para fechar o vestuário e meia (confesso).

Levantado da cama e sentado na cadeira de rodas motorizada (porém com motor falho), parei perto da cozinha para tomar meu café da manhã: cappuccino com leite e pão de egg (aquele pão redondo da Panco) com margarina – é o que adoro comer quando estou na praia, que é um lugar onde costumo mudar alguns pontos da rotina. Mas o remédio diário tem que tomar aonde eu estiver. Quando olhei na TV, estava passando o jornal Link Vanguarda e apareceram notícias de minha cidade, São José dos Campos. Foi aí que minha mente percebeu uma inversão de papéis por alguns dias que aconteceu. Ao longo do ano, admiro bastante a vista do Banhado, do Vicentina Aranha e de vários cartões postais joseenses, tudo ao vivo e a cores – enquanto assisto no mesmo noticiário e aprecio imagens do litoral de Ubatuba, com uma louca vontade de estar perto do mar, das areias, dos coqueiros, dos quiosques, da serra, das nuvens e do céu. Já nas ocasiões em que estou no Litoral Norte, presenciando suas belezas naturais e encantadoras, vendo diretamente com meus olhos, totalmente presente, envolvido de corpo e alma, com a maior sensação de paz possível, ao assistir imagens das paisagens de minha cidade, percebo que ela é igualmente bonita e sua natureza impressiona.

Assim que tive oportunidade, depois de notar o céu ficando azul e o sol aparecendo mais forte na sacada do apartamento, decidi observar as ondas do mar e a fronteira do horizonte com o céu. Permaneci na varanda gourmet, curtindo os novos ângulos da paisagem, pois estávamos estreando o novo apartamento que alugamos, que fica um andar acima do anterior. Olhei para um grande terreno vizinho, com grama por todo lado, no qual gaivotas e outros pássaros davam rasantes, pousavam e se cruzavam como aviões da Esquadrilha da Fumaça. Olhei para os edifícios vizinhos, reparando em seus formatos diferenciados, do estilo clássico ao moderno, tendo sacada com vidro ou metalizado... Depois olhei para as sacadas dos outros blocos do edifício no qual estava e fiquei pensando sobre o toque pessoal dos moradores de cada sacada, algumas com artesanato enfeitando (peixinhos grudados na parede, tucanos pendurados no teto, mesas e cadeiras com decoração diferente, varais com toalhas coloridas, plantas grandes e até pessoas conversando – desta vez muitos foram à praia por conta do feriado. Dei uma pequena olhada na vegetação verde e abundante da serra do mar. Virei para o outro lado, seguindo o maravilhoso azul claro do céu, enfeitado com poucas e pequenas nuvens, até meus olhos encontrarem os coqueiros em cor viva e natural – mais abaixo, as areias iluminadas indicavam o visual praiano, com um quiosque cheio de gente em volta. Visto de uma sacada mais alta, o mar revelou novos detalhes visuais, me permitindo assistir ao espetáculo deslumbrante do movimento das ondas da Praia Grande. É incrível acompanhar a vinda das espumas brancas, misturadas com o sal da água, que adornam a ponta de cada onda. O mar nos demonstra que está vivo, por meio de uma sincronia, pois enquanto uma onda se aproxima das areias e chega ao seu fim, outra onda vai se formando com o recuo da água, criando um turbilhão em espiral, uma espécie de mini-tubo, cuja mistura termina com a aproximação dessa nova onda espumada. Ah! Quanta inspiração sentida só de apreciar a beleza do Litoral Norte brasileiro.

 
Depois de tanto curtir a paisagem do país sendo representada por Ubatuba, permaneci no calor agradável da sacada, até que meus olhos encontraram as curvas da mulher brasileira. Como um admirador que encontra sua musa do verão na praia, parei para admirar uma mulher que se cobria de protetor solar de forma independente e dedicada. Com toda suavidade e delicadeza, ela mesma ia passando o bloqueador pelo corpo, massageando-o com grande cuidado. Não sei se por coincidência, mas o biquini que ela usava era verde - impossível não ter reparado. Ela seguiu com o protetor, deslizando suas mãos pelo pescoço, pelos braços, pela barriga e pelas pernas. Não sei se ela me flagrou admirando sua beleza - fiquei admirando-a não por safadeza, mas com um olhar encantado de poeta, que deseja se inspirar no charme das brasileiras.

 
O relógio marcava 14:30 com um sol brilhante e intenso. Como todos acordaram meio tarde, o tempo ia voando enquanto nos trocávamos para a praia. A vontade de curtir o litoral foi  tanta, que decidimos atravessar a rua e ir rapidamente à Praia Grande. Na travessia, foi preciso passar correndo entre os carros, contando com um empurrãozinho de meu pai. Até chegar ao quiosque, tivemos que vencer o degrau de uma calçada, que dava em uma estreita rampa cujo corrimão de segurança não dava nenhuma confiança - fui descendo meio derrapando e de modo irregular. Pareceu esporte radical, pois minha cadeira teve de levitar para entrar na rua. Enfim na calçada do quiosque, um último degrau, IMENSO, tivemos que vencer. Depois disso, foi só alegria. Pegamos uma mesa protegida pela sombra de um belo coqueiro, sobre um piso fofo de areia, permitindo que as rodas da minha cadeira afundassem e travassem naturalmente. Era como uma sacada do quiosque, uma área VIP para poucos com uma visão exclusiva e deslumbrante da praia, sem grades de proteção na frente, aumentando o visual da paisagem. Parecia uma sessão de cinema em 3D, ao vivo, visto da primeira fila, com o melhor da programação natural do Litoral Norte.

 
Nada em nossa frente impedia o ato de admirar o lugar, em uma riqueza de detalhes sensacional, capaz de encantar a alma. Cada reencontro com o mar é uma nova descoberta do Brasil, onde ao invés de acharmos uma nova terra, gritando "Terra, à vista!!!", nos deparamos com novas formações de ondas (de diversos tamanhos, formatos e tubos), com novas nuvens no horizonte (que define um céu azul ou nublado, a presença ou não do sol - cujas manhãs e fim de tardes, o vemos nascer e se pôr, criando um visual abençoado de cores), com marés altas ou baixas (aproximando ou recuando o mar em relação à areia). Isso me faz refletir sobre a aventura que é viajar para mim, partindo de São José para Ubatuba, levando o kit completo de apetrechos e "equipamentos essenciais", evitando dores durante a estrada e depois de descer, olho pelo vidro do carro e digo: "Mar, à vista!!!". Bonito de se observar também é o contato do mar com a areia, transformando-a em uma mistura de consistências: começando com o trecho claro dividido entre mais fofa e menos fofa, continuando com o trecho mais duro e mais escuro e terminando com o trecho mais escuro ainda e ao mesmo tempo brilhante, como um espelho de barro, além de ser mole e aguado. Visualmente falando, as diversas faces da areia formam um degradê entre a cor bege e a cor marrom. Finalizando com o mar cobrindo os "pés" da areia.

 
Pedimos uma porção de batata-frita, que evaporou em questão de minutos, acompanhada de uma latinha de Guaraná. Em outro momento, tomei um sorvete de palito, sabor de trufa de chocolate belga, pois sorvete com praia sempre combina. Mesmo na sombra, com um vento friozinho e agasalhado (inclusive depois cobri minhas pernas com uma toalha rs), tratei aquela tarde como ensolarada, por isso tomei sorvete e ainda passei protetor solar pelo corpo.


Falando em bronzeador, não consegui ver nenhuma mulher passando protetor, acho que as mulheres brasileiras são tão independentes que já vão à praia com protetor. Mas vi muitas mulheres lindas de biquini, talvez pelo grande movimento do feriado. Essas mulheres eram tão charmosas, que dava para eleger uma Miss Bumbum. E imaginar que em São José quase não vejo mulher de biquini (só no desfile da Oscar rsrs)... De repente, tive um recaída no meu vício de colecionar folders de baladas: mulheres vestindo shortinhos e uniformizadas com camisetas enroladas mostrando o umbigo, desfilaram pela areia, divulgando um evento com a presença de DJ´s com a entrega desses folders - meu pai acabou pegando um folder para mim e consegui matar minha curiosidade.

 
O Litoral Norte no feriado, contou com a presença de muita gente. Isso se via na areia lotada de mesas e cadeiras com sombrinhas (com as cores e os logotipos de cervejas famosas) ou sombrinhas próprias (com cores, estilos, formatos, materiais e estampas diversas) misturadas com cadeiras inclináveis, cangas e tapetes ao chão (além das bolsas térmicas ou geladeiras de isopor), brinquedos para mexer com a areia (para as crianças), trailers vendendo pastel ou milho verde, vendedores de queijo, churros, sorvete, empada ou coxinha, tendas brancas, carrinhos com roupas de praia e até lugar para fazer tatuagem...


Isso se via em cada grupo de pessoas aproveitando de jeitos únicos e independentes: famíliares, amigos, moradores locais, turistas, crianças, jovens e adultos, mulheres e homens, banhistas, surfistas, usuários de jet-ski, barco e lancha...


Pessoas passeando pela areia, mexendo com balde e pá na areia, fazendo castelo de areia, tomando sol sentadas ou deitadas na areia, tirando fotos das belezas naturais, comendo salgados e doces praianos ou não, conversando ou relaxando em silêncio, jogando frescobol, vôlei ou futebol, se refrescando no mar, colocando os pés na parte rasa, nadando ou boiando na parte mais funda, surfando ou tentando ficar em pé na prancha sobre as ondas, pegando um jacarezinho com um body board... Enfim, brasileiros independentes, curtindo a liberdade de descansar o corpo e a mente da correria da rotina.

 
O sol foi mudando de posição e ficando mais fraco. O fim de tarde foi se aproximando, com uma bela paisagem aos olhos de todos. O vento frio foi aumentando e o arrepio pelo corpo também. Até a grande lancha do Max da novela "Avenida Brasil", deu uma passada na Praia Grande (vai ver ele foi tirar uma folga da Carminha).


Depois de todos terem aproveitado à sua maneira, sentimos que era hora de voltar para o apartamento e guardar energias para o dia seguinte. Fiz o caminho radical inverso: subi o super-degrau da calçada do quiosque, atravessamos uma rua, subimos a rampa estreita e atravessamos a rua principal. A bateria da minha cadeira foi para o espaço, mas aos trancos e barrancos retornei ao apartamento. A partida de amistoso do Brasil contra a África do Sul (que foi 1x0 para o time brasileiro) tinha começado e conseguimos assistir até o fim, na companhia de um prato de macarrão com carne. Em seguida, assistimos o último capítulo da então novela das seis, "Amor Eterno Amor", onde acompanhei o emocionante final da personagem Miriam (pela qual fiquei profundamente apaixonado, por aqueles olhos marcantes, aqueles lábios maravilhosos com um vermelho irresistível do batom, por aquele sussurro meigo de palavras amorosas e sua música de fundo "...Ainda bem, que agora encontrei você!!!"). Após um belo e agitado 7 de setembro ao lado da família, em pleno Litoral Norte (longe do desfile da Independência de São José dos Campos), comecei a escrever de noite, um texto sobre minha aventura, que se transformou nesta postagem.

Um abraço de brasileiro independente para brasileiros independentes!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Afilhado de Sorte

Olá pessoas,

No primeiro dia deste mês, num sábado à noite, tive a grande alegria de receber a visita dos meus queridos padrinhos e de minha querida prima, para colocar as novidades em dia. É que fiquei um longo tempo sem vê-los por conta de suas viagens em outros países: meu padrinho nos EUA; minha madrinha e meus primos na Argentina. Me senti feliz por eles terem aproveitado e curtido belos momentos durante suas estadias. Naquele sábado, eu tinha acabado de chegar de um passeio ao shopping e já era início da noite. Foi aí que recebi a maravilhosa notícia de que meus padrinhos me fariam uma visita.


Assim que chegaram, me senti imensamente feliz por poder matar as saudades e pela chance de conversar com eles, compartilhando todas as notícias. Me cumprimentaram com imenso carinho e entusiasmo, tornando o instante emocionante. Trocamos lembrancinhas entre nós: eles me deram uma camiseta azul com palavras em argentino e uma camiseta azul com o logotipo da Nasa - adorei o generoso gesto deles, por se lembrarem de mim através dos presentinhos, muito obrigado, fiquei super contente por saber que tudo isso representa a demonstração de todo o amor incondicional que sentem por mim e é fortemente recíproco. Dei uma caneca escrito "Super Padrinho" e outra escrito "Super Madrinha", para adoçar com amor cada bebida que eles prepararem em suas novas canecas - cuja arte impressa foi feita de coração pela minha cunhada Leandra - e para completar, dei meu toque de Poeta aos presentinhos, escrevendo um texto homenageando meus padrinhos e meus primos, além de agradecer por tudo o que fazem por mim. A pena é que o texto foi impresso de uma forma criativa, porém ficou na gráfica e não o peguei a tempo. Foi aí que decidi ler o texto para eles, em voz alta e direto do computador, para completar as lembrancinhas. Ao longo da leitura, procurei sorrir com toda minha sinceridade e olhar nos olhos de cada um. Meus olhares foram correspondidos junto de sorrisos e com o tempo, as lágrimas de boa emoção foram aparecendo em seus olhos. É nessas horas, que fico maravilhado por perceber que presentear com palavras é algo mágico, encantador e abençoado por Deus.

E é por tudo isso, que senti uma enorme vontade de compartilhar com meus queridos leitores e cada visitante que passar por este singelo blog, este texto-homenagem aos meus padrinhos, aos meus primos e toda sua família. Quando criança e adolescente, confesso que minha timidez me vencia e nem sempre eu conversava sobre tantos assuntos com meus padrinhos - eu não fazia de propósito, apenas tinha uma vergonha de falar com as pessoas, inclusive as da minha família e não entendia nem sabia a razão. Mas o amor que sinto por eles sempre foi intenso, repleto de orgulho, respeito, admiração, gratidão, sinceridade, bondade e alegria. Agora como adulto, tenho consciência do quanto é valioso conversar com eles, tenho a sabedoria e a humildade de reconhecer que já aprendi e ainda posso aprender muito mais com eles. Hoje, a cada reencontro, fico à vontade para conversar um pouco mais sobre várias novidades e assuntos, tendo espaço até para algumas tiradas bem-humoradas, fazendo todos rirem rsrs A cada visita, a cada instante de união e carinho, procuro me abrir ainda mais, contando o que penso e sinto, para saber como estão suas vidas. Sei que é difícil suprir os momentos em que nada falei ou em que não expressei o que pensava ou sentia, mas o que vale mesmo é o agora e as aventuras daqui para frente.


Atualmente, quero que meus padrinhos saibam que AMO MUITO ELES e que SOU ETERNAMENTE GRATO por tudo o que fazem por mim. Peço de coração aberto que ME PERDOEM se faltei em algum instante, se não estive totalmente presente em nossas convesas e encontros emocionantes. SINTO MUITO por não ter dito tudo isso que escrevi nesta postagem, me arrependo por não ter retribuído antes toda a sorte que sempre plantaram em meu caminho - a verdade é que meu processo de aceitação da minha doença e da minha deficiência, quando me tornei cadeirante, mexeu muito comigo, me deixando inseguro, mais tímido, muito crítico comigo mesmo e com baixa auto-estima. Graças a Deus, ao amor da minha família e ao amor de meus padrinhos, conquistei a aceitação e hoje sou um adulto que seguiu seus exemplos e conselhos, que aprendeu com cada conversa e troca.


“Afilhado de Sorte”

Desde que nasci, Deus me abençoou com uma vida maravilhosa para trilhar. Ganhei a oportunidade de conviver e trocar aprendizados com minha querida família. Anos depois, descobrimos minha doença e o que poderia ser assustador se tornou minha aventura diária. Ainda hoje, sigo na jornada rumo aos grandes ensinamentos, encontrados de acordo com cada momento. Tudo é aprendizado.


Além de contar com uma família maravilhosa, que apesar de tudo sempre deu um jeito de ultrapassar as pedras no caminho, tive a sorte de meus pais terem escolhido para mim Super-Padrinhos. A partir da cerimônia de batismo, pude oficialmente ser chamado de afilhado por vocês – claro que quando bebê, não tinha a consciência da grandeza deste fato. Hoje, vejo tudo isso como um milagre de Deus, principalmente quando me lembro dos grandiosos instantes que compartilhamos juntos.


Quando conheci vocês, eu ainda era um simples bebê e isso já estava nos planos de Deus. Meu destino passou a ser protegido por meus Super-Padrinhos. Foi mágico como um conto de fadas: na igreja, pessoas ao nosso redor sorriam emocionadas, meus pais me seguravam no colo com imenso carinho, o padre orava me abençoando e me desejando sorte... Eis que de repente, os grandes amigos de meus pais passaram a fazer parte de minha vida e poderiam me proteger e cuidar de mim com seus Super-Poderes vindos do amor incondicional.


Receberam a missão de serem meus Padrinhos e hoje me sinto muito grato por tudo o que fizeram por mim. Vocês sempre estiveram ao meu lado, em todas as ocasiões, nos tempos difíceis, em cada aniversário ou data comemorativa, em cada noite de autógrafos, em todas as colações de grau e bailes de formatura, nos churrascos e em suas adoráveis visitas. Com o amor que recebo de vocês, sinto minha sorte renovada, pois sei que desejam o meu bem... Todo esse profundo amor renova minhas forças, me carrega nos braços quando não consigo seguir adiante, me enche de luz e de coragem para encarar os desafios. Lhes desejo de volta toda a sorte do mundo e que sejam sempre felizes em suas caminhadas.


Que sorte a minha ter laços de família tão próximos com meus Super-Padrinhos. Sou grato também pelos primos que ganhei, Renan e Milena, que em minha infância me fizeram companhia em brincadeiras, festinhas e jogos, enquanto hoje contam suas incríveis histórias, de uma forma descontraída, além de estarem conectados comigo nas redes sociais.

O melhor de tudo é que não foi um simples conto de fadas que vivenciamos. Nós vivenciamos a vida real, que é intensa nas dores e nas flores, as dificuldades de minha doença constantemente me desafiam, porém Deus me fortalece e me inspira a querer acordar cada dia e viver ao máximo, com a ajuda de pessoas especiais, em busca do aprendizado da alma. A realidade está no Super-Amor que recebo de vocês, meus Queridos Padrinhos, que a cada desafio de minha doença – a dificuldade de andar, a ida para a cadeira de rodas, o colete e as órteses, o Bipap – sempre estiveram comigo me oferecendo amparo, carinho, paz, alegria, luz, ensinamentos e principalmente amor incondicional. Sei que independente do que vier pela frente, continuarei tendo a sorte de ser protegido e fortemente amado por vocês. Continuarei sendo iluminado, ajudado e tendo força para seguir em frente. Me sinto honrado e com muita sorte por ser afilhado de vocês. Obrigado por tudo! Amo muito vocês!


Dedico esta postagem para meus queridos padrinhos, Rosely e Ruy, seus filhos Renan e Milena (que considero meus primos) e toda sua família, que são muito especiais para mim. Dedico também para meus pais, Marli e Rui, que escolheram seus grandes amigos para serem meus padrinhos e para toda minha famíia. E dedico para todos os afilhados e para todos os padrinhos deste mundo.

Abraços!

domingo, 2 de setembro de 2012

Dicionário do Poeta

Olá pessoas,

Apesar de ter alguns temas e assuntos que dariam para novas postagens, não tenho conseguido criar a oportunidade para escrevê-las. Talvez um pouco por causa dos afazeres semanais, talvez um pouco por não planejar meu tempo de cada dia ou talvez por conta das semanas passarem voando e quando vejo, já é fim de semana. Confesso que estou meio atrasado naquele ritmo de 4 postagens por mês, mas garanto que vou fazer de tudo para compartilhar com vocês várias novidades nas próximas postagens. Aguardem, pois pela frente virão postagens emocionantes. A de hoje é simples, mas de coração e com muitos significados.

Desde os tempos de escola, aprendemos a usar o dicionário para saber as definições das palavras. Os professores faziam a leitura de alguns textos em sala e pediam para grifar as palavras desconhecidas, para depois procurar seus significados no dicionário. Quando criança, eu tinha guardado em casa o mini-dicionário Aurélio, aquele de capa azul e quase todo mundo tinha. Ele quebrava um bom galho nas aulas e nas tarefas. Quando as palavras para procurar eram muito antigas, meu pai emprestava o dicionário dele, que era grande, sem capa e com folhas amareladas, porém bastante eficiente. Lembro que para mim, a magia do dicionário era imaginar que praticamente todas as palavras (usuais na vida) estavam dentro de apenas um livro: ao abrí-lo, sentia como se as palavras fossem libertas e voassem ao meu redor. Em seguida, era como se eu interagisse com as palavras, iniciando uma emocionante busca ao virar cada página, como um desbravador que passa por entre as matas mais altas, abrindo caminho na escolha das letras iniciais em ordem alfabética, até o encontro da palavra certa. Já nas aulas de inglês e espanhol, tanto no fundamental como no ensino médio, o signifcado vem na forma de tradução de uma dessas línguas para o português. Neste caso, é uma nova busca: conhecer a versão internacional de uma palavra, com mesmo significado, mas com letras diferentes ou um pouco parecidas (no caso do espanhol).

Nas disciplinas de ensino técnico (Publicidade) e de faculdade (Propaganda e Marketing), tive de me adaptar ao glosário específico desta área, que adota muitas palavras em inglês. Só que além de inicialmente se estudar a fundo a teoria e os conceitos de cada palavra de propaganda, é preciso conhecer todas elas na prática. O entendimento acontece na junção de teoria e prática.


Atualmente, neste tempo de pós-faculdade, uso o dicionário de modo informal e por vontade própria, movido pela curiosidade de entender a essência do signifcado das palavras. Antes, eu costumava digitar determinada palavra no Google e clicava em algum site com o significado. Agora, digito a palavra no Dicionário do UOL, que consulta e mostra os significados dos dicionários Houaiss, Michaelis e Aulete. Costumo ler todos os significados que uma palavra pode ter, para ampliar suas possibilidades de uso em alguma obra minha. Consulto todos esses dicionários citados, tudo pelo computador, via internet. Faz um tempo que tenho adotado o dicionário virtual para escrever minhas poesias e isso tem me ajudado bastante a usar a mesma palavra de forma diferente ou a usar novas palavras nos versos, inclusive para criar as rimas. Até as palavras mais conhecidas e que já sei o significado, procuro para entender outra visão de seus significados. Por exemplo, nas poesias de datas especiais, procurei no dicionário e até pesquisei mais a fundo o significado de "Natal", "Reveillon" e "Páscoa", além das palavras "mãe" e "pai".

Acredito que o dicionário tem tornado minhas poesias mais profundas e verdadeiras. Fui abençoado com o talento da escrita, mas quero também compreender as palavras, tendo a humildade de reconhecer que não sei tudo. Procuro respeitar cada palavra, buscando aprimorar meu conhecimento sobre ela em um processo de aprendizado. Para aprender na vida, precisamos estar abertos a receber os ensinamentos do próximo, por mais simples que sejam esses ensinamentos. É um gesto nobre abrirmos nosso coração para tudo o que outra pessoa tem a nos dizer, pois ela sempre terá algo diferente a nos ensinar. E nós sempre teremos algo diferente para ensinar a ela. Assim que leio o conceito de cada palavra, aos poucos vou absorvendo seus vários significados e misturando com as visões e assossiações poéticas do amor que tenho em meu coração sobre cada palavra. E o toque final vem do Dicionário do Poeta, que possui as palavras com significados ditados por Deus, tornando-as mais profundas e verdadeiras. Se foi Deus Quem me presenteou com a dádiva da poesia, é Ele Quem planta em meu coração esses novos significados, repletos dos melhores sentimentos. As palavras do Dicionário do Poeta não precisam ser procuradas. Elas já estão disponíveis dentro de mim, por meio da conexão com Deus. Basta eu respirar fundo, fechar os olhos, esvaziar a mente, orar pedindo a inspiração divina... As palavras poéticas me encontrarão e aparecerão em cada obra.

Um Abraço com Grande Significado!

sábado, 11 de agosto de 2012

Pais - Semeadores de Vida

Olá pessoas,

Logo após ter escrito a poesia em homenagem ao Dia das Mães, decidi que de qualquer maneira escreveria também uma poesia para o Dia dos Pais. Graças a Deus, consegui fazer esta homenagem a tempo - a inspiração apareceu nessa semana, na manhã de segunda-feira. Criei metade da poesia, foram 3 estrofes. Já a outra metade, ficou pronta na noite de terça-feira, durante a novela das 9. Há algumas semanas, andei pensando sobre como descrever os pais da forma que eles merecem, levando em consideração o grande amor que sentem pelos seus filhos. A comparação poética que escolhi para esta mensagem especial ao meu pai e a todos os pais, é a de "Semeadores de Vida". Ou seja, os pais são como agricultores que praticam a semeadura ao lançar as sementes na terra, para que cada planta possa brotar. Cada planta representa um filho, que através das sementes, vai se transformando e tomando forma de planta. Ao longo de sua vida, a planta vai recebendo a força e os cuidados de seu agricultor (o filho vai recebendo o amor do pai, a seu modo e também através de gestos protetores), até que ela se torne independente e possa seguir seu caminho.

Então ser pai é ser semeador. É semear não só a vida do filho, mas também semear boa companhia, conselhos, proteção e sabedoria. Por outro lado, o que se colhe da planta em retribuição é carinho, gratidão, respeito, admiração. A vontade de ver os filhos bem, felizes e cheios de vida, acaba amolecendo o coração dos pais, que geralmente se mostram contidos nas emoções, com certa firmeza nas palavras, mas na hora de revelar o orgulho que sentem por suas "crias", as lágrimas são inevitáveis. Quando se fala da presença do pai na infância de um filho, me lembro daquela cena em que o pai o ensina a andar de bicicleta sem as rodinhas de proteção. A proteção se faz presente como um gesto de incentivo: as mãos firmes dão um empurrãozinho inspirador e geram conforto, indicando que o pai estará por perto para amparar seu filho nos momentos de escuridão. O pai quando preciso, estará de braços abertos, sendo um escudo contra os desafios da vida. Com o filho, acontecem as conversas de homem para homem, sobre assuntos secretos. Com a filha, vem os ciúmes e a vontade deixá-la em segurança sob sua asa. Pai é uma mistura de parceria, com um lado guardião e um toque de manteiga derretida. No fundo, os pais são "babões".


"SEMEADORES DE VIDA"

Ser pai é ser semeador,
Pois com sua força inspira amor.
A semente que vira planta
Como filho desencanta, se levanta, acalanta.

Nos primeiros sinais de folhas a cair,
Tal qual treinos de bicicleta ao sair,
As mãos firmes sempre farão o amparo
E darão segurança, graças ao seu faro.

As conversas de homem para homem
Ou os ciúmes da filha que o consomem,
É o jeito sério de sentir orgulho,
Desejando ser um amigo, um espelho.

O poder de semear torna o pai herói,
Protege o filho e sabedoria constrói...
Semeia conselhos que abraçam firme:
Tal pai, tal filho formam um belo time.

O desejo de colher o faz amolecer,
As lágrimas não há como se conter,
Acompanhando cada fase da vida
Da planta eternamente agradecida.

Pais: babões, guarda-costas, parceiros,
São leais, semeadores verdadeiros
De boa vida para seus descendentes,
Que de sementes viram independentes.

(Fábio Cassiano)

Pai, muito obrigado por ajudar a semear minha vida e por demonstrar seu amor por mim através de sua força. Você é o pai certo para mim e te agradeço por tudo o que me ensina diariamente. Apesar de tudo e de cada desafio que enfrentamos, suas mãos firmes sempre me seguraram, nas primeiras quedas, na primeira cadeira de rodas, no primeiro colete e ao mesmo tempo, vibraram com aplausos em meus aniversários, em minhas formaturas e até no lançamento do meu primeiro livro. Me orgulho de ser seu filho. Eu te amo... Te desejo um Feliz Dia dos Pais!

FELIZ DIA DOS PAIS PARA TODOS OS PAIS!!!

Um abraço semeado com muito carinho!

domingo, 5 de agosto de 2012

O Reencontro do Poeta com a Praia (PARTE 2)

Olá pessoas!

Compartilho com vocês a continuação da postagem sobre meu reencontro com a praia. A primeira parte do texto está neste link

Praia: o templo de paz do poeta Fábio e de todos que admiram a paisagem dos litorais brasileiros. Contemplar o céu e o mar no conforto de um lugar aconchegante, na companhia da família é algo simples, porém grandioso em minha vida. É uma união de sensações naturais que representam as bençãos das obras de Deus, com as emoções mais puras, verdadeiras e inspiradoras que despertam dentro de mim.


Ainda na varanda do apartamento, aproveitei para tomar um leve sol da tarde e observar a visão praiana que encanta meus olhos e meu coração. Virei para o outro lado e conheci a churrasqueira, imaginando que daria para fazer churrascos como os do quintal daqui de casa, pois até mesa e nossas cadeiras de rodas cabiam no ambiente. Até brinquei que tinha espaço inclusive para realizar uma festa em plena sacada, com todo mundo dançando juntinho rsrs Me empolguei tanto em minha imaginação, que ao perceber a proximidade com as sacadas vizinhas de cada bloco do edifício, seria possível fazer uma reunião de condomínio, onde cada participante conversaria no conforto de sua varanda e de repente tudo terminaria em um churrasco coletivo rsrs Com as malas organizadas - roupas nos quartos, alimentos na cozinha, tudo nos devidos lugares - e depois de devorar alguns biscoitos de polvilho (para enganar a fome), nos arrumamos para reencontrar uma praia que adoramos... A Praia do Lázaro! Não senti calor, por isso fui vestindo uma camiseta de manga comprida, calça e tênis. Para adiantar, fui saindo do apartamento e reparando nos detalhes do corredor do primeiro andar, cujas laterais são jardins com flores e plantas, cuja luz tem sensor de presença para se acender. Quando o elevador chegou, entrei acompanhado, pois preciso que alguém aperte os botões de fora e de dentro, além de ajeitar a cadeira na diagonal para caber no elevador.


Passei pela garagem e entrei no carro. Tivemos que preparar novamente o esquema para levar as duas cadeiras de rodas e toda a tripulação nos dois carros. O sol estava meio fraco e os ventos foram ficando frios, mas a vontade de rever a areia e o mar superaram qualquer adversidade. Passamos por algumas praias e fiquei feliz pela pista não estar cheia, o que tornou mais curta nossa ida ao Lázaro. Foi só percorrer o caminho conhecido para o Lázaro, que meus olhos não paravam de admirar a paisagem, bonita com ou sem sol. Minha mente foi relembrando de momentos vividos na praia ao lado de minha família em diferentes épocas. Voltei à realidade com o balanço da pista de terra, até que entramos no estacionamento que dá direto na Praia do Lázaro, perto de alguns quiosques. Encontramos duas vagas paralelas e nelas estacionamos. Comemorei comigo mesmo: "Enfim, o reencontro tão sonhado com a praia! Obrigado, Deus, por mais esta oportunidade de iluminar e inspirar minha alma!".


Quando sentei na cadeira, senti um ventinho refrescante na nuca e as rodas da minha cadeira afundando na areia - pois consigo sentir o toque das rodas como se fossem meus pés. A mesa do quiosque estava ao alcance dos meus olhos e ao fundo, a imagem de uma natureza praiana exuberante, uma pintura divina. Com ajuda, consegui vencer o trecho de areia fofa do estacionamento, com meu braço quase caindo, até que finalmente paramos numa mesa com guarda-sol de um dos quiosques, em busca de aproveitar ao máximo o primeiro dia da viagem. De onde estávamos, era possível observar uma planta colocada em uma bolsa plástica (parecia iniciativa ecológica) e logo atrás, uma árvore de tronco grande. Na paisagem ao fundo, a maré alta trouxe as ondas do mar para mais perto, um leve brilho do sol refletia-se no mar, as folhas de cada galho da árvore envolvia a vista como uma moldura natural, algumas pedras envolvidas por áreas verdes litorâneas e as nuvens que escondiam a luz do sol. Ocupava a vista também, as lanchas e barquinhos parados nas partes mais fundas, as pessoas se banhando ou fazendo canoagem ou até se equilibrando de pé em pranchas de stand-up (aquele esporte novo com uma pranchona e um remo gigante, no qual a pessoa fica em pé remando no mar) e duas lojinhas de cangas - cujos donos surpreenderam ao recolher suas lojas, que pareciam barracas em carroças, usando carros modernos e chiquérrimos. De imediato, pedimos duas rodadas de petiscos: duas porções de cação temperado com limão (que tem um gosto especial de praia e mata a fome com grande sabor) e uma porção de batata-frita com ketchup. Valeu como almoço. Quase me esqueci de que tomei uma latinha de guaraná para acompanhar e de que não resisti - acabei tomando um sorvete Corneto de brigadeiro, seguindo minha tradição milenar no que se refere à sabedoria da praia rsrs Depois de comer tudo isto, fiquei satisfeito. Já era fim de tarde e acho que ficamos provavelmente duas horas e meia na praia. Ao meu lado, cada um aproveitou de um jeito: ora caminhando pelas areias por alguns minutos, ora colocando os pés no mar salgado e gelado (tirando fotos), ora descansando a mente das preocupações e obrigações, ora metidando...

Ou simplesmente apreciando o milagre da vida natural, as gaivotas e todas as aves voando pelo horizonte, as pessoas interagindo com amigos e família pelas areias, correndo, caminhando, jogando com raquetes e bolinha, tentando se bronzear no mormaço, brincando nas areias mais secas ou nas areias mais próximas. Apreciando o contato com o mar, desde os primeiros passos que dão grandes arrepios em todo o corpo, passando pelos pulos sobre cada onda, até o momento em que o corpo flutua e é preciso se movimentar para não afundar - mas nadar com bóias também é emocionante. Me empolguei neste parágrafo em relação a essas inspirações que aprecio, mas nesta viagem não entrei no mar. Observei em detalhes a praia e curti este reencontro com este lugar maravilhoso. Com o fim da tarde, o céu foi escurecendo e o frio começava a soprar mais forte. Tudo indicava que já era hora de ir. Sabíamos que a previsão indicava um domingo chuvoso, então aproveitei ao máximo os últimos minutos no palco abençoado da praia, no contato direto com o litoral de Ubatuba, em um de nossos lugares preferidos. Até que minha alma se despediu em forma de gratidão.

Um dos gestos mais belos da vida é agradecer, principalmente quando as palavras vêm do coração e possuem muita sinceridade. Ajudar as pessoas faz um bem enorme. Receber ajuda nos deixa mais seguros e felizes por termos com quem contar. Sou eternamente grato a todos que participam da minha vida transformando cada dia em maravilhosas bençãos.

Gravei o momento especial na praia em meu coração e através de fotos (que compartilho aqui com vocês)... Fizemos o caminho de volta para o apartamento, com toda a caravana preparada, com o tira e põe das cadeiras de rodas, eu e minha mãe sentamos em nossas cadeiras, subimos o elevador e entramos no apartamento. Cheguei com vontade de ir ao banheiro, tratei de usar o meu "papagaio" - é tipo um recipiente em formato parecido com abacate e em sua parte de cima tem uma espécie de tubo para coletar a urina - para fazer xixi, próximo ao banheiro, pois sua porta era estreita para minha cadeira. Já a vontade número 2 (quando o intestino quer funcionar) ficou no quase, pois preciso sempre usar uma cadeira de rodas de banho, que vem com um assento de privada, mas na oportunidade, faltou o apoio lateral para os braços e isso me atrapalhou na hora de encontrar uma boa posição. Acabei perdendo a vontade. Sei que esta parte não é nada poética rsrs mas estou procurando contar todos os detalhes, tanto as alegrias quanto os desafios que foram vencidos.

Todos aproveitaram a noite para tomar banho, tirar a areia dos pés e colocar uma roupa de sair, para uma possível feirinha da praia. Logo preparamos duas pizzas prontas para o jantar. Comi duas fatias, uma de quatro queijos e outra de frango com catupiry. Assim que me senti satisfeito, aguardei alguns minutos para ver se rolaria a saída noturna para a feirinha que tanto adoro. Caso não rolasse, eu entenderia, pois acredito que agora terei mais oportunidades de reencontrar a praia. Como todos estavam se arrumando, pedi para me deitarem na cama para descansar minhas costas e ao mesmo tempo testar o conforto da cama. Tirei o colete que uso para segurar a postura do meu tronco e me deitei por quase 1 hora, com um rolinho abaixo das pernas para melhor apoiá-las. Depois, escolhi uma calça nova para usar e me colocaram novamente na minha cadeira de rodas.

Todo mundo estava de roupa nova e estava confirmado que sairíamos para passear na praia do centro de Ubatuba, onde se encontra a feirinha de artesanato - ponto bastante visitado em nossas viagens, desde que eu era criança. Eu e minha mãe entramos no carro e descobrimos que a chuva estava apertando. Não daria para sairmos do carro. Decidimos prosseguir com um passeio de dentro do carro, apenas para observar o movimento do centro, sem transportar as cadeiras. Novamente reunimos a caravana e passeamos. Mesmo com a chuva do lado de fora, primeiro demos uma passada na loja de doces Tachão de Ubatuba, que vende um doce de bananinha muito saboroso, de dar água na boca. Meus irmãos e minhas cunhadas entraram na loja e compraram um pacote com bananinhas. Em seguida, partimos para a praia do centro, onde encontramos uma pequena fila. Paramos na calçada de um mini-shopping, perto de uma sorveteria chamada Pistache. Cada um escolheu um sabor de sorvete de casquinha. Eu e minha mãe, sem nossas cadeiras, escolhemos nossos sorvetes de casquinha para viagem - a casquinha ficou de cabeça para baixo, apoiada com a bola de sorvete sobre um pote. Escolhi o sabor de flocos, que acabei tomando dentro do carro mesmo, na garagem do apartamento, com uma colherinha. Meia hora depois, retornamos ao apartamento e ficamos na sala assistindo o programa Altas Horas, pois logo após passaria a luta do Anderson Silva no UFC. Não aguentei esperar de sono e decidi dormir. Aguardei o preparo do meu aparelho respiratório para ajudar no sono, o Bipap, para ser instalado ao lado da cama que eu iria dormir. Achei melhor dormir apoiando meus pés na parede, para não cansá-los e entortá-los durante a madrugada.

Um grande abraço!